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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial em razão da deficiência de fundamentação deste quanto aos fundamentos específicos do aresto recorrido, nos termos da Súmula n. 284/STF; majoraram-se os honorários advocatícios em 15% nos termos do art. 85, §11, do CPC.

Court disposition

Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.

Orders

  • Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
  • Publique-se. Intimem-se.

02

Material facts

Parties

BR MALLS PARTICIPACOES S.A. e OUTROS

Agravante/recorrente

Consórcio Ilha Plaza

1º Apelado/recorrido

Amounts and remedies

  • Percentual De Majoração Dos Honorários: % 15

03

Procedural history

  1. Posture

    Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
As recorrentes alegam que tentaram por diversas vezes receber as chaves mediante envio de termo de entrega e distrato por e-mail, documentos não assinados pela autora/recorrida em razão de resistência quanto à ressalva de débitos; sustentam violação do art. 485, VI, do CPC por reconhecer ausência de interesse de agir para a ação consignatória de chaves e pedem reforma da sentença que extinguiu o processo sem resolução do mérito.
Respondent
O acórdão do Tribunal de Justiça entendeu que, ainda que não houvesse assinatura do termo de entrega de chaves, havia outro pedido na inicial (declaração de extinção da relação contratual em 29/03/2019) que conferia interesse à parte autora, pois esta ocupa o polo passivo de execução pelos aluguéis de abril a junho de 2019; no STJ, concluiu-se que as razões do recurso especial não impugnaram especificamente os fundamentos do aresto recorrido, atraindo a aplicação da Súmula n. 284/STF e tornando o recurso especial inadmissível.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Tribunal de origem e precedentes do STJ citados no acórdão

    Teoria da asserção (análise do interesse de agir in statu assertionis)

  2. 02

    Código de Processo Civil

    Art. 485, VI, do Código de Processo Civil (extinção do processo sem resolução do mérito por ausência de interesse de agir)

  3. 03

    Supremo Tribunal Federal

    Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal (inadmissibilidade por deficiência de fundamentação)

  4. 04

    Constituição Federal/88

    Art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal de 1988 (cabimento do recurso especial)

  5. 05

    Regimento Interno do STJ

    Art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça (faculdade para decidir sobre admissibilidade)

  6. 06

    Código de Processo Civil

    Art. 85, § 11, do Código de Processo Civil (majoração de honorários sucumbenciais em grau recursal)

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial em razão da deficiência de fundamentação deste quanto aos fundamentos específicos do aresto recorrido, nos termos da Súmula n. 284/STF; majoraram-se os honorários advocatícios em 15% nos termos do art. 85, §11, do CPC.

Obiter and limits

  • Cita precedentes do STJ acerca da aplicação da Súmula n. 284/STF (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE; AgInt no REsp n. 1.811.491/SP; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR; AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC).
  • Observação de que o acórdão do Tribunal de origem entendeu existir vício por error in judicando na sentença de primeiro grau quanto à apreciação de pedido constante da inicial.

Court disposition

Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.

  • Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
  • Publique-se. Intimem-se.

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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por BR MALLS PARTICIPACOES S.A. e OUTROS contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA C/C CONSIGNATÓRIA DE CHAVES. PROCESSUAL CIVIL. LOCAÇÃO COMERCIAL DE QUIOSQUE EM SHOPPING CENTER. SENTENÇA TERMINATIVA, JULGANDO EXTINTO O PROCESSO, SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO, POR AUSÊNCIA DE INTERESSE (ART. 485, VI, DO CPC). IRRESIGNAÇÃO AUTORAL. INTERESSE DE AGIR. TEORIA DA ASSERÇÃO. UTILIDADE, NECESSIDADE E ADEQUAÇÃO DA JURISDIÇÃO CONSIDERADAS IN STATU ASSERTIONIS. PRECEDENTE DO INSIGNE SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PETIÇÃO INICIAL NA QUAL FORMULADOS PEDIDOS TANTO DE CONSIGNAÇÃO JUDICIAL DE CHAVES, QUANTO DE DECLARAÇÃO DE ENCERRAMENTO DA RELAÇÃO TRAVADA ENTRE AS PARTES, COM OS ESPERADOS FINS LIBERATÓRIOS DESDE 29/03/2019, DE MODO A NÃO PERMITIR A CONTINUIDADE DA COBRANÇA DE ALUGUERES E DEMAIS ENCARGOS LOCATÍCIOS. SENTENCIANTE QUE NÃO APRECIOU O SEGUNDO PLEITO. DEMANDANTE QUE POSSUI INEGÁVEL INTERESSE QUANTO AO TEMA, NA MEDIDA EM QUE JÁ OCUPA POLO PASSIVO DE LIDE EXECUTIVA INSTAURADA PELO 1º RÉU PARA RECEBIMENTO DAS QUANTIAS RELATIVAS AOS MESES DE ABRIL A JUNHO DE 2019, OU SEJA, POSTERIORMENTE À DATA NA QUAL SUPOSTAMENTE ENCERRADA A

