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Superior Tribunal de Justiça

Indisponibilidadedebens Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3d8a7d7ccdbf40b14f5ed5

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01

Holding and result

Em razão da afetação, ao Superior Tribunal de Justiça, do recurso representativo de controvérsia (Recurso Especial 1.862.792/PR, Tema 1.055) acerca da inclusão da multa civil na indisponibilidade de bens, determinou-se a devolução do feito ao Tribunal de origem e a baixa no STJ, para que, após publicação do acórdão representativo, o recurso tenha seguimento negado se o acórdão recorrido se harmonizar com a orientação do STJ ou seja novamente examinado pelo Tribunal de origem se divergir do entendimento firmado pelo STJ.

Court disposition

Devolução do feito ao Tribunal de origem com baixa no Superior Tribunal de Justiça, para que, após publicação do acórdão representativo da controvérsia (Tema 1.055), o recurso especial tenha seguimento negado caso o acórdão recorrido se harmonize com a orientação do STJ ou seja reexaminado pelo Tribunal de origem caso divergir.

Orders

  • Determino a devolução do presente feito ao Tribunal de origem, com a devida baixa nesta Corte.
  • Após a publicação do acórdão representativo da controvérsia, o presente recurso: (a) terá seguimento negado caso o acórdão recorrido se harmonize com a orientação proferida pelo STJ; ou (b) será submetido a novo exame pelo Tribunal de origem caso o acórdão recorrido divirja do entendimento firmado no STJ.

02

Material facts

Parties

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

Recorrente

03

Procedural history

  1. Posture

    Recurso Especial / Devolução Ao Tribunal De Origem

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
O Ministério Público Federal sustenta que a decretação de indisponibilidade de bens deve incidir sobre todos os bens necessários ao ressarcimento integral do dano, incluindo o potencial valor da multa civil, e que não deve haver divisão em quotas partes, ao menos até a instrução final do feito.
Respondent
O acórdão do Tribunal de origem entendeu presentes indícios de improbidade e autorizou a indisponibilidade com fundamento no art. 7º da Lei 8.429/1992, sem necessidade de prova de dilapidação patrimonial, mas limitou a constrição para resguardar contas com valores inferiores a parâmetros previstos no art. 833, IV e X do CPC/2015 e determinou que a indisponibilidade recaísse de forma equitativa entre os requeridos.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Lei 8.429/1992; STJ, AgInt no AREsp 1118126/MG

    O periculum in mora está implícito no art. 7º da Lei 8.429/1992, autorizando indisponibilidade de bens diante de fortes indícios de prática de ato de improbidade administrativa

  2. 02

    Código de Processo Civil de 2015, art. 833, IV e X e § 2º

    A constrição não pode incidir sobre contas correntes com valores inferiores a 50 salários mínimos nem sobre contas de poupança com valores inferiores a 40 salários mínimos, conforme art. 833, IV e X e § 2º do CPC/2015, para resguardar a manutenção e o sustento da parte e sua família

  3. 03

    CPC/2015, arts. 1.036 e 1.040; art. 543-C do CPC/73; Resolução 8/2008 da Presidência do STJ

    Quando recurso especial é admitido como representativo da controvérsia, os recursos idênticos devem ser suspensos até o pronunciamento desta Corte, cabendo devolução ao Tribunal de origem para novo exame caso o acórdão recorrido divergir do entendimento do STJ

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Em razão da afetação, ao Superior Tribunal de Justiça, do recurso representativo de controvérsia (Recurso Especial 1.862.792/PR, Tema 1.055) acerca da inclusão da multa civil na indisponibilidade de bens, determinou-se a devolução do feito ao Tribunal de origem e a baixa no STJ, para que, após publicação do acórdão representativo, o recurso tenha seguimento negado se o acórdão recorrido se harmonizar com a orientação do STJ ou seja novamente examinado pelo Tribunal de origem se divergir do entendimento firmado pelo STJ.

