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Superior Tribunal de Justiça

Direitodeimagem Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3e59156a15da909d2e79aa

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01

Holding and result

O Superior Tribunal de Justiça entendeu que a utilização, sem autorização, da imagem do ex-jogador em álbum de figurinhas configura ato ilícito distinto do direito de arena, sendo aplicável a regra de que o dano moral por uso indevido da imagem é in re ipsa (Súmula 403/STJ); por isso deu provimento ao recurso e condenou a ré ao pagamento de R$ 10.000,00, com juros e atualização monetária conforme indicado no acórdão.

Court disposition

Recurso especial provido por unanimidade

Orders

  • Condenar a ré ao pagamento de danos morais no importe de R$ 10.000,00, com juros de mora desde a data do evento danoso e correção monetária desde a data do arbitramento.

02

Material facts

Parties

ALEX JOSÉ ARCANJO DOS SANTOS

Recorrente

Amounts and remedies

  • Danos Morais: BRL 10,000

03

Procedural history

  1. Posture

    Recurso Especial / Acórdão (julgamento Na Quarta Turma)

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
O recorrente alega que é necessária autorização para o uso de sua imagem, mesmo como coadjuvante, e que a utilização de sua fotografia em álbum de figurinhas comercial sem autorização viola direitos de personalidade, ensejando indenização por danos morais, não sendo aplicável o direito de arena ao caso.
Respondent
O acórdão recorrido entendeu que a fotografia inserida no livro ilustrado retrata o grupo de jogadores em registro coletivo realizado na arena após a conquista do campeonato, sendo coadjuvante à narrativa histórica da agremiação, e, consequentemente, enquadrável no direito de arena (art. 42 da Lei Pelé) ou em excludente que afasta a obrigação de indenizar.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Súmula 403/STJ

    O dano moral por violação do direito à imagem decorre do simples uso indevido, independentemente da prova de prejuízo efetivo (dano in re ipsa).

  2. 02

    Art. 42 da Lei nº 9.615/98; REsp 67.292/RJ

    O direito de arena atribuído às entidades desportivas limita-se à fixação, transmissão e retransmissão de espetáculo esportivo e não alcança a utilização da imagem por meio de álbum de figurinhas.

  3. 03

    Jurisprudência do STJ (ex.: REsp 1.219.197/RS; AgInt no REsp 2.075.840/SP)

    A exploração não autorizada da imagem de jogador de futebol em álbum de figurinhas, publicado com intuito comercial, constitui prática ilícita que enseja reparação do dano.

  4. 04

    Arts. 20, 186, 187 e 927 do Código Civil

    A indenização pela violação do direito de imagem obedece às regras gerais de responsabilidade civil.

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

O Superior Tribunal de Justiça entendeu que a utilização, sem autorização, da imagem do ex-jogador em álbum de figurinhas configura ato ilícito distinto do direito de arena, sendo aplicável a regra de que o dano moral por uso indevido da imagem é in re ipsa (Súmula 403/STJ); por isso deu provimento ao recurso e condenou a ré ao pagamento de R$ 10.000,00, com juros e atualização monetária conforme indicado no acórdão.

Obiter and limits

  • Citação da interpretação conforme da ADI 4.815 pelo STF sobre desnecessidade de autorização para biografias e retratos de coadjuvantes
  • Observação de que a indenização pela violação do direito de imagem não se submete ao regramento da Lei Pelé, mas às regras gerais de responsabilidade civil
  • Jurisprudência consolidada da Corte sobre impossibilidade de reexame de matéria fático-probatória em recurso especial (Súmula 7/STJ) salvo hipóteses excepcionais quanto ao valor da indenização

Court disposition

Recurso especial provido por unanimidade

  • Condenar a ré ao pagamento de danos morais no importe de R$ 10.000,00, com juros de mora desde a data do evento danoso e correção monetária desde a data do arbitramento.

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ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 25/03/2025 a 31/03/2025, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.

