Resp 2262509 Decisao 2026
- Status
- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Recurso Especial Em Agravo De Instrumento Em Execução Individual Decorrente De Ação Coletiva / Decisão Monocrática No STJ Não Conhecendo Do Recurso Especial
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- Posture
- Recurso Especial Em Agravo De Instrumento Em Execução Individual Decorrente De Ação Coletiva / Decisão Monocrática No STJ Não Conhecendo Do Recurso Especial
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Professional case brief
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01
Holding and result
O recurso especial não foi conhecido porque a controvérsia exigiria, além do exame de questão constitucional vedado na via eleita, o enfrentamento de fundamento autônomo do acórdão recorrido não impugnado pelo recorrente, qual seja, o distinguishing quanto ao Tema 1311/STJ, a necessidade de prévio apostilamento e o acordo de 06/07/2022; além disso, a revisão da conclusão de inexistência de prescrição demandaria reexame fático-probatório, incidindo a Súmula 7/STJ. Em reforço, a suspensão da Lei 14.010/2020 não alteraria o resultado.
Court disposition
recurso especial não conhecido
Orders
- Intimem-se.
02
Material facts
Parties
MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
RecorrenteAmounts and remedies
- Data Do Trânsito Em Julgado Do Processo De Conhecimento: 20,190,326
- Data De Encerramento Da Fase De Obrigação De Fazer: 20,220,706
- Data De Ajuizamento Do Cumprimento De Sentença: 20,250,409
03
Procedural history
Posture
Recurso Especial Em Agravo De Instrumento Em Execução Individual Decorrente De Ação Coletiva / Decisão Monocrática No STJ Não Conhecendo Do Recurso Especial
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Definir o termo inicial do prazo prescricional para execução individual de sentença coletiva contra a Fazenda Pública
- 02
Verificar se a Lei 14.010/2020 se aplica às relações de direito público
- 03
Examinar a possibilidade de distinguishing em relação aos Temas 877 e 1311/STJ
- 04
Aferir se o reexame da conclusão sobre a inexistência de prescrição demandaria reexame de prova
- 05
Verificar a existência de fundamento autônomo não impugnado no acórdão recorrido
Party arguments
- Applicant
- Sustentou violação dos arts. 1º do Decreto 20.910/1932, 1º da Lei 14.010/2020, 4º da LINDB e de dispositivos constitucionais; alegou prescrição quinquenal a contar do trânsito em julgado da sentença coletiva; defendeu autonomia entre as obrigações de fazer e pagar; afirmou que a Lei 14.010/2020 não se aplica ao direito público; e invocou os Temas 877, 880 e 1311 do STJ.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
art. 102, III, a, da Constituição Federal
Não cabe ao STJ, em recurso especial, analisar suposta violação a dispositivos constitucionais.
- 02
Súmula 283/STF
A ausência de impugnação de fundamento autônomo e suficiente do acórdão recorrido atrai óbice de admissibilidade por analogia à Súmula 283/STF.
- 03
Súmula 7/STJ
É inviável o reexame de matéria fático-probatória em recurso especial.
- 04
Lei 14.010/2020
A suspensão prevista na Lei 14.010/2020 ocorreu entre 12/6/2020 e 30/10/2020.
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a controvérsia exigiria, além do exame de questão constitucional vedado na via eleita, o enfrentamento de fundamento autônomo do acórdão recorrido não impugnado pelo recorrente, qual seja, o distinguishing quanto ao Tema 1311/STJ, a necessidade de prévio apostilamento e o acordo de 06/07/2022; além disso, a revisão da conclusão de inexistência de prescrição demandaria reexame fático-probatório, incidindo a Súmula 7/STJ. Em reforço, a suspensão da Lei 14.010/2020 não alteraria o resultado.
Obiter and limits
- O término da fase de obrigação de fazer foi informado nos autos do cumprimento de sentença coletivo em 06/07/2022.
- Sem condenação em honorários advocatícios recursais, pois no agravo de instrumento originário não houve fixação de honorários sucumbenciais.
Court disposition
recurso especial não conhecido
- Intimem-se.