Obiter and limits

  • "O periculum in mora está implícito no art. 7º da Lei n. 8.429/1992" (STJ. AgInt no AREsp 1118126/MG)
  • "Embora a responsabilidade seja solidária, não quer dizer que a indisponibilidade deve corresponder à quantia integral para cada um dos requeridos. Haveria desproporcionalidade... O valor total deverá ser dividido equitativamente" (TRF1. AG 0003112-16.2017.4.01.0000)
  • A decisão ressaltou a possibilidade de suspensão de recursos idênticos por afetação do recurso representativo de controvérsia, em observância aos arts. 1.036 e 1.040 do CPC/2015 e à Resolução 8/2008 do STJ

Court disposition

Devolução do feito ao Tribunal de origem com baixa no Superior Tribunal de Justiça, para que, após publicação do acórdão representativo da controvérsia (Tema 1.055), o recurso especial tenha seguimento negado caso o acórdão recorrido se harmonize com a orientação do STJ ou seja reexaminado pelo Tribunal de origem caso divergir.

  • Determino a devolução do presente feito ao Tribunal de origem, com a devida baixa nesta Corte.
  • Após a publicação do acórdão representativo da controvérsia, o presente recurso: (a) terá seguimento negado caso o acórdão recorrido se harmonize com a orientação proferida pelo STJ; ou (b) será submetido a novo exame pelo Tribunal de origem caso o acórdão recorrido divirja do entendimento firmado no STJ.

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DECISÃO Trata-se de Recurso Especial, interposto por MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL,contra acórdão doTribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado: "PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO CIVIL POR ATO DEIMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. INDISPONIBILIDADE DE BENS. ART. 7º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI8.429/1992. PRESENÇA DOS REQUISITOS PARA DECRETAÇÃO DA MEDIDA CONSTRITIVA. COMPROVAÇÃO DE DILAPIDAÇÃO PATRIMONIAL E INDIVIDUALIZAÇÃO DOS BENS. DESNECESSIDADE. LIMITAÇÃO DA CONSTRIÇÃO. ART. 833, IV E X, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. PRECEDENTES DO STJ E DESTA CORTE. RECURSO PROVIDO.1. Os indícios da improbidade estão demonstrados, bem como da autoria, além do valor estimado relativamente ao dano, em relação ao qual demonstrada a responsabilidade da parte requerida, ora agravante. Afigura-se inequívoca a necessidade de se assegurar o resultado útil da ação de improbidade. Aplicação do art. 7º, "caput" e parágrafo único, da Lei 8.429/92. 2. "Esta Corte Superior, no julgamento do Recurso Especial Repetitivo n. 1.366.721/BA, firmou entendimento deque o periculum in mora está implícito no art. 7º da Lei n. 8.429/1992. Assim, a indisponibilidade dos bens é cabível quando o julgador entende presentes fortes indícios de responsabilidade na prática de ato de improbidade administrativa que causem dano ao erário. Dessa forma, o periculum in mora, em verdade, milita em favor da sociedade"(STJ. AgInt no AREsp 1118126/MG, Segunda Turma, Rel. Min. OG Fernandes, DJe de16/02/2018).

3. No caso vertente, há indícios de que o requerido, ora agravado, tenha violado princípios basilares da Administração Pública, tais como a publicidade, a legalidade, a moralidade e a impessoalidade, o que aponta para a possível prática de atos de ímprobo.

4. Este TRF da 1ª. Região, alinhado com a jurisprudência do STJ, tem decidido que para se determinar o exame do pedido de indisponibilidade de bens, em face da presença de fundados indícios da prática de atos de improbidade, não se faz necessária a prova de dilapidação patrimonial ou de sua iminência.

