Devolu Odevalores Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dbfc57ccdbf40b16d92ee
- Status
- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Recurso Especial / Julgamento (decisão De Mérito)
More details
- Posture
- Recurso Especial / Julgamento (decisão De Mérito)
On this page
Professional case brief
Research organized from the available case record
01
Holding and result
O STJ entendeu que a Corte de origem acrescentou indevidamente ao Tema 692 uma hipótese de dispensa da devolução (preservação do salário mínimo) sem declarar a inconstitucionalidade do dispositivo legal, em afronta ao art. 927, III, do CPC/2015; por isso, reafirmou a aplicação do art. 115, II, da Lei 8.213/1991, com a limitação legal de desconto de até 30% sobre eventual benefício ativo para fins de restituição, sem que se possa criar, pela via interpretativa, nova exceção à restituição prevista em lei.
Court disposition
Recurso especial provido
Orders
- Dar provimento ao recurso especial para reconhecer o direito à restituição dos valores por meio de descontos em valor que não exceda 30% da importância do benefício ativo do segurado
02
Material facts
Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente03
Procedural history
Posture
Recurso Especial / Julgamento (decisão De Mérito)
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Pode o ressarcimento de valores recebidos por força de antecipação de tutela revogada ser feito por desconto sobre benefício ativo até 30%?
- 02
É possível impor que o desconto não reduza o benefício a valor inferior ao salário mínimo (garantia do mínimo existencial)?
- 03
Incide a Súmula 126 do STJ diante do Tema 799 do STF?
- 04
Qual é o alcance da aplicação do art. 115, II, da Lei 8.213/1991 após a alteração legislativa (MP 871/2019 c/ Lei 13.846/2019)?
Party arguments
- Applicant
- O INSS sustenta que não se aplica a Súmula 126 do STJ por conta do entendimento do STF no Tema 799 e que a única limitação legal à restituição por descontos sobre benefício ativo é o percentual máximo de até 30%, não havendo previsão para exigir preservação do salário mínimo.
- Respondent
- O acórdão recorrido entendeu que, além do limite de 30%, os descontos não podem reduzir o valor líquido do benefício a quantia inferior ao salário mínimo, em observância ao mínimo existencial (art. 201, §2º, CF/88) e precedentes regionais.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Tema 692/STJ; art. 115, II, Lei n. 8.213/1991; Pet n. 12.482/DF
A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga à devolução dos valores recebidos, podendo a restituição ser feita por desconto que não exceda 30% do benefício ativo
- 02
Tema 799 (ARE 722.421/MG), STF
A discussão sobre devolução de valores pagos por antecipação de tutela revogada tem natureza infraconstitucional
- 03
art. 201, §2º, CF/88; precedentes do TRF4 citados no acórdão
Garantia do mínimo existencial impede a redução do benefício previdenciário a valor inferior ao salário mínimo (entendimento de tribunais regionais citado)
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
O STJ entendeu que a Corte de origem acrescentou indevidamente ao Tema 692 uma hipótese de dispensa da devolução (preservação do salário mínimo) sem declarar a inconstitucionalidade do dispositivo legal, em afronta ao art. 927, III, do CPC/2015; por isso, reafirmou a aplicação do art. 115, II, da Lei 8.213/1991, com a limitação legal de desconto de até 30% sobre eventual benefício ativo para fins de restituição, sem que se possa criar, pela via interpretativa, nova exceção à restituição prevista em lei.
Obiter and limits
- Não se aplica a Súmula 126 do STJ diante do entendimento do STF no Tema 799 de natureza infraconstitucional da matéria.
- O legislador, ao fixar o limite de até 30%, buscou ponderar a exigibilidade da restituição com a situação econômica do beneficiário, conferindo certa margem de discricionariedade à Administração para a realização dos descontos.