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
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Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Em análise, recurso especial interposto pelo MUNICÍPIO DE SÃO PAULO contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO EXECUÇÃO INDIVIDUAL EM AÇÃO COLETIVA AJUIZADA PELO SINDSEP SOB O Nº 0402415-05.1995.8.26.0053 SERVIDORES QUE PLEITEIAM O CUMPRIMENTO INTEGRAL DA OBRIGAÇÃO DE FAZER PRESCRIÇÃO NÃO OCORRÊNCIA Exceção de pré-executividade fazendária em que se alega prescrição da execução - Nos termos da Súmula 150 do STF a execução prescreve no mesmo prazo da prescrição da ação - Aplicação do prazo prescricional quinquenal previsto no artigo 1º do Decreto n. 20.910/1932 - Termo inicial - Trânsito em julgado do processo de conhecimento em 26/03/2019 - Por outro lado a Lei Federal nº 14.010/2020 que instituiu o Regime Jurídico Emergencial aplicável às relações jurídicas de Direito Privado deve, também, alcançar as relações jurídicas de Direito Público sob pena de ofensa ao princípio da isonomia - Precedentes desta E. Corte de Justiça - Necessidade de cumprimento integral da obrigação de fazer, com o apostilamento do direito reconhecido no título executivo para início da obrigação de pagar Informação nos autos do cumprimento de sentença coletivo de nº 1061962-81.2019.8.26.0053, proposto pelo Sindicato de que em 06/07/2022 ocorreu o encerramento da fase de obrigação de fazer - Agravados beneficiados pelo título ingressaram com o
cumprimento buscando saldar os atrasados que não foram pagos dentro do prazo legal - Afastamento da alegação de ocorrência de prescrição Inaplicabilidade do Tema 1.311, do C. STJ ao presente caso - Decisão mantida Recurso não provido (fl. 58). Nas razões do recurso especial interposto com fulcro no art. 105, III, a, da Constituição Federal, a parte recorrente aponta violação dos arts. 1º do Decreto 20.910/1932; 1º da Lei 14.010/2020; 4º da LINDB; 2º, 60, § 4º, III, e 97 da Constituição da República, sustentado, em síntese, prescrição quinquenal da pretensão executória com termo inicial no trânsito em julgado da sentença coletiva e autonomia entre as obrigações de fazer e pagar, bem como aplicação das teses fixadas no âmbito dos Temas 877, 880 e 1311 do STJ. Argumenta que a Lei 14.010/2020 não se aplica às relações de direito público. Defende, ainda, que ocorreu violação à separação de poderes, uma vez que, ao criar uma causa suspensiva do prazo prescricional não prevista em lei, o TJSP "legislou em matéria de direito material, invadindo competência do Legislativo" (fl. 85). Contrarrazões não apresentadas. É o relatório. Passo a decidir. Inicialmente, não cabe ao STJ, em recurso especial, analisar suposta violação a dispositivos constitucionais, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, a, da Constituição Federal. Em
relação à legislação federal indicada por violada, a questão jurídica contovertida dos autos consiste na definição, in casu, do termo inicial do prazo prescricional para a proposição de execução individual de sentença proferida em ação coletiva (Mandado de Segurança Coletivo 040241505.1995.8.26.0053, impetrado pelo Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo SINDSEP) contra a Fazenda Pública, e da possibilidade de realização de distinguishing em relação aos temas 811 e 1311/STJ, nos termos realizados pelo TJSP. Confira-se a redação dos temas que foram afastados pelo TJSP: a) Tema 877/STJ "o prazo prescricional para a execução individual é contado do trânsito em julgado da sentença coletiva, sendo desnecessária a providência de que trata a Lei 8.078/90 (CDC)"; e b) Tema 1311/STJ "o curso do prazo prescricional da obrigação de pagar quantia certa pela Fazenda Pública não é suspenso durante o cumprimento da obrigação de implantar em folha de pagamento imposta na mesma sentença". O acórdão proferido adotou a seguinte fundamentação (fls. 70 -71): In casu, porém, conforme se verifica no acordo firmado entre as partes nos autos do cumprimento de sentença coletivo nº 1061962-81.2019.8.26.0053 e acima destacado, ficou demonstrado que as partes, naquela data (06/07/2022), informaram ao juízo o encerramento da fase de obrigação de fazer, concordaram, inclusive, pela aplicabilidade
dos critérios de juros e correção monetária consolidadas no julgamento do Tema 905 do C. STJ, sendo que as planilhas com os valores atualizados haviam sido produzidas e fornecidas para a d. patrona do Sindicato para conferência. Por fim, informaram que, diante do volume de informação, não seria possível o encerramento da liquidação, com a apresentação dos valores finais para homologação. Assim, não prospera o argumento de que a demanda poderia ter sido aforada até 26/03/2024, data do decurso de prazo, referente ao quinquídio legal do trânsito em julgado do mandado de segurança coletivo, porquanto, como sabido, somente a partir da concretização do ato de apostilamento é possível definir e liquidar as parcelas devidas, fixando-se a partir de então o termo a quo do pedido de conversão do direito em pecúnia. Por certo, não seria possível dar início à fase de obrigação de pagar objeto do cumprimento de sentença antes do prévio adimplemento da obrigação de fazer relativa ao apostilamento, de modo que o termo inicial do prazo quinquenal de prescrição, no caso concreto, materializou-se no momento em que foram reunidas as condições de execução da obrigação pecuniária. Deveras, por compreender expressiva quantidade de indivíduos abrangidos pela coisa julgada no precitado mandado de segurança coletivo, o cumprimento da obrigação de fazer deu-se por encerrado somente aos