5. Em consonância com o posicionamento jurisprudencial adotado por esta Corte, a constrição não pode incidir sobre contas correntes com valores inferiores a 50 (cinqüenta) salários mínimos ou de contas de poupança com valores inferiores a 40 (quarenta) salários mínimos, a teor do art. 833, IV e X e § 2º, do Código de Processo Civil de 2015, sob pena de inviabilizar a manutenção e o sustento da parte requerida e de sua família. 6. "Embora a responsabilidade seja solidária, não quer dizer que a indisponibilidade deve corresponder à quantia integral para cada um dos requeridos. Haveria desproporcionalidade com a garantia de cifras muito superior ao suposto dano. O valor total deverá ser dividido equitativamente" (TRF1. AG 0003112- 16.2017.4.01.0000, Des. Federal Hilton Queiroz, e-DJF1 de 12/03/2019).

7. Agravo de instrumento parcialmente provido, para determinar que a indisponibilidade de bens recaia de forma equitativa para cada um dos requeridos, dentre eles a ora agravante, bem como para afastar a indisponibilidade sobre suas contas correntes com valores inferiores a 50 (cinqüenta) salários mínimos e contas de poupança com valores inferiores a 40 (quarenta) salários mínimos"(fls. 330/331e). A parte recorrente pretende, em síntese, quea decretação de indisponibilidade de bens incidasobre todos osbens necessários ao ressarcimento integral do dano, levando-se em consideração, também, o potencial valor da multa civil e, também, não deve haver divisão em quotas partes, pelo menos até a instrução final do feito. Ocorre que a controvérsiarelativa a "definir se é possível - ou não - a inclusão do valor de eventual multa civil na medida de indisponibilidade de bens decretada na ação de improbidade administrativa, inclusive naquelas demandas ajuizadas com esteio na alegada prática de conduta prevista no art. 11 da Lei 8.429/1992, tipificador da ofensa aos princípios nucleares administrativos" foi afetada, nesta Corte, para julgamento segundo o rito dos recursos representativos de controvérsia, previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015,no Recurso Especial 1.862.792/PR, Tema 1.055, de relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Como cediço, a afetação de Recurso Especial

como representativo da controvérsia demanda à Corte de origem a suspensão de recursos interpostos que abordem idêntica questão, até o julgamento definitivo da matéria. Após o pronunciamento desta Corte, os recursos suspensos devem ser analisados na forma anteriormente prevista nos §§ 7º e 8º do art. 543-C do CPC/73 (art. 5º, III, da Resolução 8/2008 da Presidência do STJ) - atualmente estabelecida no art. 1.040 do CPC/2015. Neste sentido: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL INTERPOSTO EM FACE DE DECISÃO QUE DETERMINOU A DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA, NO QUAL SE DISCUTE QUESTÃO IDÊNTICA. PROVIDÊNCIA QUE NÃO ENSEJA PREJUÍZO A NENHUMA DAS PARTES. NECESSIDADE DE SE OBSERVAR OS OBJETIVOS DA LEI 11.672/2008.

1. O Código de Processo Civil admite a interposição de agravo regimental apenas quando o Relator trata sobre a viabilidade ou não do recurso (nega seguimento ou dá provimento ao recurso), conforme se depreende do art. 557 do CPC. No caso concreto, considerando que a decisão ora agravada não tratou sobre a viabilidade ou não do recurso especial, é manifestamente inadmissível a interposição de agravo regimental em face do julgado, sobretudo porque a determinação em comento não enseja prejuízo para as partes.

2. Em relação ao alegado prejuízo, é manifesta a sua não ocorrência, não obstante os esforços da agravante. Isso porque a decisão que determina a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que, após publicado o acórdão relativo ao recurso representativo da controvérsia (atualmente pendente de julgamento), o recurso especial (objeto do agravo) seja apreciado na forma do art. 543-C, § 7º, do CPC 1) tenha seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; (ou) 2) seja novamente examinado pelo Tribunal de origem, na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça não tem aptidão para gerar nenhum prejuízo ao recorrente. Ressalte-se que "tem a parte interesse e legitimidade de recorrer somente quando a decisão agravada lhe causar prejuízo ou lhe propiciar situação menos favorável, pois só recorre quem sucumbe" (AgRg na Rcl 1.568/RR, Corte Especial, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJ de 1º.7.2005).

