Dosimetriadapena Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3e59cd6a15da909d3889c3
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- Superior Tribunal de Justiça
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- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissibilidade Do Recurso Especial E Apreciação De Habeas Corpus De Ofício
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- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissibilidade Do Recurso Especial E Apreciação De Habeas Corpus De Ofício
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01
Holding and result
Não conheceu-se do agravo em recurso especial em razão da impugnação deficiente dos fundamentos de inadmissibilidade pela parte agravante; contudo, concedeu-se habeas corpus de ofício porque o Tribunal de origem utilizou indevidamente o comportamento neutro da vítima como circunstância desfavorável e majorou a pena sem motivação idônea e sem observância da fração usual da atenuante da confissão, razão pela qual a pena foi redesenhada para 4 anos de reclusão, regime inicial semiaberto, e 10 dias-multa.
Court disposition
não conheço do agravo em recurso especial; concedo ordem de habeas corpus de ofício para redimensionar a pena do agravante
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Concedo a ordem de habeas corpus de ofício para redimensionar a pena do agravante para 4 (quatro) anos de reclusão, a ser cumprida em regime inicial semiaberto, bem como em 10 (dez) dias-multa, no mínimo unitário.
- Torno definitiva a pena nesse patamar; Publique-se; Intimem-se.
02
Material facts
Parties
SOLMAR ALBUQUERQUE DA SILVA
AgravanteMinistério Público Federal
Interessado/parecerAmounts and remedies
- Pena De Reclusão (sentença De Primeiro Grau): 4
- Pena De Reclusão (acórdão Do Tribunal De Justiça De Pernambuco): 5.5
- Pena De Reclusão (redimensionada Pelo Stj/habeas Corpus): 4
- Dias Multa (redimensionada Pelo Stj): 10
03
Procedural history
Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissibilidade Do Recurso Especial E Apreciação De Habeas Corpus De Ofício
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
adequação da impugnação específica dos óbices à admissibilidade do recurso especial
- 02
valoração do comportamento da vítima na pena-base
- 03
correção da dosimetria da pena e aplicação da atenuante da confissão espontânea
- 04
possibilidade de concessão de habeas corpus de ofício
Party arguments
- Applicant
- A defesa sustentou violação dos arts. 59 e 67 do Código Penal e dos arts. 226, 564 e 386 do Código de Processo Penal, alegando ilegalidade na valoração negativa do comportamento da vítima na pena-base e pleiteando seu afastamento ou, subsidiariamente, fração menor de exasperação.
- Respondent
- O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do agravo; o Tribunal de Justiça de Pernambuco inadmitiu o recurso especial com fundamento nas Súmulas nº 7, 83 e 211 do STJ e Súmula nº 284 do STF, e, em mérito, redimensionou a pena considerando maus antecedentes e comportamento da vítima como circunstâncias desfavoráveis.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
art. 932, inciso III, do CPC; art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ
a necessidade de impugnação específica e integral dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial
- 02
art. 59 do Código Penal; jurisprudência do STJ (ex.: HC n. 544.080/PE e precedentes mencionados)
o comportamento da vítima, quando não tiver contribuído para o crime, deve ser considerado neutro na dosimetria (art. 59 do CP)
- 03
art. 647-A, caput e parágrafo único, do Código de Processo Penal
possibilidade de concessão de habeas corpus de ofício para correção de constrangimento ilegal
- 04
jurisprudência do STJ mencionada no acórdão
parâmetros usuais para fixação da pena-base (fração de 1/6 sobre a pena mínima ou 1/8 sobre o intervalo)
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Não conheceu-se do agravo em recurso especial em razão da impugnação deficiente dos fundamentos de inadmissibilidade pela parte agravante; contudo, concedeu-se habeas corpus de ofício porque o Tribunal de origem utilizou indevidamente o comportamento neutro da vítima como circunstância desfavorável e majorou a pena sem motivação idônea e sem observância da fração usual da atenuante da confissão, razão pela qual a pena foi redesenhada para 4 anos de reclusão, regime inicial semiaberto, e 10 dias-multa.
Obiter and limits
- a decisão de inadmissibilidade deve ser impugnada em sua integralidade
- jurisprudência do STJ entende que o comportamento da vítima deve ser neutro quando não há contribuição para o crime
- citados precedentes reforçam a necessidade de motivação idônea para aumentos da pena-base e a utilização dos parâmetros 1/6 ou 1/8
Court disposition
não conheço do agravo em recurso especial; concedo ordem de habeas corpus de ofício para redimensionar a pena do agravante
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Concedo a ordem de habeas corpus de ofício para redimensionar a pena do agravante para 4 (quatro) anos de reclusão, a ser cumprida em regime inicial semiaberto, bem como em 10 (dez) dias-multa, no mínimo unitário.