LOCAÇÃO. ERROR IN JUDICANDO. CAUSA QUE NÃO SE AFIGURA MADURA PARA JULGAMENTO DO MÉRITO. NECESSIDADE DE RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PARA PROSSEGUIMENTO DO FEITO, COM A RETOMADA DA FASE INSTRUTÓRIA PREMATURAMENTE INTERROMPIDA PELO JUÍZO A QUO. CONHECIMENTO E PROVIMENTO DO RECURSO. Alega violação do art. 485, VI, do CPC, no que concerne ao reconhecimento da ausência de interesse de agir da recorrida para a ação consignatória de chaves, trazendo os seguintes argumentos: Frisa-se que, ao contrário do alegado, as recorrentes tentaram de todas as formas receber as chaves do imóvel junto à autora. Conforme salientado pela própria demandante, o shopping locador enviou vários e-mails com o termo de entrega de chaves e com instrumento de distrato (fls. 40 e 41/42), porém, tais documentos jamais foram assinados pela recorrida. Importante consignar que na própria documentação apresentada pela recorrida, resta incontestável que os prepostos dos recorrente sempre buscaram formalizar a rescisão contratual, embora a recorrida tenha alterado unilateralmente os termos enviados, conforme se verifica do e-mail apresentado às fls. 43/48. Ou seja, os documentos não foram assinados pelo fato de a recorrida não aceitar que as locadoras ressalvassem a existência de débitos referente ao contrato de locação celebrado, ou seja, aos valores em aberto referentes aos alugueis e encargos locatícios. Ressalta-se

que bastaria que a recorrida assinasse o termo de entrega de chaves que foi enviado diversas vezes por e-mail, que as recorrentes já teriam recebido as chaves do imóvel e esta demanda não teria sido intentada. Como se vê, portanto, a recorrida não tem QUALQUER interesse de agir para propor a presente ação, na medida em que, não se verifica a indispensável necessidade para intentar com a ação consignatória de chaves (fl. 420). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, o acórdão recorrido assim decidiu: Fixadas tais premissas, forçoso reconhecer o equívoco do Magistrado a quo ao considerar que a suposta ausência de negativa defensiva ao recebimento das chaves retiraria da Demandante o interesse em deflagrar a demanda em espeque. Isso porque, ainda que se considerasse, tão somente a partir da narrativa tecida na peça inaugural, que a Requerida não recusou o recebimento das aludidas chaves - a despeito da controvérsia instaurada entre as partes e indicada nos e-mails de fls. 34/39 (IE n os 000034/000039) e na falta de assinatura autoral no "Termo de Entrega de Chaves" de fl. 40 (IE nº 000040) -, ainda restava ao sentenciante a apreciação do outro pedido ventilado na inicial, qual seja, de declaração de extinção da relação inter partes em 29/03/2019. Insta salientar, no ponto, que o pleito em testilha reveste-se de inegável interesse para a Requerente, que ocupa o polo

passivo de Execução de Título Executivo Extrajudicial (proc. nº 0009208-03.2019.8.19.0207) aforada pelo 1º Apelado (Consórcio Ilha Plaza) com vistas ao recebimento de alugueres e demais encargos locatícios dos meses de abril, maio e junho de 2019, ou seja, posteriormente à data na qual supostamente encerrada a locação. Evidente, pois, o vício intrínseco à sentença por error in judicando, em virtude da utilização de premissa inverídica como fundamento exclusivo da decisão proferida (fls. 362-363). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes

julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE

Case cited

AgInt no REsp n. 1.811.491/SP

Case cited

AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP

Case cited

AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR

Case cited

AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC

Case cited

art. 105, inciso III, alínea "a", da CF/88

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 485, VI, do CPC

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 85, § 11, do Código de Processo Civil

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula n. 284/STF

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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