Court disposition
Recurso especial provido
- Dar provimento ao recurso especial para reconhecer o direito à restituição dos valores por meio de descontos em valor que não exceda 30% da importância do benefício ativo do segurado
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
This page organises the available record for research. Confirm quotations, current status, and subsequent treatment against the official source before relying on the case.
Judgment reading view
Judgment text
The complete available source text.
Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, com respaldo na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO assim ementado (e-STJ fl. 192): PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DEVOLUÇÃO DE VALORES RECEBIDOS POR FORÇA DE TUTELA ANTECIPADA POSTERIORMENTE REVOGADA. TEMA 692/STJ. MÍNIMO EXISTENCIAL. - O STJ fixou a seguinte tese sob a sistemática dos recursos repetitivos relativa ao Tema 692: A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago. - Não é possível o desconto de valores na renda mensal do benefício previdenciário se isso implicar redução a quantia inferior ao salário mínimo, ante a necessidade de observância da garantia do mínimo existencial (art. 201, §2º, CF/88). Precedentes. Em suas razões, o INSS registra, inicialmente, que o caso dos autos não desafia a incidência da Súmula 126 do STJ, visto que o próprio Supremo Tribunal Federal afastou a repercussão geral sobre a questão de restituição de verbas pagas por força de antecipação de tutela no Tema 799. No mérito, alega vulneração dos arts. 927, III, do
CPC; e 115, II, da Lei n. 8.213/1991, sustentando a possibilidade de limitação de até 30% da renda mensal de eventual benefício ativo, apenas, em virtude de restituição de valores pagos por antecipação de tutela posteriormente revogada, não havendo que falar em outras limitações. Segundo defende, "a única limitação imposta pelo STJ foi o percentual máximo de desconto da importância de eventual benefício ativo" (e-STJ fl. 202). Afirma também que, "quanto ao argumento do acórdão recorrido no sentido de que os descontos não podem reduzir o valor líquido a ser pago a quantia menor que o salário-mínimo, saliente-se, mais uma vez, que nem a tese reafirmada pelo STJ no Tema 692 nem o art. 115, II da Lei nº 8.213/91 estipulam tal condição para autorizar os descontos" (e-STJ fl. 202). Contrarrazões às e-STJ fls. 213/223. Juízo positivo de admissibilidade pelo Tribunal de origem às e-STJ fl.
226. Passo a decidir. Preliminarmente, considero que a presente controvérsia não atrai a incidência da Súmula 126 do STJ - que exige a interposição simultânea de recursos extraordinário e especial quando o acórdão basear-se em duplo fundamento (constitucional e infraconstitucional) - diante do entendimento do Supremo Tribunal Federal no Tema 799, julgado em 20/03/2015, DJe de 30/03/2015, e assim redigido: A questão acerca da devolução de valores recebidos em virtude de concessão de antecipação de tutela posteriormente revogada tem natureza infraconstitucional e a ela atribuem-se os efeitos da ausência de repercussão geral, nos termos do precedente fixado no RE 584.608, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJe 13/3/2009. Na espécie, o Tribunal de origem acrescentou outras limitações ao desconto na renda mensal ativa do segurado, referente à restituição de valores em virtude de tutela antecipada posteriormente revogada (e-STJ fls. 189/190): Ainda que o Tema 692 do STJ autorize o ressarcimento de valores recebidos a título de antecipação de tutela revogada, tenho que a renda mensal do benefício do segurado não pode resultar inferior a um salário mínimo. Nesse sentido, os seguintes precedentes desta Corte: AGRAVO DE INSTRUMENTO. PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. RESSARCIMENTO DE VALORES. GARANTIA DO MÍNIMO EXISTENCIAL. Tratando-se de ressarcimento de