- Torno definitiva a pena nesse patamar; Publique-se; Intimem-se.
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Superior Tribunal de Justiça
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Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por SOLMAR ALBUQUERQUE DA SILVA contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco que inadmitiu o recurso especial (fls. 266-270). O agravante foi condenado pelo crime do art. 157, caput, do Código Penal, à pena de 4 anos de reclusão e 10 dias-multa, em regime inicial aberto (fls. 171-172). O Tribunal local deu provimento ao recurso do Ministério Público redimensionado a reprimenda para 05 anos e 06 meses de reclusão, em regime inicial fechado, e 14 dias-multa (fls. 219-232). A defesa interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, alegando violação aos arts. 59 e 67, ambos do Código Penal e aos arts. 226, 564 e 386, todos do Código de Processo Penal, sustentando, em síntese, a ilegalidade da valoração negativa do comportamento da vítima na pena-base e pleiteando o seu afastamento ou, subsidiariamente, a adoção de fração menor de exasperação (fls. 240-249). O Tribunal de Justiça inadmitiu o recurso especial, por incidência dos seguintes óbices: Súmula nº 211, STJ, Súmula nº 284, STF, Súmula nº 7, STJ e Súmula nº 83, STJ (fls. 266-270) A defesa apresentou agravo em recurso especial (fls. 273-279). O Ministério Público Federal ofertou parecer pelo desprovimento do agravo em recurso especial (fls. 310-312). É o relatório. DECIDO. O agravo em recurso
especial tem por finalidade a demonstração do desacerto da decisão de inadmissibilidade do recurso especial proferida pelo Tribunal de origem, de forma a viabilizar o exame do recurso especial por esta Corte de Justiça. Assim, o agravante tem o ônus de refutar especificamente cada um dos óbices recursais aplicados pela decisão de inadmissibilidade do recurso especial, em respeito ao princípio da dialeticidade. No caso concreto, a decisão agravada não conheceu do recurso especial por aplicação das Súmulas nº 7, 83 e 211, STJ, além da Súmula nº 284, STF. Quanto à Súmula nº 7, STJ, incumbe ao agravante demonstrar a desnecessidade da análise do conjunto fático-probatório para o exame da pena-base, deixando claro que os fatos foram devidamente consignados no acórdão recorrido. Nesse sentido: AgRg no AREsp n. 1.207.268/MG, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 19/12/2018. Compulsando o agravo, verifico que o único óbice debatido - e de maneira superficial - foi a incidência da Súmula nº 7, STJ. No que diz respeito aos demais escolhos apontados para o trânsito do recurso especial (Súmulas nº 83 e nº 211, STJ e Súmula nº 284, STF) sequer um parágrafo das razões do agravo foi dedicado a enfrentá-los. Desse modo, a ausência de impugnação adequada dos fundamentos empregados pela Corte de origem para admitir o recurso especial, nos termos do art. 932, inciso III, do
CPC, e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ obsta o conhecimento do agravo, cujo único propósito é demonstrar a inaplicabilidade dos motivos indicados na decisão de inadmissibilidade do recurso por meio de impugnação específica de cada um deles. A propósito: "AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO DEFICIENTE DA DECISÃO DE INADMISSÃO NA ORIGEM. INOBSERVÂNCIA DO COMANDO LEGAL INSERTO NOS ARTS. 932, III, DO CPC/2015 E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. TENTATIVA DE ACRESCER ARGUMENTOS, EM SEDE DE AGRAVO REGIMENTAL, COM VISTAS À IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS TIDOS COMO INATACADOS. INADMISSIBILIDADE, PRECLUSÃO CONSUMATIVA. PLEITO DE CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. DESCABIMENTO.
1. A decisão que inadmite o recurso especial na origem não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, razão pela qual deve ser impugnada na sua integralidade, ou seja, em todos os seus fundamentos (EAREsp n. 831.326/SP, Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 30/11/2018), inclusive, de forma específica, suficiente e pormenorizada (AgRg no AREsp n. 1.234.909/SP, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 2/4/2018).
2. No caso, a defesa do agravante não logrou impugnar, de forma efetiva, a íntegra da decisão de inadmissão na origem. ..