EMENTA DIREITO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ÁLBUM DE FIGURINHAS. JOGADOR DE FUTEBOL. USO DE IMAGEM SEM AUTORIZAÇÃO. DIREITO DE IMAGEM QUE NÃO SE CONFUNDE COM DIREITO DE ARENA. DANOS MORAIS INDENIZÁVEIS, NA MODALIDADE IN RE IPSA. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. "A exploração não autorizada da imagem de jogador de futebol em álbum de figurinhas, publicado com intuito comercial, constitui prática ilícita, que enseja reparação do dano" (AgInt no REsp 2.075.840/SP, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 9/12/2024, DJEN de 13/12/2024). 2. "O direito de arena, que a lei atribui às entidades desportivas, limita-se à fixação, transmissão e retransmissão de espetáculo esportivo, não alcançando o uso da imagem havido por meio da edição de "álbum de figurinhas" (REsp 67.292/RJ, Relator MINISTRO BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, julgado em 3/12/1998, DJ de 12/4/1999, p. 153).

3. Nos termos da jurisprudência, os danos morais em virtude de violação do direito à imagem decorrem de seu simples uso indevido, sendo prescindível, em tais casos, a comprovação da existência de prejuízo efetivo à honra ou ao bom nome do titular daquele direito, pois o dano é "in re ipsa" (Súmula 403/STJ).

4. Recurso especial a que se dá provimento, para condenar a parte ré ao pagamento de danos morais no importe de R$ 10.000,00 (dez mil reais).

RELATÓRIO Trata-se de recurso especial interposto por ALEX JOSÉ ARCANJO DOS SANTOS, com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão do eg. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: "EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL DIREITO DE IMAGEM EX- JOGADOR DE FUTEBOL AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO "LIVRO ILUSTRADO 100 ANOS DO FORTALEZA ESPORTE CLUBE" COMERCIALIZADO PELA RÉ Sentença de improcedência Manutenção Caso em exame que se reveste de particularidades que não podem passar despercebidas e que afastam a aplicação da Súmula nº 403, do C. STJ Aparição do autor em meio ao grupo retratado em caráter coadjuvante à narrativa pertinente à história e às conquistas da agremiação esportiva, especificamente da conquista do título do Campeonato Cearense de Futebol de 2010 Recurso desprovido. " (fl.

316) Em suas razões recursais, a parte recorrente alega ofensa aos arts. 20, 21, 186, 927 e 944 do Código Civil, e art. 42 da Lei 9.615/98 (Lei Pelé), e divergência jurisprudencial, sustentando, em síntese, que: (a) é necessária autorização para o uso da imagem do autor, mesmo em obras de caráter biográfico ou literário, e ainda que se trate de coadjuvantes; (b) a utilização da imagem do recorrente em álbum de figurinhas comemorativo sem sua autorização viola seus direitos de personalidade, configurando ato ilícito que enseja reparação por danos morais, conforme a jurisprudência do STJ (Súmula 403); (c) o acórdão recorrido aplicou indevidamente o conceito de direito de arena, que não se aplica ao caso, pois a exploração da imagem do autor não ocorreu em um contexto de espetáculo esportivo, mas sim em um álbum de figurinhas comercializado pela recorrida. Sem contrarrazões (vide certidão de fl. 358). É o relatório.

EMENTA DIREITO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ÁLBUM DE FIGURINHAS. JOGADOR DE FUTEBOL. USO DE IMAGEM SEM AUTORIZAÇÃO. DIREITO DE IMAGEM QUE NÃO SE CONFUNDE COM DIREITO DE ARENA. DANOS MORAIS INDENIZÁVEIS, NA MODALIDADE IN RE IPSA. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. "A exploração não autorizada da imagem de jogador de futebol em álbum de figurinhas, publicado com intuito comercial, constitui prática ilícita, que enseja reparação do dano" (AgInt no REsp 2.075.840/SP, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 9/12/2024, DJEN de 13/12/2024). 2. "O direito de arena, que a lei atribui às entidades desportivas, limita-se à fixação, transmissão e retransmissão de espetáculo esportivo, não alcançando o uso da imagem havido por meio da edição de "álbum de figurinhas" (REsp 67.292/RJ, Relator MINISTRO BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, julgado em 3/12/1998, DJ de 12/4/1999, p. 153).