06/07/2022. Frise-se, como já pontuado, que o início da contagem do prazo prescricional em caso de ações coletivas que exijam a realização de obrigação de fazer - apostilamento dos direitos reconhecidos judicialmente - deve ser o momento em que se dá por encerrada tal obrigação. Isso porque, somente a partir de quando o apostilamento ocorre é que surge o direito subjetivo dos beneficiados pelo título de dar início ao cumprimento de sentença da obrigação de pagar, condição indispensável para que se inicie a contagem do prazo de extinção do direito de ação. Noutras palavras, a prescrição fica suspensa entre o trânsito em julgado da ação de conhecimento e o encerramento da primeira fase do cumprimento de sentença. Ademais, de acordo com o destacado pelo D. Juízo da origem, "a demora para a instauração do presente cumprimento não pode ser atribuído à desídia do exequente, que apenas aguardava pela regularização documental, ônus que foi atribuído à executada". No tocante ao Tema nº 1.311 do C. STJ, verifica-se que ele estabelece que, no cumprimento de sentença que condena a Fazenda Pública a pagar quantia certa e a implantar valores em folha de pagamento, o prazo prescricional para a obrigação de pagar não é suspenso durante a pendência da obrigação de fazer (implantação na folha). Ou seja, mesmo que a implantação na folha ainda não tenha sido realizada, o prazo para executar a
cobrança dos valores continua correndo. Ocorre que, ante as peculiaridades da presente execução, como acima já destacado, não houve o transcurso do prazo, não se aplicando ao caso a tese do Tema nº 1.311 do C. STJ, ao contrário do que entende o agravante. Sendo assim, justo o entendimento adotado pelo D. Juízo a quo ao reputar que não se operaram os efeitos da prescrição em relação à execução em questão, devendo ser dado o seu normal andamento, ficando, assim, mantida a r. decisão agravada. Constata-se a ausência de impugnação, nas razões do recurso especial, de fundamento autônomo e suficiente à manutenção do acórdão recorrido, qual seja, o distinguishing acerca da aplicação do Tema 1311/STJ, a necessidade da fase de apostilamento do título judicial, bem como a existência de acordo entre as partes, atraindo, por analogia, o óbice da Súmula 283 do STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles"). A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. SENTENÇA QUE DECLAROU A EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO. PRECLUSÃO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. CONDENAÇÃO DA UNIÃO EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. NÃO CABIMENTO. ART. 85, § 7º, DO CPC. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.
1. Na hipótese dos autos, ao decidir a controvérsia, o Tribunal a quo estabeleceu que "não merece reparo a sentença declaratória de extinção da execução, ora guerreada, não havendo que se falar na alvitrada necessidade de intimação "para comprovar a implantação da revisão objeto do pedido exordial, antes da extinção da execução", por tratar-se de matéria superada pela preclusão consumativa, à míngua de manifestação oportuna da parte interessada a esse respeito, por ocasião do despacho do evento 348, DESPADEC96/JFRJ".
2. A recorrente, por sua vez, deixou de impugnar tal fundamento, que é apto, por si só, para manter o acórdão recorrido. Aplica-se à espécie, por analogia, o óbice do enunciado n. 283 da Súmula do STF.
3. Segundo a jurisprudência desta Corte, "não serão devidos honorários no cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública que enseje expedição de precatório, desde que não tenha sido impugnada" (AgInt no REsp n. 2.062.255/RS, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 22/4/2024, DJe de 26/4/2024).
4. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no REsp 2.132.773/RJ, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, julgado em 7/10/2024, DJe de 14/10/2024). De outra parte, a alteração da conclusão do TJSP, no sentido de que não houve o transcurso do prazo prescricional, em razão das peculiaridades da execução, objeto de acordo firmado em 6/7/2022 mediante o qual as partes concordaram com o encerramento da obrigação de fazer, ensejaria o necessário reexame da matéria fático-probatória dos autos, atraindo, por conseguinte, a incidência da Súmula 7/STJ. Nesse sentido: "É inviável, em sede de recurso especial, o reexame de matéria fático-probatória, nos termos da Súmula 7 do STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"" (AgInt no AREsp n. 1.964.284/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de 5/12/2023). Por fim, ainda que fossem superados os óbices relativos à admissibilidade r ecursal, a aplicação da causa suspensiva prevista na Lei 14.010/2020 não iria interferir no resultado do julgamento, pois a suspensão operada pela referida lei se deu entre 12/6/2020 e 30/10/2020 (cerca de quatro meses e meio), enquanto que o termo final da prescrição quinquenal ocorreria, conforme alegado pelo recorrente, em 26/3/2024, mais de 1 (um) ano antes do ajuizamento do cumprimento de sentença em 9/4/2025,
restando consumado de qualquer forma o lapso prescricional, nos termos do pleito do ente público. Isso posto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do recurso especial. Sem condenação em honorários advocatícios recursais, tendo em vista que o recurso especial origina-se de acórdão proferido em julgamento de agravo de instrumento, no qu al não houve a fixação de honorários advocatícios sucumbenciais. Intimem-se.
EMENTA
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