Embargosdedeclara O Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dd2f17ccdbf40b17841f4
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- Embargos De Declaração / Decisão De Rejeição Dos Embargos De Declaração (oposição a Decisão Que Indeferiu Liminarmente Habeas Corpus)
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Professional case brief
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01
Holding and result
Rejeitaram-se os embargos de declaração porque não houve omissão: a decisão de origem, confirmada monocraticamente, está fundamentada na jurisprudência desta Corte no sentido de que o monitoramento eletrônico, desacompanhado de recolhimento domiciliar, não constitui efetiva restrição da liberdade de locomoção para fins de detração penal; além disso, a tese alegada não foi debatida no tribunal de origem, sendo inadmissível que os embargos sirvam para rediscutir mérito ou suprimir instância.
Court disposition
Rejeito os embargos de declaração.
Orders
- Rejeito os embargos de declaração.
- Publique-se.
- Intimem-se.
02
Material facts
Parties
PAULO FARUK DE MORAES
EmbarganteMinistério Público
Parte Que Formulou Pedidos De Revogação Do Benefícioassistência da acusação
Parte Que Formulou Pedidos De Revogação Do Benefício03
Procedural history
Posture
Embargos De Declaração / Decisão De Rejeição Dos Embargos De Declaração (oposição a Decisão Que Indeferiu Liminarmente Habeas Corpus)
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Se o período de monitoramento eletrônico, sem recolhimento domiciliar, configura restrição de liberdade de locomoção para fins de detração penal
- 02
Se houve omissão na decisão monocrática quanto à consideração da liberdade assistida do embargante durante monitoração eletrônica
- 03
Se os embargos de declaração são meio adequado para rediscutir matéria já decidida pelo tribunal de origem
Party arguments
- Applicant
- A defesa alega omissão na decisão monocrática por não ter sido analisada a liberdade assistida do embargante durante o período de monitoração eletrônica e sustenta que esse período constitui restrição efetiva da liberdade de locomoção, devendo ser considerado como detração, com base no art. 42 do Código Penal e no art. 8º da Resolução n. 28/2020 do CNJ.
- Respondent
- A decisão embargada concluiu ser incabível a detração do período em monitoração eletrônica quando não imposto recolhimento domiciliar, por inexistir comprometimento do status libertatis, em consonância com jurisprudência do STJ (AgRg no HC n. 968.518/SC). Ademais, a alegada tese não foi debatida pelo Tribunal de origem, de modo que os embargos não podem suprir supressão de instância nem reabrir discussão já examinada.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
art. 619 do Código de Processo Penal; art. 1.022, III, do Código de Processo Civil
Os embargos de declaração cabem para sanar omissão, obscuridade, ambiguidade ou contrariedade, não servindo para rediscutir o mérito do julgado
- 02
Jurisprudência do STJ (AgRg no HC n. 968.518/SC, rel. Min. Messod Azulay Neto) citada no acórdão
O tempo de monitoramento eletrônico, sem recolhimento domiciliar compulsório, não configura restrição à liberdade de locomoção para fins de detração penal
- 03
Precedentes do STJ citados no acórdão (ex.: AgRg no AREsp n. 1.130.386/SP; EDcl no REsp 1.764.230/SP)
O julgador não está obrigado a refutar expressamente todas as alegações das partes quando os fundamentos expendidos sejam suficientes para fundamentar a decisão
- 04
Fundamentação do acórdão e precedentes do STJ citados no corpo da decisão
Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça suprir omissão que implique indevida supressão de instância, nem utilizar embargos de declaração para reabrir debate já apreciado pelo tribunal de origem
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Rejeitaram-se os embargos de declaração porque não houve omissão: a decisão de origem, confirmada monocraticamente, está fundamentada na jurisprudência desta Corte no sentido de que o monitoramento eletrônico, desacompanhado de recolhimento domiciliar, não constitui efetiva restrição da liberdade de locomoção para fins de detração penal; além disso, a tese alegada não foi debatida no tribunal de origem, sendo inadmissível que os embargos sirvam para rediscutir mérito ou suprimir instância.
Obiter and limits
- O intuito do embargante consistiu em rediscutir o conteúdo da decisão, o que é inviável por meio de embargos de declaração
- Citações de precedentes reforçam que embargos não se prestam à revisão do mérito nem ao atendimento de mero inconformismo
Court disposition
Rejeito os embargos de declaração.
- Rejeito os embargos de declaração.
- Publique-se.
- Intimem-se.
