Despejo Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dcc8d7ccdbf40b1753a64
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- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
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- Superior Tribunal de Justiça
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- Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (admissibilidade)
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- Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (admissibilidade)
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Professional case brief
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01
Holding and result
Havendo prestação jurisdicional considerada suficiente nos termos do Tema 339 do STF, ausência de prequestionamento dos dispositivos apontados, aplicação do óbice da Súmula 7 do STJ por exigir reexame do conjunto fático-probatório para acolhimento da tese e caráter de admissibilidade da matéria (Tema 181), impõe-se negar seguimento ao recurso extraordinário, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC, e revogar a tutela antecipada anteriormente deferida.
Court disposition
Recurso extraordinário com seguimento negado (negado seguimento)
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário
- Revogo a antecipação de tutela recursal anteriormente deferida
- Publique-se. Intimem-se.
02
Procedural history
Posture
Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (admissibilidade)
03
Questions and positions
Legal issues
- 01
cabimento de recurso especial contra decisão proferida em tutela provisória
- 02
alegada omissão ou negativa de prestação jurisdicional e dever de fundamentação (art. 93, IX, CF)
- 03
possibilidade de revisão da essencialidade do imóvel e necessidade de reexame do conjunto fático-probatório
- 04
exigência de repercussão geral e impedimento de prosseguimento do recurso extraordinário quando a matéria é de admissibilidade de outro tribunal (Tema 181)
Party arguments
- Applicant
- A parte recorrente alega ausência de fundamentação e negativa de prestação jurisdicional por não enfrentamento das teses defensivas, especialmente sobre a essencialidade do imóvel para preservação da empresa em recuperação judicial e sobre a competência do juízo universal, apontando violação dos arts. 5º, XXXV, LIV, LV e LVII, e 93, IX, da Constituição Federal, e requerendo admissão e provimento do recurso extraordinário.
- Respondent
- O Superior Tribunal de Justiça entendeu que o acórdão recorrido foi suficientemente fundamentado nos termos do Tema n. 339 do STF; que não é cabível recurso especial contra decisão em sede de tutela provisória salvo ilícito manifesto (Súmula 735 do STF); que houve ausência de prequestionamento dos dispositivos suscitados, inviabilizando o conhecimento; que a revisão da essencialidade do imóvel demandaria reexame do conjunto fático-probatório vedado pela Súmula 7 do STJ; e que, por tais razões e por ser matéria relativa a admissibilidade de recurso de outro Tribunal, o recurso extraordinário não pode prosperar (Tema n. 181 do STF), devendo ter seu seguimento negado.
04
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Súmula 735 do STF
Não cabe recurso especial contra decisão proferida em sede de tutela provisória, salvo em presença de ilicitude manifesta ou teratologia
- 02
Súmula 7 do STJ
Vedação ao reexame de fatos e provas em recurso especial
- 03
Súmula 83 do STJ
Não se conhece do recurso especial pela divergência quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido
- 04
Art. 93, IX, da Constituição Federal e Tema n. 339 do STF
Exigência de fundamentação das decisões, ainda que sucintamente
- 05
Art. 1.030, I, a, do CPC e Tema n. 181 do STF
Repercussão geral e preenchimento de pressupostos de admissibilidade são requisitos indispensáveis ao recurso extraordinário; questões sobre admissibilidade de recurso de outro Tribunal têm natureza infraconstitucional
05
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Havendo prestação jurisdicional considerada suficiente nos termos do Tema 339 do STF, ausência de prequestionamento dos dispositivos apontados, aplicação do óbice da Súmula 7 do STJ por exigir reexame do conjunto fático-probatório para acolhimento da tese e caráter de admissibilidade da matéria (Tema 181), impõe-se negar seguimento ao recurso extraordinário, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC, e revogar a tutela antecipada anteriormente deferida.
Obiter and limits
- Não é cabível agravo em recurso extraordinário contra decisão que nega seguimento (art. 1.030, § 2º, do CPC)
- A Corte reiterou que ações de despejo não se suspendem no curso do procedimento recuperacional e não são processadas perante o juízo universal, segundo a jurisprudência desta Corte
Court disposition
Recurso extraordinário com seguimento negado (negado seguimento)
- Nego seguimento ao recurso extraordinário
- Revogo a antecipação de tutela recursal anteriormente deferida
- Publique-se. Intimem-se.