3. Ademais, se o Ministro Relator admite o recurso especial como representativo da controvérsia e determina a suspensão dos demais recursos (como ocorre no caso dos autos), comunicando a decisão aos Tribunais de segundo grau, não se revela adequado que seja admitido ou inadmitido recurso especial no qual se discuta questão idêntica, antes do pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça (art. 543-C, §§ 1º e 2º, c/c o art. 2º da Resolução 8/2008 do STJ).

4. Além disso, em razão das modificações inseridas no Código de Processo Civil pelas Leis 11.418/2006 e 11.672/2008 (que incluíram os arts. 543-B e 543-C, respectivamente), não há óbice para que o Relator, levando em consideração razões de economia processual, aprecie o recurso especial apenas quando exaurida a competência das instâncias ordinárias. Nesse contexto, se há nos autos recurso extraordinário sobrestado em razão do reconhecimento de repercussão geral no âmbito do STF e/ou recurso especial cuja questão central esteja pendente de julgamento em recurso representativo da controvérsia no âmbito desta Corte (caso dos autos), é possível ao Relator determinar que o recurso especial seja apreciado apenas após exercido o juízo de retratação ou declarado prejudicado o recurso extraordinário, na forma do art. 543-B, § 3º, do CPC, e/ou após cumprido o disposto no art. 543-C, § 7º, do CPC. É oportuno registrar que providência similar é adotada no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

5. Entendimento em sentido contrário para que a suspensão ocorra sempre no âmbito do Superior Tribunal de Justiça implica esvaziar um dos objetivos da Lei 11.672/2008, qual seja, "criar mecanismo que amenize o problema representado pelo excesso de demanda" deste Tribunal. Assim, deve ser "dada oportunidade de retratação aos Tribunais de origem, devendo ser retomado o trâmite do recurso, caso a decisão recorrida seja mantida", sendo que tal solução "inspira-se no procedimento previsto na Lei nº 11.418/06 que criou mecanismo simplificando o julgamento de recursos múltiplos, fundados em idêntica matéria, no Supremo Tribunal Federal", conforme constou expressamente das justificativas do respectivo Projeto de Lei (PL 1.213/2007).

6. Agravo regimental não conhecido" (STJ, AgRg no AREsp 153.829/PI, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 23/05/2012). Ante o exposto, determino a devolução do presente feito ao Tribunal de origem, com a devida baixa nesta Corte, para que, após a publicação do acórdão representativo da controvérsia, nos termos do art. 1.040 do CPC/2015, o presente recurso: (a) tenha seguimento negado caso o acórdão recorrido se harmonize com a orientação proferida pelo Superior Tribunal de Justiça; ou (b) tenha novo exame pelo Tribunal de origem, caso o acórdão recorrido divirja do entendimento firmado no Superior Tribunal de Justiça. I.

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

Recurso Especial Repetitivo n. 1.366.721/BA

Case cited

AgInt no AREsp 1118126/MG (STJ)

Case cited

AREsp 1118126/MG

Case cited

Recurso Especial 1.862.792/PR, Tema 1.055

Case cited

STJ, AgRg no AREsp 153.829/PI

Case cited

TRF1. AG 0003112-16.2017.4.01.0000

Case cited

Lei 8.429/1992

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

CPC/2015 (arts. 1.036 e 1.040)

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código de Processo Civil de 2015, art. 833, IV e X e § 2º

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 543-C do CPC/73

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Resolução 8/2008 da Presidência do STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Leis 11.418/2006 e 11.672/2008

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 543-B e 543-C do CPC

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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