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Superior Tribunal de Justiça

Direitointertemporal Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dc7027ccdbf40b1721b30

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01

Holding and result

Aplicou-se a Lei n.13.954/2019 ao caso porque o autor permaneceu vinculado às Forças Armadas até a publicação do ato de desincorporação em 9/4/2021, posterior à entrada em vigor da lei; não havendo incapacidade total e permanente para qualquer atividade laboral (apenas incapacidade definitiva para atividade militar), a desincorporação está em conformidade com o art.109, §3º, da Lei n.6.880/1980, de modo que não assiste ao autor o direito à reforma.

Court disposition

Agravo interno improvido

Orders

  • Agravo interno improvido

02

Material facts

Parties

Elissandro Dias Ribeiro

Autor

União

Réu

03

Procedural history

  1. Posture

    Agravo Interno Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (acórdão Pela Segunda Turma)

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
A União sustentou que a nova redação introduzida pela Lei n.13.954/2019 deve ser aplicada ao caso por o militar ter permanecido vinculado às Forças Armadas até publicação do ato de desincorporação, apontou ofensa a diversos dispositivos da Lei n.6.880/1980 na redação dada pela Lei n.13.954/2019 e alegou dissídio jurisprudencial. Em agravo interno, a parte agravante afirmou que houve ausência de ataque a fundamentos capazes de manter a decisão agravada e invocou, por analogia, a Súmula 182 e a vedação ao reexame fático-probatório contida na Súmula 7/STJ para sustentar a manutenção da decisão favorável à União.
Respondent
O autor pleiteou a reforma militar em razão de incapacidade originada em 2003 e sustentou que a Lei n.13.954/2019 não seria aplicável a fatos ocorridos anteriormente à sua entrada em vigor, havendo, segundo a parte, fundamento na legislação e na jurisprudência que reconheceram o direito à reforma com base na redação anterior da Lei n.6.880/1980.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    REsp n. 1.997.556/PE, rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 25/4/2023, DJe 27/4/2023

    Não há direito adquirido a regime jurídico; mudança legislativa que reordena regime jurídico pode atingir relações jurídicas em andamento

  2. 02

    Art. 109, § 3º, Lei n. 6.880/1980

    O militar temporário que não for considerado inválido por estar impossibilitado total e permanentemente para qualquer atividade laboral será licenciado ou desincorporado na forma prevista na legislação do serviço militar (art.109, §3º)

  3. 03

    EDcl no AgInt no AREsp 1.809.319; AgInt no AREsp 1.252.262/AL (citações constantes do acórdão)

    As Súmulas n. 7 e 182/STJ não se aplicam quando há elementos específicos aptos a atacar a decisão que negou provimento ao agravo em recurso especial ou quando a alegação implica mera revaloração jurídica das provas e dos fatos

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Aplicou-se a Lei n.13.954/2019 ao caso porque o autor permaneceu vinculado às Forças Armadas até a publicação do ato de desincorporação em 9/4/2021, posterior à entrada em vigor da lei; não havendo incapacidade total e permanente para qualquer atividade laboral (apenas incapacidade definitiva para atividade militar), a desincorporação está em conformidade com o art.109, §3º, da Lei n.6.880/1980, de modo que não assiste ao autor o direito à reforma.

Obiter and limits

  • Citação de jurisprudência análoga: REsp n. 2.184.605/SP (Primeira Turma)
  • Menção de que a situação dos autos não encontra óbice nas Súmulas n. 7 e 182/STJ
  • Referência ao entendimento de que o vínculo dos militares é de trato sucessivo e sujeito à cláusula rebus sic stantibus

Court disposition

Agravo interno improvido

  • Agravo interno improvido

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ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 04/09/2025 a 10/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela.

EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. MILITAR TEMPORÁRIO. REFORMA. LESÃO DURANTE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇO CASTRENSE. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO. SÚMULAS N. 7 E 182/STJ. INAPLICABILIDADE. LEI N. 6.880/1980, ART. 109, § 3º. INCAPACIDADE PARCIAL DEFINITIVA. REFORMA MILITAR. IMPOSSIBILIDADE. I - Na origem, trata-se de ação ajuizada contra a União, objetivando a sua reforma nos termos do Estatuto do Militares. II - Na sentença, julgou-se procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. Esta Corte conheceu do agravo para dar provimento ao recurso especial e julgar improcedente o pedido. III - Prima facie, cabe ressaltar que a situação descrita nos presentes autos não encontra óbice nas Súmulas n. 7 e 182, ambas desta Corte. IV - Não se aplicam os preceituados nos enunciados das Súmulas n. 7 e 182/STJ quando das alegações apresentadas se depreende a existência de elementos específicos para atacar a decisão que negou provimento ao agravo em recurso especial, combatendo os fundamentos nela insertos ou no caso de mera revaloração jurídica das provas e dos fatos. Nesse sentido: (EDcl no AgInt no AREsp 1.809.319 relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 15/8/23, DJe 17/8/23).(AgInt no AREsp 1.252.262/AL, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, relator p/ acórdão Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 23/10/2018, DJe 20/11/2018). V -