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Superior Tribunal de Justiça
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto, com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que recebeu a seguinte ementa (fls. 1.004-1.005): DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE DESPEJO AJUIZADA CONTRA LOCATÁRIA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. COMPETÊNCIA DO JUÍZO COMUM. CAUÇÃO POR CRÉDITOS LOCATÍCIOS. PRAZO DE DESOCUPAÇÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO. REVOGAÇÃO DE TUTELA ANTECIPADA. I. CASO EM EXAME 1 Pedido de extensão dos efeitos suspensivos atribuídos a recurso especial interposto contra acórdão que autorizou o despejo de empresa locatária, em recuperação judicial ainda não deferida, com prorrogação do prazo de desocupação do imóvel locado para 45 dias. O Tribunal de Justiça do Tocantins admitiu o recurso especial e atribuiu-lhe efeito suspensivo, mas limitou a posse da recorrente até o termo final do contrato, em 6/1/2025. A parte requerente sustentou a essencialidade do imóvel à continuidade da atividade empresarial, alegando risco de falência e prejuízos sociais, ambientais e econômicos. O pedido liminar foi deferido. Posteriormente, foi interposto agravo regimental e apresentadas contrarrazões. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2 Há três questões em discussão: (i) verificar a possibilidade de conhecimento do recurso especial interposto contra acórdão proferido em sede de tutela provisória; (ii)
definir se houve negativa de prestação jurisdicional ou omissão no acórdão recorrido; (iii) determinar se é possível revisar, em recurso especial, o juízo de adequação feito pela instância de origem quanto à essencialidade do imóvel e à fixação de prazo para desocupação. III. RAZÕES DE DECIDIR 3 Não é cabível recurso especial contra decisão proferida em sede de tutela provisória, conforme a Súmula 735 do STF, salvo quando demonstrada manifesta ilegalidade ou teratologia, circunstâncias ausentes no caso concreto. 4 O acórdão recorrido analisou fundamentadamente os argumentos apresentados, inexistindo omissão ou negativa de prestação jurisdicional, nos termos do art. 1.022 do CPC (AgInt no AREsp 2.441.987/DF). 5 A alegação de violação a dispositivos legais (arts. 300, 489, 1.022 do CPC; 187 e 422 do CC; e arts. 47, 49, 59 e 64 da Lei 11.101/2005) não pode ser conhecida, pois os dispositivos não foram objeto de debate no acórdão recorrido, configurando ausência de prequestionamento (Súmulas 282 e 356 do STF). 6 A análise da essencialidade do imóvel e das consequências sociais do despejo demanda reexame do conjunto fático-probatório, o que atrai o óbice da Súmula 7 do STJ. 7 A decisão do Tribunal de origem está em conformidade com a jurisprudência do STJ, que afirma não se suspender ação de despejo contra empresa em recuperação judicial e que o juízo competente é o comum, e não o
juízo universal da recuperação (REsp 2.171.089/DF), o que atrai a aplicação da Súmula 83 do STJ. 8 Diante da ausência de pressupostos para o conhecimento do recurso especial, impõe-se a revogação da tutela provisória anteriormente deferida. IV. DISPOSITIVO 9 Recurso especial não conhecido. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados (fls. 1.049-1.060). A parte recorrente alega a existência de repercussão geral da matéria debatida e de contrariedade, no acórdão impugnado, aos arts. 5º, XXXV, LIV, LV e LVII, e 93, IX, da Constituição Federal. Nesse sentido, argumenta ter havido ausência de fundamentação no decisum recorrido, bem como negativa de prestação jurisdicional por esta Corte, tendo em conta que não teria se manifestado sobre as teses defensivas veiculadas, notadamente acerca da essencialidade do bem imóvel para preservação da empresa em recuperação judicial e da competência do juízo universal da recuperação judicial para julgar a ação de despejo. Aduz que (fls. 1.074-1.075): .. a Ministra Relatora ignorou a maior argumentação dos recursos - o reconhecimento expresso da essencialidade do bem, mesmo que tal questão altere toda a ratio decidendi do julgado. Essa conduta caracteriza violação direta ao art. 93, IX, da Constituição Federal, que impõe ao Poder Judiciário o dever de fundamentar todas as decisões, sob pena de nulidade. A ausência de
enfrentamento das teses expressamente deduzidas, mesmo após a oposição de embargos de declaração, representa forma grave de negativa de prestação jurisdicional, que fere, de modo imediato, o art. 5º, XXXV, LIV e LV, da Constituição, ao frustrar o direito de acesso à jurisdição e o devido processo legal em sua dimensão substancial. .. Desse modo, é inequívoco que o acórdão recorrido incorreu em violação direta aos arts. 93, IX, e 5º, XXXV, LIV e LV, da Constituição Federal, pois, mesmo diante da provocação expressa da parte em sede de embargos de declaração, o Tribunal Superior optou por não enfrentar o ponto nuclear da controvérsia - a essencialidade do bem para o funcionamento da empresa em recuperação judicial. Tal conduta representa verdadeira negação da jurisdição constitucional, uma vez que não apenas despreza o conteúdo jurídico das alegações apresentadas, mas também contraria a ratio decidendi do próprio acórdão de origem, que reconheceu explicitamente a essencialidade do imóvel e seus impactos sociais e econômicos. .. Requer, assim, a admissão e o provimento do recurso extraordinário. É o relatório.