3. Nos termos da jurisprudência, os danos morais em virtude de violação do direito à imagem decorrem de seu simples uso indevido, sendo prescindível, em tais casos, a comprovação da existência de prejuízo efetivo à honra ou ao bom nome do titular daquele direito, pois o dano é "in re ipsa" (Súmula 403/STJ).

4. Recurso especial a que se dá provimento, para condenar a parte ré ao pagamento de danos morais no importe de R$ 10.000,00 (dez mil reais).

VOTO Conforme se extrai dos autos, o recorrente ALEX JOSÉ ARCANJO DOS SANTOS, ex-jogador de futebol conhecido por Alex Gaibú, ajuizou ação de indenização por danos morais em face da ora recorrida, pleiteando o pagamento de indenização pelo uso não autorizado de sua imagem, no álbum de figurinhas denominado "LIVRO ILUSTRADO 100 ANOS DO FORTALEZA ESPORTE CLUBE". As instâncias ordinárias julgaram o pedido improcedente, sob o fundamento de que o álbum de figurinhas não veiculou imagem individual do recorrente, mas fotografia de todo o time de futebol tirada no seio da arena após a conquista do título do Campeonato Cearense de Futebol de 2010, estando inserida, portanto, no âmbito do direito de arena previsto no art. 42 da Lei Pelé, não havendo que se falar em dano moral indenizável. É o que se extrai do seguinte trecho do v. acórdão recorrido: "9. Ingressando no exame do mérito do pleito indenizatório, observa-se que este está fundado na publicação da fotografia acostada às fls. 51, a qual ilustra o GRUPO DE JOGADORES que conquistou o título do Campeonato Cearense de Futebol de 2010.

10. O autor está dentre as 34 pessoas reunidas em tal registro fotográfico, pontuando a ausência de sua autorização para que tal imagem fosse incluída no livro ilustrado publicado pela ré.

11. In casu, entretanto, dada as particularidades do registro da imagem publicada no mencionado "LIVRO ILUSTRADO 100 ANOS DO FORTALEZA ESPORTE CLUBE", as quais não pode passar despercebidas, entendo que não há falar em danos morais passíveis de indenização.

12. Não se desconhece os termos do entendimento sedimentado pela Súmula nº 403 do C. STJ: "Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais".

13. Todavia, não se pode olvidar que o dever de indenizar comporta abrandamento em casos específicos.

14. Cumpre ponderar que o C. SFT, ao julgar a ADI 4.815, conferiu interpretação conforme à Constituição aos artigos 20 e 21 do Código Civil, declarando ser desnecessária a autorização de pessoas retratadas como coadjuvantes em obras biográficas, literárias ou audiovisuais, in verbis: "Voto no sentido de julgar procedente a presente ação direta de inconstitucionalidade, para dar interpretação conforme à Constituição da República aos arts. 20 e 21 do Código Civil, sem redução de texto, para: a) em consonância com os direitos fundamentais à liberdade de pensamento e de sua expressão, de criação artística e produção científica, declarar inexigível o consentimento de pessoa biografada relativamente a obras biográficas, literárias ou audiovisuais, fixada genericamente na regra civil, sendo por igual desnecessária autorização de pessoas retratadas como coadjuvantes (ou de seus familiares, em caso de pessoas falecidas)".

15. Nesse diapasão, entendo que a divulgação da imagem do autor, porquanto inserida em registro fotográfico de equipe desportiva ao final de disputa da partida que proporcionou ao FORTALEZA ESPORTE CLUBE a conquista do Campeonato Cearense de Futebol de 2010, por meio de obra literária ilustrada voltada a narrar a história de agremiação esportiva, prescinde de autorização dos retratados.

