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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Havendo fundamentos concretos e idôneos nos autos para a fixação da pena-base acima do mínimo legal — notadamente a quantidade de droga apreendida (427 kg de maconha) e os antecedentes do réu — e reconhecendo-se a discricionariedade juridicamente vinculada do juiz na dosimetria (com o art. 42 da Lei 11.343/2006 conferindo preponderância à natureza e quantidade), não se identificou arbitrariedade ou ilegalidade que autorizasse a interferência desta Corte; assim, negou-se provimento ao agravo regimental.

Court disposition

Agravo regimental não provido

Orders

  • Negar provimento ao agravo regimental.
  • Manter a decisão que indeferiu liminar e manteve a pena em 28 anos, 1 mês e 16 dias de reclusão.

02

Material facts

Parties

MARCOS ROQUE DA SILVA

Agravante / Paciente

Amounts and remedies

  • Quantidade De Droga Apreendida (kg): 427

03

Procedural history

  1. Posture

    Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento Colegiado (sessão Virtual Da Sexta Turma)

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
A defesa requereu o redimensionamento da pena-base, alegando ofensa aos princípios da proporcionalidade e da individualização da pena e pedindo reconsideração da decisão que indeferiu liminarmente o habeas corpus.
Respondent
A Corte estadual fundamentou a majoração da pena-base em argumentos concretos e idôneos constantes dos autos, especialmente a grande quantidade de entorpecente apreendido (427 kg de maconha) e os antecedentes do réu, aplicando o art. 42 da Lei n. 11.343/2006; não há erro jurídico ou flagrante arbitrariedade que justifique a intervenção desta Corte Superior.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    art. 5º, XLVI, da Constituição Federal; art. 59 do Código Penal; art. 387 do Código de Processo Penal

    Princípio da individualização da pena

  2. 02

    art. 42 da Lei n. 11.343/2006

    Preponderância da natureza e quantidade da substância na dosimetria para crimes previstos na Lei 11.343/2006

  3. 03

    HC n. 122.184/PE, Rel. Min. Rosa Weber (citado)

    Discricionariedade judicial na fixação da pena dentro dos limites legais, sujeita ao controle quanto à legalidade e à constitucionalidade

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Havendo fundamentos concretos e idôneos nos autos para a fixação da pena-base acima do mínimo legal — notadamente a quantidade de droga apreendida (427 kg de maconha) e os antecedentes do réu — e reconhecendo-se a discricionariedade juridicamente vinculada do juiz na dosimetria (com o art. 42 da Lei 11.343/2006 conferindo preponderância à natureza e quantidade), não se identificou arbitrariedade ou ilegalidade que autorizasse a interferência desta Corte; assim, negou-se provimento ao agravo regimental.

Obiter and limits

  • Qualidade e quantidade da droga são vetoriais autônomas, cada uma autorizando aumento da pena-base por si só.
  • A fixação da pena-base deve atender às peculiaridades do caso concreto, sem adoção de critérios matemáticos rígidos.

Court disposition

Agravo regimental não provido

  • Negar provimento ao agravo regimental.
  • Manter a decisão que indeferiu liminar e manteve a pena em 28 anos, 1 mês e 16 dias de reclusão.

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ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 21/05/2026 a 27/05/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Carlos Pires Brandão, Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT), Og Fernandes e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.

EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PENA-BASE ACIMA DO MÍNIMO. QUANTIDADE DA DROGA APREENDIDA E ANTECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.

1. Uma vez que foram apontados argumentos concretos e idôneos dos autos para a fixação da pena-base acima do mínimo legal, não há como esta Corte simplesmente se imiscuir no juízo discricionário feito pela instância de origem para, a pretexto de ofensa aos princípios da proporcionalidade e da individualização da pena, reduzir a reprimenda-base estabelecida ao acusado.