2. No julgamento do paradigma vinculado ao Tema n. 339, o Supremo Tribunal Federal apreciou a seguinte questão: .. se decisão que transcreve os fundamentos da decisão recorrida, sem enfrentar pormenorizadamente as questões suscitadas nos embargos declaratórios, afronta o princípio da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, nos termos do art. 93, IX, da Constituição Federal. Na ocasião, firmou-se a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da CF não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão do acórdão recorrido, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fls. 1.008-1.017): A parte recorrente alega violação aos artigos 300, caput e § 3º; 489, § 1º, V, e 1.022, II, do Código
de Processo Civil, bem como aos artigos 187 e 422 do Código Civil e 47, 49, caput e § 3º, 59 e 64 da Lei 11.101/2005 (Lei de Recuperação Judicial e Falências). Contudo, o que se observa da origem é que a decisão recorrida foi proferida em sede liminar, sendo certo que "A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que decisões proferidas em sede de tutela antecipada não configuram causa decidida, inviabilizando o conhecimento de recurso especial, conforme estabelecido na Súmula 735 do STF." (AgInt no REsp n. 1.626.589/MG, de minha relatoria, Terceira Turma, julgado em 28/4/2025, DJEN de 5/5/2025.) Não se desconhece, contudo, a viabilidade de, excepcionalmente, se superar tal entendimento o que demanda, contudo, a existência de ilicitude manifesta ou teratologia, elementos não presentes nestes autos. .. Adiante, a análise do teor do acórdão recorrido indica que os dispositivos tidos por violados (art 300, caput do Código de Processo Civil, artigos 187 e 422 do Código Civil e artigos 187 e 422 do Código Civil e 47, 49, caput e § 3º, 59 e 64 da Lei 11.101/2005) na tese de mérito não foram debatidos pela corte de origem. É certo que, por força constitucional (art. 105, III da CRFB/88), ao Superior Tribunal de Justiça somente é dado o julgamento em recurso especial, "das causas decididas, em única ou última instância", uma vez que, presente a finalidade
revisional da insurgência recursal, não se mostra viável o pronunciamento originário a respeito de matérias ainda não discutidas na origem. Destarte, "A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial, impede seu conhecimento, a teor da Súmula nº 282/STF." (AgInt no AREsp n. 2.582.153/DF, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 26/8/2024, DJe de 29/8/2024.) No mesmo sentido: .. Dessa forma, "Para que se tenha por satisfeito o requisito do prequestionamento, "há que se extrair do acórdão recorrido pronunciamento sobre as teses jurídicas em torno dos dispositivos legais tidos como violados, a fim de que se possa, na instância especial, abrir discussão sobre determinada questão de direito, definindo-se, por conseguinte, a correta interpretação da legislação federal" (AgInt no AREsp 1.487.935/SP, 4ª Turma, DJe 04/02/2020)." (AgInt no REsp n. 1.815.548/AM, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 4/5/2020, DJe de 7/5/2020.) É certo que "Esta Corte admite o prequestionamento implícito dos dispositivos tidos por violados, desde que os temas correspondentes tenham sido expressamente discutidos no Tribunal local (..)" (AgInt no AREsp n. 2.423.648/PE, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 11/11/2024, DJe de 13/11/2024.) Entretanto, para que se considere ocorrido o prequestionamento implícito, há
de se ter presente, no caso concreto, a discussão da temática fático-jurídica que se pretende ver revisada nesta corte, não se podendo cogitar de pronunciamento inaugural a respeito do enfoque pretendido pela parte recorrente em sede especial. .. No presente feito, a parte recorrente não logrou comprovar que o acórdão recorrido tratou dos dispositivos legais tidos por violados (art 300, caput do Código de Processo Civil, artigos 187 e 422 do Código Civil e artigos 187 e 422 do Código Civil e 47, 49, caput e § 3º, 59 e 64 da Lei 11.101/2005) ou da tese jurídica ora trazida a esta corte, de modo que "Ausente o prequestionamento, até mesmo de modo implícito, de dispositivos apontados como violados no recurso especial, incide o disposto na Súmula nº 282/STF. " (AgInt no AREsp n. 1.701.763/SC, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 6/12/2021, DJe de 13/12/2021.) Ademais, mesmo que assim não fosse, para conhecer da controvérsia apresentada neste recurso, relativa à gravidade do despejo e à essencialidade da unidade produtiva, mostra-se necessário o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, procedimento incompatível com o entendimento firmado pela súmula 7 deste Superior Tribunal de Justiça, que estabelece que "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." De fato, presente a função uniformizadora do Recurso Especial,