16. Afinal, não se trata de exploração individual da imagem do autor como ex-jogador de futebol, inexistindo qualquer conteúdo vexatório, consubstanciando referência à evento esportivo de exibição pública, o que não resvala na intimidade dos retratados, e cuja captura e veiculação se deu nos moldes do artigo 42, da Lei nº 9.615/98 ("Lei Pelé"): "Art.

42. Pertence às entidades de prática desportiva o direito de arena, consistente na prerrogativa exclusiva de negociar, autorizar ou proibir a captação, a fixação, a emissão, a transmissão, a retransmissão ou a reprodução de imagens, por qualquer meio ou processo, de espetáculo desportivo de que participem. § 1º Salvo convenção coletiva de trabalho em contrário, 5% (cinco por cento) da receita proveniente da exploração de direitos desportivos audiovisuais serão repassados aos sindicatos de atletas profissionais, e estes distribuirão, em partes iguais, aos atletas profissionais participantes do espetáculo, como parcela de natureza civil".

17. Assim, considerando ser um registro fotográfico ocorrido no seio da arena esportiva quando da execução de partida final de campeonato de futebol, não há falar em dano passível de indenização, devendo a r. sentença de improcedência ser mantida." Sobre a questão, esta Corte possui entendimento pacificado em ambas as Turmas que compõem a Segunda Seção no sentido de que "A exploração não autorizada da imagem de jogador de futebol em álbum de figurinhas, publicado com intuito comercial, constitui prática ilícita, que enseja reparação do dano" (REsp 1.219.197/RS, Relator Ministro Sidnei Beneti, Terceira Turma, julgado em 4/10/2011, DJe de 17/10/2011). Nesse mesmo sentido: "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. ÁLBUM DE FIGURINHAS. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO DE PUBLICAÇÃO DE IMAGEM DE JOGADOR. INTUITO COMERCIAL. PRÁTICA ILÍCITA. REPARAÇÃO DO DANO. CABIMENTO. SÚMULA 83 DO STJ. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO CONTINUADA. REVISÃO DO MONTANTE DE DANOS MORAIS. INCABÍVEL. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.

1. A suspensão de recursos prevista no art. 1037, II, do CPC/2015 destina-se aos Tribunais Regionais Federais e aos Tribunais de Justiça dos Estados, não se aplicando aos processos já encaminhados ao STJ, por ausência de previsão legal.

2. Ausente o prequestionamento, exigido inclusive para as matérias de ordem pública, incidem os óbices dos enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF.

3. A exploração não autorizada da imagem de jogador de futebol em álbum de figurinhas, publicado com intuito comercial, constitui prática ilícita, que enseja reparação do dano. 4.No tocante à prescrição da ação de indenização decorrente do uso não autorizado da imagem de jogador de futebol, o termo inicial é a data da lesão do direito, e não a da respectiva ciência, que se dá no momento do lançamento dos jogos e a sua colocação no mercado de consumo (distribuição). Precedentes.

5. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória e a interpretação de cláusulas contratuais (Súmulas 5 e 7/STJ).

6. Admite a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, excepcionalmente, em recurso especial, reexaminar o valor fixado a título de indenização por danos morais, quando ínfimo ou exagerado. Hipótese, todavia, em que o valor foi estabelecido na instância ordinária, atendendo às circunstâncias de fato da causa, de forma condizente com os princípios da proporcionalidade e razoabilidade.

7. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no REsp n. 2.075.840/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 9/12/2024, DJEN de 13/12/2024, g.n.) "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. INSURGÊNCIA RECURSAL DA DEMANDADA.