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Superior Tribunal de Justiça
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Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por PAULO FARUK DE MORAES, em face de decisão de minha lavra, de fls. 217/221, em que indeferi liminarmente o habeas corpus. No presente recurso (fls. 225/226), a defesa alega a existência de omissão na decisão monocrática, por ter deixado de se pronunciar sobre a liberdade assistida do embargante durante o período de monitoração eletrônica, em razão dos reiterados pedidos de revogação do benefício formulados pelo Ministério Público e pela assistência da acusação, baseados em supostas e não comprovadas violações da tornozeleira eletrônica. Sustenta que o período de fiscalização decorrente da monitoração eletrônica, aliado à aceitação das justificativas apresentadas, resultado de rigorosa vigilância, configura restrição efetiva e delimitada da liberdade de locomoção, devendo ser juridicamente equiparado a tempo de pena efetivamente cumprida e, por isso, detraído do montante final da sanção, nos termos dos arts. 42 do Código Penal e 8º da Resolução n. 28/2020 do Conselho Nacional de Justiça. Requer, assim, o conhecimento e acolhimento dos embargos de declaração para suprir a omissão apontada, com a concessão da ordem de habeas corpus. É o relatório. Decido. Conforme estabelece o art. 619 do Código de Processo Penal - CPP, os embargos de declaração são cabíveis nas hipóteses de correção de omissão, obscuridade, ambiguidade ou
contrariedade no acórdão embargado. Ainda, admitem-se para correção de erro material, conforme art. 1.022, III, do Código de Processo Civil - CPC. Considerando as limitadas hipóteses de cabimento, é possível concluir que os declaratórios não se prestam para reabrir o debate acerca das questões já devidamente analisadas. Na hipótese, a decisão embargada entendeu correta a conclusão emanada pelo Tribunal de origem, no sentido de ser "incabível a detração do período em que o paciente permaneceu em monitoramento eletrônico, uma vez que não foi imposta ao acusado a medida de recolhimento domiciliar noturno e nos dias de folga, de modo que inexistente o comprometimento do seu status libertatis" (fl. 220). Foi assinalado que tal entendimento estava em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, no sentido de que " o tempo de monitoramento eletrônico, sem recolhimento domiciliar compulsório, não configura restrição à liberdade de locomoção para fins de detração penal" (AgRg no HC n. 968.518/SC, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em DJEN de . 12/3/2025, 18/3/2025). Além disso, destaca-se que a alegada tese de que deveria ser considerada para a detração a liberdade assistida do embargante durante o período de monitoração eletrônica, não foi sequer debatida pelo Tribunal de origem, o que impede a análise da questão por esta Corte Superior, sob pena de
indevida supressão de instância. Ressalta-se, ainda, que não se deve olvidar que o julgador não está obrigado a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundamentar o seu decisório, como no caso em epígrafe, em que foi concluído que o período de monitoramento eletrônico, desacompanhado de recolhimento domiciliar, não poderia ser considerado para a detração, ante a ausência de efetiva restrição da liberdade do embargante, nos termos da jurisprudência desta Corte Superior. Nesse sentido, verifica-se que a intenção da parte embargante é meramente rediscutir o conteúdo da decisão proferida, o que é inviável através desta via recursal, a qual não se presta para novo julgamento do mérito do writ. A propósito, confiram-se os seguintes precedentes: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. REITERAÇÃO CONFIGURADA. WRIT ANTERIOR EM QUE DECIDIDA A CONTROVÉRSIA. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. MERO INCONFORMISMO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
1. Inviável o conhecimento do recurso em habeas corpus, na medida em que se cuida de simples reiteração de pedidos. Na decisão proferida no HC n. 626.384/PR indeferi liminarmente o writ diante da inexistência de risco ou ilegalidade ao direito de locomoção dos pacientes que justificasse a concessão da ordem de ofício. Esclareci que o pedido deduzido na impetração - impedir que seja realizado exame de perícia nas interceptações telefônicas pelo do Instituto Nacional de Criminalística (INC) na ação penal nº 5062286-04.2015.4.04.7000/PR -, é procedimento que não se coaduna com a finalidade do remédio heroico. Com efeito, inexistindo qualquer constrangimento direto e concreto ao direito de ir e vir dos pacientes, incabível a utilização do habeas corpus para finalidades outras, notadamente quando se pretende modificar decisões em questões processuais e que não são dizem respeito ao direito de locomoção.