2. Agravo regimental não provido.

RELATÓRIO MARCOS ROQUE DA SILVA agrava da decisão proferida pela Presidência desta Corte Superior (fls. 140-141), que indeferiu liminarmente o habeas corpus, para manter sua reprimenda em 28 anos, 1 mês e 16 dias de reclusão, em regime fechado, pela prática, em concurso material, dos delitos capitulados nos arts. 33, caput c/c 40, I, da Lei n. 11.343/2006, em duas oportunidades, e art. 35, caput c/c art. 40, I, da mesma lei, também em duas oportunidades. Reitera a defesa o pedido de redimensionamento da pena-base. Requer, assim, a reconsideração do decisum anteriormente proferido ou a submissão do feito a julgamento pelo órgão colegiado.

EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PENA-BASE ACIMA DO MÍNIMO. QUANTIDADE DA DROGA APREENDIDA E ANTECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.

1. Uma vez que foram apontados argumentos concretos e idôneos dos autos para a fixação da pena-base acima do mínimo legal, não há como esta Corte simplesmente se imiscuir no juízo discricionário feito pela instância de origem para, a pretexto de ofensa aos princípios da proporcionalidade e da individualização da pena, reduzir a reprimenda-base estabelecida ao acusado.

2. Agravo regimental não provido.

VOTO Em que pese os argumentos aduzidos pela defesa, a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos. No tocante à pena-base, faço saber que a fixação da pena é regulada por princípios e regras constitucionais e legais previstos, respectivamente, nos arts. 5º, XLVI, da Constituição Federal, 59 do Código Penal e 387 do Código de Processo Penal. Todos esses dispositivos remetem o aplicador do direito à individualização da medida concreta para que, então, seja e leito o quantum de pena a ser aplicada ao condenado criminalmente, visando à prevenção e à reprovação do delito perpetrado. Assim, para chegar a uma aplicação justa da lei penal, o sentenciante, dentro dessa discricionariedade juridicamente vinculada, deve atentar-se para as singularidades do caso concreto e, na primeira etapa do procedimento trifásico, guiar-se pelas circunstâncias relacionadas no caput do art. 59 do CP, as quais não se deve furtar de analisar individualmente. São elas: culpabilidade; antecedentes; conduta social; personalidade do agente; motivos, circunstâncias e consequências do crime; comportamento da vítima. No caso em análise, a Corte estadual, quando do julgamento da revisão criminal, manteve a pena-base acima do mínimo legal, conforme abaixo (fls. 127-): Na espécie, verifica-se que a sentença foi objetiva e clara ao elencar os motivos que levaram à majoração da pena-base nos

crimes de tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico, quais sejam, a existência de três vetoriais negativas: antecedentes, quantidade (120 kg 427 kg) e qualidade (maconha) do entorpecente (evento 19, VOTO2): 7.4. Réu MARCOS ROQUE DA SILVA A dosimetria foi assim tratada em sentença: "III. 1 - Fato nº 02 da Denúncia - Tráfico de Entorpecentes - Apreensão na cidade de Londrina/PR. (..) b) Marcos Roque da Silva Culpabilidade: normal à espécie. Antecedentes: são desfavoráveis ao réu. Conforme certidão de antecedentes criminais juntada ao ev. 342 - CERTANTCRIM3, o réu possui diversas condenações com trânsito em julgado, como por exemplo a oriunda da 2ª Vara Criminal da Comarca de Foz do Iguaçu/PR, tendo em vista fato praticado na data de 09/02/2006, capitulado no art. 16, caput, da Lei nº 10.826/2003, cuja condenação transitou em julgado na data de 08/08/2011. Conduta Social: nada há nos autos que a desabone. Personalidade: inexistem elementos suficientes para a sua aferição. Motivos: comuns ao crime. Circunstâncias: normais. O crime não apresentou conseqüências em face da apreensão da droga. Por fim, resta prejudicada a análise da circunstância referente ao comportamento da vítima, em razão de o crime de tráfico de entorpecentes ter como sujeito passivo a coletividade. Considerando o exposto, em conjunto com o artigo 42 da Lei nº 11.343/2006, fixo a PENA-BASE em 06 (seis)