importância de prestação previdenciária indevidamente recebida pelo segurado com reconhecida má- fé, a aplicação de qualquer desconto sobre o benefício ativo de sua titularidade não pode reduzir seus proventos a quantia inferior ao salário mínimo, sob pena de ofensa à garantia constitucional de remuneração mínima (art. 201, § 2º, CF) e ao princípio da dignidade humana, insculpido no inciso III do art. 1º da Constituição Federal. (TRF4, AG 5003366-70.2024.4.04.0000, NONA TURMA, Relator CELSO KIPPER, juntado aos autos em 22/04/2024) .. Convém referir, por oportuno, o julgamento havido nos autos da Ação Rescisória nº 50202323220194040000/PR, em Juízo de retratação apreciado pela 3ª Seção deste Tribunal, que em 26/04/2023 decidiu, por maioria, confirmar essa tese: PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. DECISÃO CITRA PETITA. TUTELA PROVISÓRIA. DEVOLUÇÃO DOS VALORES RECEBIDOS. TEMA 692 STJ. POSSIBILIDADE. MANUTENÇÃO DO MÍNIMO EXISTENCIA. (..) 8. Em juízo de retratação, a ação rescisória é parcialmente procedente para, em juízo rescindendo, rescindir o julgado por citra petita. E, em juízo rescisório, apelação da parte autora parcialmente provida nos autos originários, para reconhecer a repetibilidade dos valores recebidos por força de antecipação de tutela posteriormente revogada, observada a necessidade de garantia do mínimo existencial. (TRF4, AÇÃO RESCISÓRIA (SEÇÃO)
Nº 5020232-32.2019.4.04.0000, 3ª Seção, Desembargador Federal ROGER RAUPP RIOS, POR MAIORIA, VENCIDOS A RELATORA, JUNTADO AOS AUTOS EM 27/04/2023) - grifado. Desta forma, tenho que a aplicação do Tema 692 do STJ deve observar o respeito ao valor integral, líquido, do salário mínimo em cada competência a ser descontada, em interpretação conforme a constituição do art. 115, III, da Lei 8.213/91. (Grifos acrescidos). Pois bem, tenho que razão assiste ao recorrente. Como é cediço, no julgamento da Pet n. 12.482/DF, a Primeira Seção desta Corte ratificou o entendimento anteriormente firmado no julgamento do Tema repetitivo n. 692 do STJ, segundo o qual a reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela obriga a parte autora à restituição dos valores recebidos. Segundo se colhe da certidão do aludido julgamento, o Colegiado incluiu o percentual máximo para a cobrança, conforme a redação do inciso II do art. 115 da Lei n. 8.213/1991, dada pela Lei n. 13.846/2019: A Primeira Seção, por unanimidade, acolheu a questão de ordem para reafirmar a tese jurídica contida no Tema Repetitivo 692/STJ, com acréscimo redacional para ajuste à nova legislação de regência, nos seguintes termos: A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto
em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago, nos termos d voto do Sr. Ministro Relator". Do inteiro teor do voto proferido no aludido julgado, vê-se que o relator, Min. Og Fernandes, quis destacar algumas premissas que se mostram necessárias para o deslinde da controvérsia em debate nestes autos, quais sejam: (i) a partir da alteração introduzida pela MP n. 871/2019, convertida na Lei n. 13.846/2019, ao art. 115, II, da Lei de Benefícios da Previdência Social, não há mais espaço para a dispensa de restituição ao estado anterior ao deferimento da tutela; (ii) a postura de afastar, a pretexto de interpretar, sem a devida declaração de inconstitucionalidade, a aplicação do art. 115, inc. II, da Lei n. 8.213/1991, sem observância do disposto no art. 97 da CF/1988 afronta a Súmula Vinculante n. 10 do STF; (iii) o STF decidiu, no Tema 799 da Repercussão Geral (ARE 722.421/MG), que a discussão sobre a devolução de valores recebidos em virtude de concessão de antecipação de tutela posteriormente revogada tem natureza infraconstitucional; e (iv) não há falar em modulação dos efeitos do julgado, uma vez que inexistiu alteração de jurisprudência dominante, como exige o art. 927, § 3º, do CPC/2015. Impende observar, ainda, que o legislador, ao fixar um limite (de até 30%) para a realização do desconto nas situações em