1. De acordo com a jurisprudência desta E. Corte, "A exploração não autorizada da imagem de jogador de futebol em álbum de figurinhas, publicado com intuito comercial, constitui prática ilícita, que enseja reparação do dano" (REsp n. 1.219.197/RS, relator Ministro Sidnei Beneti, Terceira Turma, julgado em 4/10/2011, DJe de 17/10/2011). Incidência da Súmula 83 do STJ. 1.1. Rever as conclusões do Tribunal local acerca da presença dos elementos ensejadores da responsabilidade civil, no caso concreto, apenas seria possível mediante o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, providência que encontra óbice na Súmula 7/STJ. Precedentes.

2. O valor total fixado para a indenização por danos morais, qual seja, R$10.000,00 (dez mil reais), não se mostra excessivo a justificar a excepcional intervenção desta Corte no presente feito, atraindo a incidência da Súmula 7/STJ.

3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.160.432/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 11/11/2024, DJe de 14/11/2024, g.n.) "CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. USO DE IMAGEM SEM AUTORIZAÇÃO. ÁLBUM DE FIGURINHAS. DANO MORAL INDENIZÁVEL. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. VALOR DA INDENIZAÇÃO. RAZOABILIDADE. REVISÃO. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. "A exploração não autorizada da imagem de jogador de futebol em álbum de figurinhas, publicado com intuito comercial, enseja reparação do dano" (AgInt no REsp n. 2.037.323/SP, relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 11/9/2023, DJe de 14/9/2023).

2. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula n. 7 do STJ).

3. Somente em hipóteses excepcionais, quando irrisório ou exorbitante o valor da indenização por danos morais arbitrado na origem, a jurisprudência desta Corte permite o afastamento da Súmula n. 7/STJ para possibilitar a revisão. No caso, o valor estabelecido pela Corte de origem não se mostra desproporcional, a justificar sua reavaliação em recurso especial.

4. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no REsp n. 2.160.388/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de 2/10/2024, g.n.) "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. RECURSOS REPETITIVOS. RITO. QUESTÃO NÃO AFETADA. SUSPENSÃO DO FEITO. NÃO CABIMENTO. IMAGEM DE ATLETA. ÁLBUM DE FIGURINHAS. AUTORIZAÇÃO. AUSÊNCIA. ATO ILÍCITO. CARACTERIZAÇÃO. DANOS MORAIS. CONFIGURAÇÃO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. DANOS MORAIS. VALOR. REDUÇÃO. SÚMULA Nº 7/STJ.

1. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos REsp nºs 2.011.252/SP e 2.011.265/SP, rejeitou a proposta de afetação do tema em discussão ao rito dos recursos repetitivos, de forma que não há falar na suspensão do julgamento do presente recurso.

2. A exploração indevida da imagem de jogadores de futebol em álbum de figurinhas, com fins lucrativos e sem o consentimento dos atletas, constitui prática ilícita a ensejar o pagamento de indenização por danos morais.

3. Na hipótese, rever o entendimento firmado pelas instâncias ordinárias acerca dos danos morais decorrentes da veiculação não autorizada da imagem do atleta em álbum de figurinhas demandaria o reexame de matéria fático-probatória, providência vedada pela Súmula nº 7/STJ.

4. O Superior Tribunal de Justiça, afastando a incidência da Súmula nº 7/STJ, tem reexaminado o montante fixado pelas instâncias ordinárias apenas quando irrisório ou abusivo, circunstâncias inexistentes no presente caso, em que arbitrada indenização no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), decorrente da veiculação não autorizada da imagem do atleta em álbum de figurinhas.

5. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento firmado no sentido de que o não conhecimento ou a improcedência do agravo interno não enseja a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC, sendo indispensável o nítido não cabimento do recurso.