não se pode cogitar de seu emprego para a realização de rejulgamento do contexto fático-probatório, em atitude típica de revisão promovida por nova instância. Diante disso, é reiterada a jurisprudência desta corte que assenta que "o reexame de fatos e provas (é) vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ."(AgInt no REsp n. 2.151.760/SC, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 9/12/2024, DJEN de 12/12/2024.) No mesmo sentido: .. Não há, portanto, dúvida acerca da inaptidão do recurso especial para promover a revisão do quadro fático-probatório, viabilizando reformar da comrpeensão firmada pela corte de origem acima do tema. Não se quer dizer, contudo, que o debate do quadro fático não possa ser revisado nesta instância especial. Ao revés, é também pacífico o entendimento de que "a revaloração jurídica de fatos e provas incontroversos delineados no acórdão impugnado afasta a aplicação da Súmula 7 do STJ na espécie." (AgInt no AREsp n. 1.742.678/MT, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 8/6/2021, DJe de 11/6/2021.) Cuida-se, contudo, de ônus imputado à parte recorrente, que não pode se limitar a afirmar que sua pretensão demanda apenas o reenquadramento fático à moldura legal pretendida, devendo, isto sim, evidenciar, objetivamente, que a análise fática estabilizada melhor se enquadra em outra forma jurídica. Daí porque este
colegiado também tem afirmado, reiteradamente, que "No tocante às Súmulas nºs 5 e 7/STJ, não basta a parte sustentar genericamente a não aplicação dos óbices, sem explicitar, à luz do contexto fático delineado no acórdão e da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame fático-probatório ou da análise das cláusulas contratuais." (AgInt no AREsp n. 2.250.305/DF, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 6/10/2023.) No mesmo sentido: .. No presente feito, o acolhimento da tese recursal, relativa à gravidade do despejo e à essencialidade da unidade produtiva, demandaria inevitável revisão do quadro fático-probatório estabelecido na instância de origem, providência que, como visto, é inviável nesta sede. Por fim, releva notar que a postura do Tribunal de origem amolda-se às orientações jurisprudenciais desta Corte sobre o tema de fundo ora discutido. A Súmula 83 desta Corte estabelece que " n ão se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". É o que se extrai, por exemplo, dos seguintes precedentes: .. Com efeito, a Terceira Turma tem se pronunciado no sentido de que as ações despejo não se suspendem no curso do procedimento recuperacional e não são processadas perante o juízo universal, na exata medida
do definido pelo acórdão recorrido. Ante o exposto, não conheço do recurso especial e revogo a antecipação de tutela recursal concedida anteriormente nestes autos. Assim, fica inviabilizado o exame pretendido nesta insurgência. Com efeito, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado.
3. No tocante às demais alegações, nos termos do art. 102, § 3º, da Constituição Federal, o recurso extraordinário deve ser dotado de repercussão geral, requisito indispensável à sua admissão. Por sua vez, o STF já definiu que a discussão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recurso anterior, de competência de outro tribunal, não tem repercussão geral. Quando o STJ não analisar o mérito do recurso de sua competência, tal como verificado nestes autos, qualquer alegação do recurso extraordinário demandaria a rediscussão dos requisitos de admissibilidade do referido recurso, exigindo a apreciação dos dispositivos legais que versam sobre tais pressupostos. No Tema n. 181 do STF, a Suprema Corte afirmou que "a questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional" (RE n. 598.365-RG, relator Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 14/8/2009, DJe de 26/3/2010). O entendimento em questão incide tanto em situações nas quais as razões do recurso extraordinário se referem ao não conhecimento do recurso anterior quanto naquelas em que as alegações se relacionam à matéria de fundo da causa. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários,
negar seguimento àqueles que discutam questão à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. Como exemplos da aplicação do Tema n. 181 do STF em casos semelhantes, confiram-se: ARE n. 1.256.720-AgR, relator Ministro Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 4/5/2020, DJe de 26/5/2020; ARE n. 1.317.340-AgR, relatora Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 12/5/2021, DJe de 14/5/2021; ARE n. 822.158-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Primeira Turma, julgado em 20/10/2015, DJe de 24/11/2015. Da mesma forma, o recurso extraordinário deve ter o seguimento negado por aplicação do Tema n. 181 do STF também nas hipóteses em que for alegada ofensa ao art. 105, III, da Constituição da República (RE n. 1.081.829-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 1º/10/2018).
4. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Vale registrar não ser cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC) contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário, conforme o § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se.
EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ANTERIOR, DE COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DEBATE OU SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA N. 181 DO STF, SOB A SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.
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