2. No caso, os embargantes pretendem a modificação do provimento anterior, com a rediscussão da questão, o que não se coaduna com a medida integrativa. Outrossim, como cediço, o julgador não está obrigado a refutar todos os argumentos invocados pelas partes, bastando que os fundamentos expendidos sejam suficientes para embasar a decisão. (EDcl nos EDcl no AgRg no RHC 137.734/PR, de minha relatoria, QUINTA TURMA, DJe 11/3/2022.) PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. ABSOLVIÇÃO. NECESSÁRIO REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA DO ART. 33, § 4º, DA LEI N. 11.343/2006. INAPLICABILIDADE. RÉ QUE SE DEDICA A ATIVIDADE CRIMINOSA. ALTERAÇÃO DESSE ENTENDIMENTO. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. REGIME PRISIONAL MAIS GRAVOSO (FECHADO). QUANTIDADE DO ENTORPECENTE. MODO ADEQUADO. PRISÃO DOMICILIAR. PLEITO ANALISADO NO HC 447.830/SP. REITERAÇÃO DE PEDIDO. ALEGADA OMISSÃO E CONTRARIEDADE NO JULGADO COLEGIADO. NÃO OCORRÊNCIA. MERO INCONFORMISMO DA PARTE. ANÁLISE EXPRESSA DE TODAS AS TESES DEFENSIVAS. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. NÃO OBRIGATORIEDADE. EMBARGOS REJEITADOS.
1. Nos termos do art. 619 do Código de Processo Penal, os embargos de declaração, como recurso de correção, destinam-se a suprir omissão, contradição e ambiguidade ou obscuridade existente no julgado. Não se prestam, portanto, para sua revisão no caso de mero inconformismo da parte.
2. Segundo Jurisprudência desta Corte Superior, "o julgador não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas" (AgRg no AREsp n. 1.130.386/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 8/11/2017).
3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1.764.230/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, DJe 6/3/2019.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME. PERCENTUAL. NOVA REDAÇÃO DO ART. 112 DA LEP. REINCIDÊNCIA SIMPLES. INTEGRAÇÃO DA NORMA PELA ANALOGIA IN BONAM PARTEM. APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE 40%. PRECEDENTES. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS A SEREM SANADOS.
1. Nos limites estabelecidos pelo art. 619 do Código de Processo Penal, os embargos de declaração destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou ambiguidade eventualmente existentes no julgado combatido.
2. O acórdão embargado foi claro em asseverara aplicação, com o uso da analogia in bonam partem, do contido no inciso V do referido artigo da Lei de Execução Penal à hipótese, exigindo-se o cumprimento de 40% da pena para a progressão de regime, caso não cometida falta grave, pois se trata de reincidente não específico.
3. Esta Corte Superior de Justiça consolidou jurisprudência de que a contradição ou a obscuridade não implicam que o Tribunal deva acolher a tese apresentada pelo recorrente: o fato de a solução adotada pelo Tribunal não ser a que satisfaça o recorrente em nada invalida a decisão atacada (EDcl no REsp n. 1.359.810/RJ, Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 19/12/2017). 4. .. A existência de precedente favorável à alegação do embargante não gera contradição no acórdão, constituindo dado externo, e o vício se materializa com a análise das questões internas consignados no corpo da decisão (EDcl no AgR (EDcl no AgRg no HC n. 548.222/RS, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 15/05/2020 - grifo nosso).
5. Resolvidas as questões com fundamentação satisfatória, caso a parte não se conforme com as razões declinadas ou considere a existência de algum equívoco ou erro de julgamento, não são os embargos, que possuem função processual limitada, a via própria para impugnar o julgado ou rediscutir a causa. De fato, "os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição, omissão ou erro material (CPC/2015, art. 1.022), de modo que é inadmissível a sua oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas no acórdão embargado, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide" (EDcl nos EDcl no AgInt nos EDcl no AREsp 1076319/MG, Rel. Ministro Lázaro Guimarães, DJe 22/08/2018).
6. A motivação apresentada no acórdão embargado se mostra suficiente para respaldar as conclusões ali lançadas, não sendo necessária a incursão na seara constitucional. Dessa forma, o pedido do embargante desborda da missão constitucional do Superior Tribunal de Justiça, que tem competência para análise de matéria infraconstitucional, não estando obrigado a se manifestar sobre tema constitucional, ainda que para fins de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência reservada pela Carta Magna ao Supremo Tribunal Federal (EDcl no AgRg no HC n. 618.406/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 17/12/2020).
7. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg no HC 624.130/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, DJe 16/4/2021.) Ante o exposto, com fulcro no art. 264, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, rejeito os embargos de declaração. Publique-se. Intimem-se.
EMENTA
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