Dosimetriadapena Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3e59006a15da909d2d4e2a
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- Brazil
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- Superior Tribunal de Justiça
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- Agravo Para Assegurar Seguimento De Recurso Especial / Decisão Sobre Seguimento E Mérito Do Recurso Especial
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- Agravo Para Assegurar Seguimento De Recurso Especial / Decisão Sobre Seguimento E Mérito Do Recurso Especial
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01
Holding and result
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem, ao afastar a qualificadora do rompimento de obstáculo por ausência de prova pericial, redimensionou a pena para furto simples e justificou o aumento da culpabilidade pelo fato objetivo do crime ter ocorrido no período noturno; a revisão da dosimetria não se justifica salvo em flagrante ilegalidade, não havendo bis in idem, já que a qualificadora foi retirada e o repouso noturno não foi utilizado em duplicidade.
Court disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
02
Material facts
Parties
VANDERLEY RIBEIRO ABREU
Agravante/recorrenteMinistério Público Federal
Interveniente/opfAmounts and remedies
- Pena Basilar (meses): 16
- Dias Multa: 13
03
Procedural history
Posture
Agravo Para Assegurar Seguimento De Recurso Especial / Decisão Sobre Seguimento E Mérito Do Recurso Especial
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
reexame da dosimetria da pena
- 02
necessidade de prova pericial para incidência da qualificadora do art.155, §4º, I
- 03
possibilidade de bis in idem na valoração da culpabilidade
- 04
limites da revisão da dosimetria pelo STJ
Party arguments
- Applicant
- A defesa alegou violação ao artigo 59 do Código Penal diante da manutenção da valoração negativa da culpabilidade com base em elementar do tipo penal, configurando bis in idem, e requereu o seguimento do recurso especial.
- Respondent
- O Ministério Público Federal opinou pelo desprovimento do recurso. O Tribunal de origem afastou a qualificadora por ausência de prova pericial e redimensionou a pena, justificando o aumento pela culpabilidade em razão do período noturno; afirmou-se que não houve bis in idem, pois a qualificadora foi retirada.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Jurisprudência consolidada do STJ
A incidência das qualificadoras do art.155, §4º, I e II exige prova pericial, salvo se o delito não deixar vestígios, estes tiverem desaparecido ou as circunstâncias não permitirem a confecção do laudo.
- 02
Orientação jurisprudencial do STJ
A dosimetria da pena somente é passível de revisão em casos excepcionais, quando evidenciada flagrante ilegalidade, sem necessidade de aprofundamento do acervo fático-probatório.
- 03
Súmula 7/STJ
Vedação ao reexame de matéria fática e de provas em recurso especial.
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem, ao afastar a qualificadora do rompimento de obstáculo por ausência de prova pericial, redimensionou a pena para furto simples e justificou o aumento da culpabilidade pelo fato objetivo do crime ter ocorrido no período noturno; a revisão da dosimetria não se justifica salvo em flagrante ilegalidade, não havendo bis in idem, já que a qualificadora foi retirada e o repouso noturno não foi utilizado em duplicidade.
Obiter and limits
- Na esteira da orientação jurisprudencial desta Corte, a dosimetria é assunto de certa discricionariedade judicial, revisável somente em hipóteses excepcionais.
- Não há falar em bis in idem pois o Tribunal afastou a forma qualificada do delito, de modo que o repouso noturno não foi utilizado em duas fases da dosimetria.
- Cita-se precedente: AgRg no HC 599.330/SC (Rel. Min. João Otávio de Noronha, Quinta Turma, 03/08/2021, DJe 06/08/2021).
Court disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
- Intimem-se.
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Superior Tribunal de Justiça
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Judgment reading view
Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO A controvérsia foi bem relatada no parecer ministerial, in verbis (e-STJ fls. 404/405): Trata-se de agravo visando assegurar o seguimento do recurso especial interposto por VANDERLEY RIBEIRO ABREU contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins que deu parcial provimento à Apelação Criminal n.º 0001708-32.2021.8.27.2715/TO, para afastar a qualificadora do rompimento de obstáculo e, por conseguinte, reestruturar a reprimenda imposta, nos termos da ementa a seguir: PENAL E PROCESSO PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. RECURSO DA DEFESA. FURTO QUALIFICADO PELO ROMPIMENTO DO OBSTÁCULO. ARTIGO 155, § 4º, INCISO I, DO CÓDIGO PENAL. DECOTE DA QUALIFICADORA. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DO LAUDO PERICIAL. REDIMENSIONAMENTO DA PENA. APELAÇÃO CONHECIDA E PARCIALMENTE PROVIDA.
1. Na hipótese, o Apelante foi condenado como incurso nas penas do crime de furto qualificado por rompimento de obstáculo, previsto no artigo 155, § 4º, inciso I, do Código Penal, impondo ao mesmo uma reprimenda de 02 anos de reclusão a ser cumprida inicialmente em regime semiaberto, e à pena pecuniária de 10 (dez) dias-multa.