6. Agravo interno não provido." (AgInt no REsp n. 2.076.276/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 15/5/2024, g.n.) Além disso, esta Corte também há muito sedimentou o entendimento de que "O direito de arena, que a lei atribui às entidades desportivas, limita-se à fixação, transmissão e retransmissão de espetáculo esportivo, não alcançando o uso da imagem havido por meio da edição de "álbum de figurinhas" (REsp 67.292/RJ, Relator Ministro Barros Monteiro, Quarta Turma, julgado em 3/12/1998, DJ de 12/4/1999, p. 153). Nesse mesmo sentido, colhem-se os seguintes julgados: "CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. AUSÊNCIA. VIOLAÇÃO DE DIREITO DE IMAGEM DE ÁRBITRO DE FUTEBOL. EXIBIÇÃO DE MARCA DE PATROCINADOR NO UNIFORME USADO DURANTE OS JOGOS. DIREITO DE IMAGEM QUE NÃO SE CONFUNDE COM DIREITO DE ARENA. OBSERVÂNCIA DOS ARTS. 20, 186, 187 E 927 DO CC/2002. RESPONSABILIDADE DO PATROCINADOR. AUSÊNCIA. CONDUTA QUE SE LIMITA A ADQUIRIR OS DIREITOS DE EXIBIÇÃO DE MARCA NO UNIFORME OFICIAL. AUSÊNCIA DE IMPOSIÇÃO DO USO DO UNIFORME PELO PATROCINADOR. ATO PRATICADO, EM TESE, PELA ENTIDADE DESPORTIVA QUE CONTRATA A EQUIPE ARBITRAL. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO EM RELAÇÃO AO PATROCINADOR. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO.

1. Ação de indenização por danos materiais e morais, ajuizada em 13/11/2017, da qual foi extraído o presente recurso especial, interposto em 27/7/2021 e concluso ao gabinete em 10/2/2022.

2. O propósito recursal é decidir se (I) houve negativa de prestação jurisdicional; e (II) a patrocinadora que adquiriu o direito de exibir sua marca em uniforme oficial da equipe de arbitragem responde por eventual violação do direito de imagem do árbitro de futebol, em decorrência do uso, supostamente não autorizado, de sua imagem para fins comerciais.

3. Não há ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, quando o Tribunal de origem examina de forma fundamentada, a questão submetida à apreciação judicial na medida necessária para o deslinde da controvérsia, ainda que em sentido contrário à pretensão da parte. Precedentes.

4. A indenização pela violação do direito de imagem, de forma individualizada, ainda que de participante em evento desportivo, obedece às regras gerais de responsabilidade civil, na forma dos arts. 20, 186, 187 e 927 do CC/2002, não se confundindo com o direito de arena previsto no art. 42, § 1º, da Lei nº 9.615/1998.

5. Segundo a jurisprudência desta Corte, a obrigação da reparação pelo uso não autorizado de imagem decorre do próprio uso indevido do direito personalíssimo, independentemente da comprovação do dano moral sofrido.

6. A conduta do patrocinador de adquirir o direito de exibir sua marca no uniforme oficial da equipe de arbitragem não caracteriza, por si só, violação ao direito de imagem do árbitro de futebol. A violação, se caracterizada, decorreria do ato da entidade desportiva que contratou e eventualmente obrigou o árbitro a usar o referido uniforme, sem o seu consentimento, dependendo das condições em que isso ocorreu.

7. Hipótese em que (I) a ação indenizatória foi ajuizada exclusivamente contra a Patrocinadora recorrida, que tão somente adquiriu, de patrocinadoras anteriores, o direito de exibir sua marca nos uniformes cedidos pela CBF aos árbitros; (II) a recorrida não utilizou a imagem do recorrente em propagandas individuais; (III) assim, a Patrocinadora não praticou nenhum ato ilícito, uma vez que a sua conduta não é causa do suposto uso indevido da imagem do árbitro; (IV) afastada a responsabilidade da Patrocinadora, o respectivo pedido indenizatório deve ser julgado improcedente, como bem decidiu o acórdão recorrido.