anos e 04 (quatro) meses de reclusão. .. III. 2 - Fato nº 04 da Denúncia - Tráfico de Entorpecentes - Apreensão na cidade de Wenceslau Braz/PR. Pela prática desse fato foi condenado nesses autos o réu Marcos Roque da Silva("Seco"). Dispõe o artigo 42 da Lei nº 11.343/2006, que, o juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o previsto no art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade e a conduta social do agente. Não há informações acerca da personalidade do réu nem sobre sua conduta. Tendo em vista a grande quantidade de entorpecente apreendido, cerca de 427 kg de maconha, a pena-base do delito deverá ser fixada acima do mínimo legal ("Em se tratando de tráfico de drogas, a expressiva quantidade do narcótico apreendido autoriza o agravamento da pena-base. Precedente". TRF4, ACR 0007987- 06.2008.404.7002, Oitava Turma, Relator Paulo Afonso Brum Vaz, D. E. 11/06/2010). Em relação às vetoriais judiciais específicas do art. 59 do Código Penal, consigno que: Culpabilidade: normal à espécie. Antecedentes: são desfavoráveis ao réu. Conforme certidão de antecedentes criminais juntada ao ev. 342 - CERTANTCRIM3, o réu possui diversas condenações com trânsito em julgado, como por exemplo a oriunda da 2ª Vara Criminal da Comarca de Foz do Iguaçu/PR, tendo em vista fato praticado na data de 09/02/2006, capitulado no art.

16, caput, da Lei nº 10.826/2003, cuja condenação transitou em julgado na data de 08/08/2011. Conduta Social: nada há nos autos que a desabone. Personalidade: inexistem elementos suficientes para a sua aferição. Motivos: comuns ao crime. Circunstâncias: normais. O crime não apresentou consequências em face da apreensão da droga. Por fim, resta prejudicada a análise da circunstância referente ao comportamento da vítima, em razão de o crime de tráfico de entorpecentes ter como sujeito passivo a coletividade. Considerando o exposto, em conjunto com o artigo 42 da Lei nº 11.343/2006, fixo a PENA-BASE em 06 (seis) anos e 04 (quatro) meses de reclusão. .. III. 3 - Fato nº 01 da Denúncia - Associação para o Tráfico de Drogas (..) c) Marcos Roque da Silva Culpabilidade: normal à espécie. Antecedentes: são desfavoráveis ao réu. Conforme certidão de antecedentes criminais juntada ao ev. 342 - CERTANTCRIM3, o réu possui diversas condenações com trânsito em julgado, como por exemplo a oriunda da 2ª Vara Criminal da Comarca de Foz do Iguaçu/PR, tendo em vista fato praticado na data de 09/02/2006, capitulado no art. 16, caput, da Lei nº 10.826/2003, cuja condenação transitou em julgado na data de 08/08/2011. Conduta Social: nada há nos autos que a desabone. Personalidade: inexistem elementos suficientes para a sua aferição. Motivos: comuns ao crime. Circunstâncias: normais. As conseqüências

do fato são próprias do delito. Por fim, resta prejudicada a análise da circunstância referente ao comportamento da vítima, em razão de o crime de associação para o tráfico de entorpecentes ter como sujeito passivo a coletividade. Considerando a quantidade e qualidade do entorpecente importado e vendido pela associação criminosa, bem com o registro de antecedentes criminais, fixo a pena-base em 04 (quatro) anos de reclusão. .. III.4 - Fato nº 03 da Denúncia - Associação para o Tráfico de Drogas (..) a) Marcos Roque da Silva Culpabilidade: normal à espécie. Antecedentes: são desfavoráveis ao réu. Conforme certidão de antecedentes criminais juntada ao ev. 342 - CERTANTCRIM3, o réu possui diversas condenações com trânsito em julgado, como por exemplo a oriunda da 2ª Vara Criminal da Comarca de Foz do Iguaçu/PR, tendo em vista fato praticado na data de 09/02/2006, capitulado no art. 16, caput, da Lei nº 10.826/2003, cuja condenação transitou em julgado na data de 08/08/2011. Conduta Social: nada há nos autos que a desabone. Personalidade: inexistem elementos suficientes para a sua aferição. Motivos: comuns ao crime. Circunstâncias: normais. As conseqüências do fato são próprias do delito. Por fim, resta prejudicada a análise da circunstância referente ao comportamento da vítima, em razão de o crime de associação para o tráfico de entorpecentes ter como sujeito passivo a