Discute-se nos autos se a Lei Federal n. 13.954/2009 deve ser aplicada a casos ocorridos antes de sua entrada em vigor. VI - Não há direito adquirido a regime jurídico. Assim, havendo uma mudança no regime jurídico a que está submetido o militar, entende-se que a nova conformação legal atinge a relação jurídica em andamento (REsp n. 1.997.556/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 25/4/2023, DJe de 27/4/2023.) VII - Embora a incapacidade parcial definitiva que acomete o autor tenha se originado em 2003, este, ainda que por conta de decisão judicial, encontrava-se vinculado às Forças Armadas até 9/4/2021, data da publicação do ato de desincorporação, ou seja, após a entrada em vigor da Lei n. 13.954/2009. VIII - Mostra-se aplicável ao presente caso a aludida lei. No mesmo sentido, mutatis mutandis: (REsp n. 2.184.605/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 18/3/2025, DJEN de 24/3/2025.) IX - Considerando que o autor é militar temporário que foi acometido por doença que o deixou incapaz definitivamente somente para a atividade militar, não há ilegalidade no ato que determinou a sua desincorporação, uma vez que se encontra alinhado ao disposto no art. 109, § 3º, da Lei n. 6.880/1980 ("O militar temporário que estiver enquadrado em uma das hipóteses previstas nos incisos III, IV e V do caput do art. 108 desta Lei, mas não for considerado inválido por não estar impossibilitado total e permanentemente para qualquer atividade laboral, pública ou privada, será licenciado ou desincorporado na forma prevista na legislação do serviço militar"). X - Agravo interno improvido.

RELATÓRIO Trata-se de agravo interno contra monocrática que decidiu recurso especial interposto pela União, com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF/1988. O recurso especial visa reformar acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, nos termos assim ementados: ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MILITAR. REINTEGRAÇÃO. REFORMA. NEXO CAUSAL ENTRE O SERVIÇO CASTRENSE E A LESÃO. INCAPACIDADE.

1. A Lei nº 13.954/2019 não é aplicável ao caso dos autos, de vez que entrou em vigor em data posterior a do acidente em serviço sofrido pelo autor.

2. Reconhecida a incapacidade do autor para todas as atividades castrenses e para aquelas civis que exijam esforços físicos, cabe resguardar ao autor o direito à reintegração e reforma, no posto ocupado na ativa, nos termos do art. 106, II , c/c art. 108, III, da Lei nº 6.880/80.

3. Apelo desprovido. Na origem, trata-se de ação ajuizada por Elissandro Dias Ribeiro contra a União, objetivando a sua reforma nos termos do Estatuto do Militares. Na sentença, julgou-se procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. Esta Corte conheceu do agravo para dar provimento ao recurso especial e julgar improcedente o pedido. No recurso especial, a União aponta dissídio jurisprudencial e alega ofensa aos arts. 50, IV, a, 94, V, 106, II, a e b, 108, I a V, 109, §1º, §2º, e §3º, 111, §1º e 2º e 121, todos da Lei n. 6.880/1980, com redação dada pela Lei n. 13.954, de 2019, 31, §§ 6º, 7º e 8º, da Lei n. 4.375/1964, c/c o 109, §3º, da Lei n. 6.880/1980, com redação dada pela Lei n. 13.954/2019, 149 do Decreto n. 57.654/1966 e 1.022 do CPC. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, em juízo de reconsideração, torno sem efeito a decisão de fls. 1.022-1.025 e com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, c, do RISTJ, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial e julgar improcedentes os pedidos autorais." Interposto agravo interno, a parte agravante traz argumentos contrários aos fundamentos da decisão, resumidos nestes termos: .. a União deixou de atacar fundamentos que eram capazes de manter o mesmo capítulo da decisão agravada, vício veementemente inadmissível, devendo incidir, por analogia, a regra consubstanciada no

verbete da Súmula 182 do STJ. (..) .. a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, tal como pretende a ora agravada, seria necessário o reexame fático-probatório dos autos, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ. (..) .. deve ser mantido o acórdão regional que, com base no arcabouço probatório dos autos, reconheceu o direito do agravante à reforma com amparo nos arts. 106, II, e 108, III, do Estatuto dos Militares (na redação anterior à dada pela Lei n. 13.954/2019) e em conformidade com o entendimento firmado pela Corte Especial do eg. STJ no julgamento do EREsp n. 1.123.371/RS (relator Ministro Og Fernandes, relator para acórdão Ministro Mauro Campbell Marques, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 12/3/2019). É o relatório.

EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. MILITAR TEMPORÁRIO. REFORMA. LESÃO DURANTE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇO CASTRENSE. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO. SÚMULAS N. 7 E 182/STJ. INAPLICABILIDADE. LEI N. 6.880/1980, ART. 109, § 3º. INCAPACIDADE PARCIAL DEFINITIVA. REFORMA MILITAR. IMPOSSIBILIDADE. I - Na origem, trata-se de ação ajuizada contra a União, objetivando a sua reforma nos termos do Estatuto do Militares. II - Na sentença, julgou-se procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. Esta Corte conheceu do agravo para dar provimento ao recurso especial e julgar improcedente o pedido. III - Prima facie, cabe ressaltar que a situação descrita nos presentes autos não encontra óbice nas Súmulas n. 7 e 182, ambas desta Corte. IV - Não se aplicam os preceituados nos enunciados das Súmulas n. 7 e 182/STJ quando das alegações apresentadas se depreende a existência de elementos específicos para atacar a decisão que negou provimento ao agravo em recurso especial, combatendo os fundamentos nela insertos ou no caso de mera revaloração jurídica das provas e dos fatos. Nesse sentido: (EDcl no AgInt no AREsp 1.809.319 relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 15/8/23, DJe 17/8/23).(AgInt no AREsp 1.252.262/AL, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, relator p/ acórdão Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 23/10/2018, DJe 20/11/2018). V -

Discute-se nos autos se a Lei Federal n. 13.954/2009 deve ser aplicada a casos ocorridos antes de sua entrada em vigor. VI - Não há direito adquirido a regime jurídico. Assim, havendo uma mudança no regime jurídico a que está submetido o militar, entende-se que a nova conformação legal atinge a relação jurídica em andamento (REsp n. 1.997.556/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 25/4/2023, DJe de 27/4/2023.) VII - Embora a incapacidade parcial definitiva que acomete o autor tenha se originado em 2003, este, ainda que por conta de decisão judicial, encontrava-se vinculado às Forças Armadas até 9/4/2021, data da publicação do ato de desincorporação, ou seja, após a entrada em vigor da Lei n. 13.954/2009. VIII - Mostra-se aplicável ao presente caso a aludida lei. No mesmo sentido, mutatis mutandis: (REsp n. 2.184.605/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 18/3/2025, DJEN de 24/3/2025.) IX - Considerando que o autor é militar temporário que foi acometido por doença que o deixou incapaz definitivamente somente para a atividade militar, não há ilegalidade no ato que determinou a sua desincorporação, uma vez que se encontra alinhado ao disposto no art. 109, § 3º, da Lei n. 6.880/1980 ("O militar temporário que estiver enquadrado em uma das hipóteses previstas nos incisos III, IV e V do caput do art. 108 desta Lei, mas não for considerado inválido por não estar impossibilitado total e permanentemente para qualquer atividade laboral, pública ou privada, será licenciado ou desincorporado na forma prevista na legislação do serviço militar"). X - Agravo interno improvido.

VOTO O recurso não merece provimento. Prima facie, cabe ressaltar que a situação descrita nos presentes autos não encontra óbice nas Súmulas n. 7 e 182, ambas desta Corte. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não se aplicam os preceituados nos enunciados das Súmulas n. 7 e 182/STJ quando das alegações apresentadas se depreende a existência de elementos específicos para atacar a decisão que negou provimento ao agravo em recurso especial, combatendo os fundamentos nela insertos ou no caso de mera revaloração jurídica das provas e dos fatos. Nesse sentido: (EDcl no AgInt no AREsp 1.809.319 relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 15/8/23, DJe 17/8/23). (AgInt no AREsp 1.252.262/AL, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, relator p/ acórdão Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 23/10/2018, DJe 20/11/2018.) A decisão monocrática deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Discute-se nos autos se a Lei Federal n. 13.954/2009 deve ser aplicada a casos ocorridos antes de sua entrada em vigor. Com efeito, nos termos do entendimento adotado no Superior Tribunal de Justiça, não há direito adquirido a regime jurídico. Assim, havendo uma mudança no regime jurídico a que está submetido o militar, entende-se que a nova conformação legal atinge a relação jurídica em andamento (REsp n. 1.997.556/PE, relator Ministro

Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 25/4/2023, DJe de 27/4/2023.) No caso dos autos, extrai-se que, embora a incapacidade parcial definitiva que acomete o autor tenha se originado em 2003, este, ainda que por conta de decisão judicial, encontrava-se vinculado às Forças Armadas até 9/4/2021, data da publicação do ato de desincorporação, ou seja, após a entrada em vigor da Lei n. 13.954/2009. Nesse contexto, mostra-se aplicável ao presente caso a aludida lei. No mesmo sentido, mutatis mutandis: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. RECURSO ESPECIAL. DIREITO INTERTEMPORAL. MILITAR TEMPORÁRIO DAS FORÇAS ARMADAS LICENCIADO NA VIGÊNCIA DA LEI N. 13.954/2019. APLICABILIDADE DAS MODIFICAÇÕES TRAZIDAS POR ESTA ÚLTIMA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO A REGIME JURÍDICO ANTERIOR. ACIDENTE EM SERVIÇO. INCAPACIDADE PARCIAL DEFINITIVA. REFORMA MILITAR. DIREITO. AUSÊNCIA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONHECIDO. SÚMULA N. 83/STJ.

1. Cuida-se de recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que confirmou a sentença que, por sua vez, julgou improcedente o pedido de reforma formulado pelo autor, enquanto militar temporário do Exército.

2. O vínculo funcional existente entre os militares em atividade das Forças Armadas e a Administração Pública é de trato sucessivo e, portanto, sujeita-se à cláusula rebus sic stantibus.

3. Segundo inteligência dos arts. 108 e 109 da Lei n. 6.880/1980 (com a redação dada pela Lei n. 13.954/2019): (a) se, em decorrência de ferimento recebido em campanha ou na manutenção da ordem pública; enfermidade contraída em campanha ou na manutenção da ordem pública, ou enfermidade cuja causa eficiente decorra de uma dessas situações, for considerado inválido por estar impossibilitado total e permanentemente para qualquer atividade laboral, pública ou privada, o militar temporário fará jus à reforma; (b) se, em decorrência de acidente em serviço, doença, moléstia ou enfermidade adquirida em tempo de paz, com relação de causa e efeito a condições inerentes ao serviço; tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, lepra, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, mal de Parkinson, pênfigo, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave e outras moléstias que a lei indicar com base nas conclusões da medicina especializada, o militar temporário fará jus à reforma desde que, concomitantemente, seja considerado inválido por estar impossibilitado total e permanentemente para qualquer atividade laboral, pública ou privada. Não sendo esse o caso, será ele licenciado ou desincorporado na forma prevista na legislação do serviço militar.

4. Hipótese em que, ao tempo do ajuizamento da demanda, o autor, ora recorrente, estava no serviço ativo do Exército, na condição de militar temporário, vindo a ser licenciado no curso do processo, em 21/5/2020, motivo pelo qual o direito vindicado deve ser examinado à luz das disposições contidas na Lei n. 13.954/2019.

5. A partir das provas contidas nos autos, em especial, do laudo apresentado pelo perito oficial, o Tribunal de origem concluiu que as sequelas decorrentes do acidente em serviço sofrido pelo autor, ora recorrente, não o tornaram impossibilitado total e permanentemente para qualquer atividade laboral, pública ou privada. Portanto, não tem ele direito à reforma pleiteada. 6. "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida" (Súmula 83/STJ).

7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp n. 2.184.605/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 18/3/2025, DJEN de 24/3/2025.) Desse modo, considerando que o autor é militar temporário que foi acometido por doença que o deixou incapaz definitivamente somente para a atividade militar, não há ilegalidade no ato que determinou a sua desincorporação, uma vez que se encontra alinhado ao disposto no art. 109, § 3º, da Lei n. 6.880/1980 ("O militar temporário que estiver enquadrado em uma das hipóteses previstas nos incisos III, IV e V do caput do art. 108 desta Lei, mas não for considerado inválido por não estar impossibilitado total e permanentemente para qualquer atividade laboral, pública ou privada, será licenciado ou desincorporado na forma prevista na legislação do serviço militar"). Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

EDcl no AgInt no AREsp 1.809.319 (rel. Min. João Otávio de Noronha)

Case cited

AgInt no AREsp 1.252.262/AL (rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, p/ acórdão Min. Benedito Gonçalves)

Case cited

REsp n. 1.997.556/PE (rel. Min. Francisco Falcão)

Case cited

REsp n. 2.184.605/SP (rel. Min. Sérgio Kukina)

Case cited

EREsp n. 1.123.371/RS (rel. Min. Og Fernandes, p/ acórdão Min. Mauro Campbell Marques)

Case cited

CF/1988, art. 105, III, a e c

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 6.880/1980 (art. 50, IV, a; art. 94, V; art. 106, II; art. 108; art. 109, §1º, §2º e §3º; art. 111, §§1º e 2º; art. 121)

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 13.954/2019

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 13.954/2009

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 4.375/1964, art. 31, §§6º,7º e 8º

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Decreto n. 57.654/1966, art. 149

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

CPC, art. 1.022

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

RISTJ, art. 253, parágrafo único, II, c

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 7/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 182/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 83/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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