8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, não provido." (REsp n. 1.982.917/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 3/10/2023, DJe de 9/10/2023, g.n.) "AGRAVO INTERNO. ÁRBITROS DE PARTIDAS DE FUTEBOL. DIREITO DE ARENA. INEXISTÊNCIA. DIREITO DE ARENA NÃO SE CONFUNDE COM O DIREITO À IMAGEM. AUSÊNCIA DE NEGATIVA DE VIGÊNCIA AO ART. 42, CAPUT, § 1º, DA LEI 9.615, DE 1998, E AO ART. 20 DO CC 2002. AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO." (AgInt no REsp n. 1.620.483/RJ, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 25/4/2022, DJe de 28/4/2022, g.n.) "CIVIL E PROCESSUAL. ÁLBUM DE FIGURINHAS ( HERÓIS DO TRI ) SOBRE A CAMPANHA DO BRASIL NAS COPAS DE 1958, 1962 E 1970. USO DE FOTOGRAFIA DE JOGADOR SEM AUTORIZAÇÃO DOS SUCESSORES. DIREITO DE IMAGEM. VIOLAÇÃO. LEI N. 5.988, DE 14.12.1973, ART.

100. EXEGESE. LEGITIMIDADE ATIVA DA VIÚVA MEEIRA E HERDEIROS. CPC, ARTS. 12, V, E 991, I. CONTRARIEDADE INOCORRENTE. I. A viúva e os herdeiros do jogador falecido são parte legitimada ativamente para promoverem ação de indenização pelo uso indevido da imagem do de cujus, se não chegou a ser formalmente constituído espólio ante a inexistência de bens a inventariar. II. Constitui violação ao Direito de Imagem, que não se confunde com o de Arena, a publicação, carente de autorização dos sucessores do de cujus, de fotografia do jogador em álbum de figurinhas alusivo à campanha do tricampeonato mundial de futebol, devida, em conseqüência, a respectiva indenização, ainda que elogiosa a publicação. III. Recurso especial não conhecido." (REsp n. 113.963/SP, relator Ministro Aldir Passarinho Junior, Quarta Turma, julgado em 20/9/2005, DJ de 10/10/2005, p. 369, g.n.) Nesse contexto, tem-se que a indenização pela violação ao direito de imagem em razão de utilização, sem autorização, da imagem de ex-jogador de futebol em álbum de figurinhas não se sujeita ao regramento da Lei Pelé, mas às regras gerais de responsabilidade civil (arts. 20, 186, 187 e 927 do CC). Portanto, considerando que há entendimento jurisprudencial firmado de que (i) "Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais" (Súmula 403 do STJ), e

de que (ii) efetivamente constitui violação ao direito de imagem a utilização de fotografia de jogador em álbum de figurinhas sem sua autorização, mostra-se devida a indenização dos danos morais causados ao recorrente. Assim, deve ser provido o recurso especial a fim de condenar a parte ré, ora recorrida, ao pagamento de danos morais, fixados, em atenção aos padrões estabelecidos para casos semelhantes por este Tribunal, em R$ 10.000,00 (dez mil reais), com juros de mora desde a data do evento danoso e correção monetária desde a data do arbitramento. Ante o exposto, dá-se provimento ao recurso especial para condenar a ré ao pagamento de danos morais no importe de R$ 10.000,00 (dez mil reais). É como voto.

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

AgInt no REsp 2.075.840/SP

Case cited

REsp 1.219.197/RS

Case cited

REsp 67.292/RJ

Case cited

AgInt no REsp 2.037.323/SP

Case cited

REsp 1.982.917/SP

Case cited

REsp 113.963/SP

Case cited

AgInt no REsp 2.160.432/SP

Case cited

AgInt no REsp 2.160.388/SP

Case cited

AgInt no REsp 2.076.276/SP

Case cited

ADI 4.815

Case cited

art. 105, III, a e c, da Constituição Federal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

arts. 20, 21, 186, 927 e 944 do Código Civil

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Art. 42 da Lei nº 9.615/1998 (Lei Pelé)

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 403/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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