coletividade. Considerando a quantidade e qualidade do entorpecente importado e vendido pela associação criminosa, bem com o registro de antecedentes criminais, fixo a pena-base em 04 (quatro) anos de reclusão. E, nesse particular aspecto, não se observa a existência de flagrante injustiça ou ilegalidade na dosimetria, uma vez que o percentual de elevação das penas-base em decorrência de três vetoriais negativadas - 01 (um) e 04 (quatro) meses de reclusão para o delito de tráfico de entorpecentes e 01 (um) de reclusão para o delito de associação para o tráfico -, não desbordou dos limites legais previstos para o crime em questão - 05 (cinco) a 15 (quinze) anos e 03 (três) a 10 (dez) anos. Além disso, para os crimes previstos na Lei nº 11.343/06, conforme seu art. 42, deve ser observado que natureza e quantidade da droga têm preponderância sobre as circunstâncias judiciais do art. 59 do Código Penal, devendo, de rigor, ter incremento diferenciado dessas. Ainda, é preciso atentar que qualidade e quantidade não são um binômio e, sim, duas vetoriais autônomas, ambas autorizando, por si, aumento da pena-base. Por fim, cumpre referir que o entendimento há muito sedimentado neste Tribunal é de que a fixação da pena-base deve atender às peculiaridades do caso, sem adoção de critérios matemáticos rígidos. Portanto, uma vez que foram apontados argumentos concretos e idôneos dos autos

para a fixação da pena-base acima do mínimo legal - quantidade de droga apreendida (427 kg de maconha) e antecedentes do réu -, não há como esta Corte simplesmente se imiscuir no juízo de proporcionalidade feito pela instância de origem para, a pretexto de ofensa aos princípios da proporcionalidade e da individualização da pena, reduzir a reprimenda-base estabelecida ao acusado. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, "A dosimetria da pena é matéria sujeita a certa discricionariedade judicial. O Código Penal não estabelece rígidos esquemas matemáticos ou regras absolutamente objetivas para a fixação da pena. Cabe às instâncias ordinárias, mais próximas dos fatos e das provas, fixar as penas e às Cortes Superiores, em grau recursal, o controle da legalidade e da constitucionalidade dos critérios empregados, bem como a correção de eventuais discrepâncias, se gritantes ou arbitrárias" (HC n. 122.184/PE, Rel. Ministra Rosa Weber, 1ª T., D Je 5/3/2015). No entanto, não verifico essa situação caracterizada nos autos. Por essas razões, entendo que não há elementos capazes de modificar o posicionamento firmado na decisão agravada. À vista do exposto, nego provimento ao agravo regimental.

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

HC n. 122.184/PE, Rel. Min. Rosa Weber

Case cited

TRF4, ACR 0007987-06.2008.404.7002, Oitava Turma, Rel. Paulo Afonso Brum Vaz, D.E. 11/06/2010

Case cited

Constituição Federal, art. 5º, XLVI

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código Penal, art. 59

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código de Processo Penal, art. 387

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 11.343/2006, art. 42

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Arts. 33, caput c/c 40, I, da Lei n. 11.343/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Art. 35, caput c/c art. 40, I, da Lei n. 11.343/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 10.826/2003, art. 16, caput

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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