que o segurado ainda tiver percebendo um benefício, fê-lo estabelecendo a ponderação entre a exigibilidade da prestação pecuniária antecipada e a situação econômica do beneficiário que teve cassada a tutela judicial, dando certa margem de discricionariedade à Administração autárquica para a realização dos descontos sem deixar de levar em consideração a hipossuficiência do segurado e/ou dependente. No entanto, a compreensão expansiva dada pela Corte de origem, s.m.j., não se coaduna com a intenção do legislador, pois cria uma exceção à regra da reversibilidade da medida antecipatória revogada. Desse modo, conclui-se que a interpretação adotada pela Corte de origem afasta-se da orientação firmada no precedente qualificado, visto que, ao acrescentar uma hipótese de dispensa à devolução dos valores pagos por força de antecipação de tutela, posteriormente revogada, sem a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal, nega vigência à própria norma definida no art. 115, II, da LB, bem como afronta o art. 927, III, do CPC/2015, devendo, por isso, ser reformada. Nesse sentido, a título ilustrativo, o seguinte julgado: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. VALORES PAGOS POR DECISÃO PRECÁRIA. DEVOLUÇÃO. SÚMULA 126 DO STJ. NÃO INCIDÊNCIA. TEMA 692 DO STJ. REAFIRMAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA: PET 12.482/DF. DESCONTO SOBRE BENEFÍCIOS DE VALOR MÍNIMO. POSSIBILIDADE.
1. No tocante ao tema da restituição de benefício previdenciário concedido por decisão judicial precária, não há falar em incidência da Súmula 126 do STJ diante do entendimento do Supremo Tribunal Federal no Tema 799 de que se trata de questão cuja natureza é infraconstitucional e a ela atribuem-se os efeitos da ausência de repercussão geral.
2. No julgamento da Pet n. 12.482/DF, a Primeira Seção desta Corte ratificou o entendimento anteriormente firmado no julgamento do Tema repetitivo n. 692 do STJ, segundo o qual "A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago".
3. O legislador, ao fixar um limite (de até 30%) para a realização do desconto nas situações em que o segurado ainda tiver percebendo um benefício, o fez estabelecendo a ponderação entre a exigibilidade da prestação pecuniária antecipada e a situação econômica do beneficiário que teve cassada a tutela judicial, dando certa margem de discricionariedade à Administração autárquica para a realização dos descontos sem deixar de levar em consideração a hipossuficiência do segurado e/ou dependente.
4. Caso em que o Tribunal de origem deu parcial provimento ao agravo de instrumento interposto pela autarquia por considerar que, não obstante a jurisprudência do STJ tenha se firmado no sentido de que a lei autoriza o desconto de até 30% do valor do benefício, a quantia resultante não pode ser inferior a um salário mínimo.
5. A interpretação adotada pela Corte Regional afasta-se da orientação firmada no precedente qualificado do STJ, na medida em que, ao acrescentar uma hipótese de dispensa à devolução dos valores pagos por força de antecipação de tutela, posteriormente revogada, sem a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal, cria uma exceção à regra da reversibilidade da medida antecipatória revogada, negando vigência à própria norma definida no art. 115, II, da LB, bem como afrontando o art. 927, III, do CPC/2015, devendo, por isso, ser reformada.
6. Recurso especial provido (REsp n. 2.084.815/RS, de minha relatoria, julgado em 10/10/2023). Portanto, não há outras limitações impostas, devendo a restituição prosseguir por meio de descontos em valor que não exceda 30% da importância do eventual benefício ativo. Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, DOU PROVIMENTO ao recurso especial para reconhecer o direito à restituição dos valores por meio de descont os em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância do benefício ativo do segurado. Publique-se. Intimem-se.
EMENTA
Case-aware research
Ask AI about this case
The judgment and available research above are public. New questions open in a separate private conversation grounded in this case.