5. Agravo regimental improvido." (AgRg no AREsp n. 2.404.539/CE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 21/9/2023.) Portanto, é o caso de não conhecer do agravo em recurso especial. Todavia, vislumbro hipótese de concessão da ordem de habeas corpus de ofício, nos termos do art. 647-A, caput e parágrafo único, do Código de Processo Penal. De fato, o acórdão recorrido a realizar nova dosimetria da pena do réu, estabeleceu o seguinte (229-230): "De igual modo, ratifico o entendimento do magistrado a quo de que o comportamento da vítima em nada contribuiu para a prática do crime, considerando que a vítima tinha acabado de descer do um ônibus e estava em plena via pública, quando foi surpreendida pelo réu. Ressalto que não comungo com o entendimento de que o comportamento da vítima só pode ser considerado a favor do condenado, ou no máximo neutro. O comportamento da vítima é um dos componentes fundamentais da dosimetria da pena e, nesse contexto, deve ser adequadamente valorado, seja para reduzir a reprimenda quando o ofendido contribuiu para a ocorrência do crime, seja para majorá-la quando ausente essa contribuição. Ignorar essa relevante circunstância, atribuindo a ela sempre a neutralidade quando não haja contribuição da vítima, étornar letra morta a parte final do art. 59 do CP .. Dessa forma, considerando os antecedentes criminais e o
comportamento da vítima como circunstâncias desfavoráveis ao réu, redimensiono a pena-base de 04 (quatro) anos e 03 (três) meses para 06 (seis) anos de reclusão." Constato que a Corte de origem utilizou o comportamento da vítima, que em nada contribuiu para a prática do delito, como vetorial negativa em desfavor do réu, recrudescendo a pena-base que lhe foi imposta pelo juízo singular. Todavia, ao assim proceder, agiu em desconformidade com a jurisprudência desta Corte Superior, segundo a qual, em hipóteses tais, a referida vetorial deve ser avaliada de forma neutra. A propósito: " ..
3. Acerca do comportamento da vítima (art. 59 do CP), "se não restar evidente a interferência da vítima no desdobramento causal, como ocorreu na hipótese em análise, tal circunstância deve ser considerada neutra" (HC n. 544.080/PE, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 11/2/2020, DJe de 14/2/2020).
4. Agravo regimental improvido." (AgRg no AREsp n. 2.429.109/DF, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 27/2/2024, DJe de 4/3/2024.) " ..
3. Em relação ao comportamento da vítima, a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça é no sentido de que esta é uma circunstância judicial ligada à vitimologia, que deve ser necessariamente neutra ou favorável ao réu, sendo descabida sua utilização para incrementar a pena-base. Dessa forma, não restando evidente a interferência da vítima no desdobramento causal, como ocorreu na hipótese em análise, a circunstância deve ser considerada neutra. ..
7. Agravo regimental não conhecido. Habeas corpus concedido para afastar o desvalor do comportamento da vítima da pena-base, redimensionando a pena do acusado MÁRCIO SILVA MAPURUNGA. De ofício, aplica-se o artigo 580 do CPP, para determinar a extensão da presente decisão para o corréu GÉRSON CHAVES ARAGÃO." (AgRg no AREsp n. 2.157.484/CE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 13/9/2022, DJe de 19/9/2022.) Igualmente, constato que, ao reconhecer duas circunstâncias judiciais desfavoráveis ao réu (maus antecedentes e comportamento da vítima), o acórdão recorrido majorou a pena de roubo em 2 (dois) anos de reclusão, destoando, portanto, dos parâmetros usualmente aceitos por esta Corte para a fixação da pena-base, quais sejam: 1/6 sobre a pena mínima ou 1/8 sobre o intervalo entre as penas mínima e máxima abstratamente cominadas ao delito, sem a adoção de motivação idônea a justificar a opção por mais acirrado incremento. Nesse sentido: AgRg no HC n. 972.897/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 10/9/2025, DJEN de 15/9/2025; AgRg no AREsp n. 2.767.646/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/9/2025, DJEN de 10/9/2025. De mais a mais, ao aplicar a atenuante da confissão espontânea, deixou-se de observar a fração de 1/6 de diminuição, usualmente adotada nos casos em que reconhecida tal
circunstância, sem que, no caso concreto, houvesse qualquer motivação que justificasse a adoção de critério mais grave ao réu. Assim, p resente o constrangimento ilegal, passo ao redimensionamento da pena imposta. Na primeira fase da dosimetria, considerando apenas a circunstância judicial negativa dos maus antecedentes, fixo a pena-base em 4 (quatro) anos e 8 (oito ) meses de reclusão, além de 54 (cinquenta e quatro) dias-multa. Reconhecida a atenuante da confissão espontânea, aplico a redução de 1/6, redimensionando a reprimenda para 4 (quatro) anos de reclusão e 10 (dez) dias-multa, que passa a constituir a pena provisória. Ausentes causas de aumento ou de diminuição, torno-a definitiva nesse patamar. Diante tempo de pena fixado e da existência de circunstância judicial desfavorável, estabeleço o regime semiaberto para o início do cumprimento da pena. Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Todavia, concedo a ordem de habeas corpus, de ofício, para redimensionar a pena do agravante para 4 (quatro) anos de reclusão, a ser cumprida em regime inicial semiaberto, bem como em 10 (dez) dias-multa, no mínimo unitário. Publique-se. Intimem-se.
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