2. A jurisprudência consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça é posta no sentido de que a incidência das qualificadoras previstas no art. 155, § 4º, I e II, do Código Penal requerem a realização de perícia, a qual somente pode ser suprida por outros meios de prova caso o delito não deixe vestígios, esses tenham desparecido ou, ainda, se as circunstâncias do crime não permitirem a confecção do laudo.
3. No caso, não realizada prova pericial apta a atestar o rompimento de qualquer obstáculo, necessário o afastamento da qualificadora. Pena redimensionada.
4. Apelação conhecida e parcialmente provida. (fl. 311 e-STJ) No recurso especial, firmado na alínea "a" do permissivo constitucional, a Defesa alega violação ao artigo 59 do Código Penal, diante da manutenção da valoração negativa da culpabilidade com base em elementar do tipo penal, configurando bis in idem. O recurso não foi admitido por incidência da Súmula 7/STJ. (e-STJ fls. 355/357). Daí o presente agravo. O Ministério Público Federal opinou pelo desprovimento do recurso. É o relatório. Decido. Preliminarmente, cumpre ressaltar que, na esteira da orientação jurisprudencial desta Corte, por se tratar de questão afeta a certa discricionariedade do magistrado, a dosimetria da pena é passível de revisão apenas em hipóteses excepcionais, quando ficar evidenciada flagrante ilegalidade, constatada de plano, sem a necessidade de maior aprofundamento no acervo fático-probatório. No caso, o Tribunal, ao julgar a apelação da defesa, assentou o seguinte acerca da dosimetria (e-STJ fl. 306, grifei): In casu, não realizada prova pericial apta a atestar o rompimento de qualquer obstáculo, necessário o afastamento da qualificadora prevista no art. 155, § 4º, inciso I do Código Penal. Feitas essas considerações, por se tratar agora de crime de furto simples (art. 155, caput, do Código Penal), passa-se a redimensionar a pena: Na primeira fase, desfavorável apenas a culpabilidade, fixo a
pena basilar em 01 (um) ano e 04 (quatro) meses de reclusão e 13 (treze) dias- multa. Na segunda etapa, presentes a atenuante da confissão espontânea e a agravante da reincidência, compenso-as, conservando a pena no mesmo patamar. Inexistindo causa de diminuição e aumento de pena, concretiza-se a reprimenda definitivamente no quantum acima. Considerando-se a reincidência do réu, mantém-se o regime semiaberto para início de cumprimento da pena. Inicialmente, para avaliação da culpabilidade, "deve-se aferir o maior ou menor índice de reprovabilidade do agente pelo fato criminoso praticado, não só em razão de suas condições pessoais, como também em vista da situação de fato em que ocorreu a indigitada prática delituosa, sempre levando em conta a conduta que era exigível do agente, na situação em que o fato ocorreu" (DELMANTO, Celso et al. Código Penal Comentado. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 273). Assim, entendo que o aumento pela culpabilidade está devidamente justificado, porquanto o fato de o réu ter praticado o delito em questão no período noturno (fundamento da sentença (e-STJ fl. 197), mantido pelo Tribunal de origem, evidencia maior reprovabilidade da conduta, a desbordar do tipo penal. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. DOSIMETRIA DA PENA. VÍTIMA DE TENRA IDADE. COMPORTAMENTO DA RECORRENTE. OMISSÃO. FACILITAÇÃO DA REITERAÇÃO DELITIVA. NEGATIVAÇÃO DO VETOR "CULPABILIDADE". POSSIBILIDADE. BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA N. 182 DO STJ. INEXISTÊNCIA DE ELEMENTOS HÁBEIS PARA INFIRMAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO IMPUGNADA.
1. No caso de prática do crime de estupro de vulnerável, a tenra idade da vítima é fator que legítima a exasperação da pena-base para além do mínimo legal.
2. A mera reiteração dos argumentos já apresentados na impetração do habeas corpus não é suficiente para infirmar a decisão que, com base na jurisprudência do STJ, afasta a possibilidade de concessão da ordem ex officio por considerar possível a negativação do vetor "culpabilidade" quando o estupro é praticado contra criança de tenra idade.
3. Incide a Súmula n. 182 do STJ na hipótese em que o recorrente não procede ao distinguishing e deixa de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada.
4. Mantém-se a decisão cujos fundamentos não são infirmados pela parte recorrente.
5. Agravo interno desprovido. (AgRg no HC 599.330/SC, relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUINTA TURMA, julgado em 3/8/2021, DJe 6/8/2021, grifei.) Outrossim, não há falar em bis in idem pois o Tribunal afastou a forma qualificada do delito, de modo que o repouso noturno não foi utilizado em duas fases da dosimetria. À vista do exposto, conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial . Publique-se. Intimem-se .
EMENTA
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