Dosimetria Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dafc77ccdbf40b1642e75
- Status
- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Mérito (monocrático)
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- Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Mérito (monocrático)
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01
Holding and result
Reconheceu-se que, em delitos patrimoniais, o prejuízo econômico decorrente da não restituição da coisa móvel, quando não extrapola os limites ínsitos ao tipo, não pode fundamentar a valoração negativa das consequências do crime; por isso excluiu-se tal fator na dosimetria do furto, procedendo-se ao redimensionamento da pena conforme art. 59 CP e jurisprudência dominante do STJ.
Court disposition
Conheço e dou provimento ao recurso especial para excluir a valoração negativa das consequências do crime e redimensionar a pena do furto, reformando o acórdão recorrido nos termos da decisão.
Orders
- Conheço e dou provimento ao recurso especial
- Reformo o acórdão recorrido
- Excluo a negativação das consequências do crime em relação ao furto
- Redimensiono a pena do crime de furto para 1 ano e 6 meses de reclusão e 14 dias-multa
- Redimensiono a pena final, em razão do concurso material, para 6 anos de reclusão e 25 dias-multa
- Mantidos os demais capítulos do acórdão e da sentença
- Publique-se
- Intime-se
02
Material facts
Parties
JADSON FABIANO AMARAL SANTANA
RecorrenteMinistério Público do Estado de Minas Gerais
IntervenienteMinistério Público Federal
IntervenienteAmounts and remedies
- Prejuízo Indicado Pelo Acórdão Recorrido: BRL 1,800
- Prejuízo Citado Em Precedente (hc N. 839.713/ms): BRL 900
03
Procedural history
Posture
Recurso Especial / Julgamento De Mérito (monocrático)
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Violação do art. 59 do Código Penal pela valoração negativa das consequências do crime em furto
- 02
Se o prejuízo patrimonial decorrente da não restituição da res autoriza majorar a pena-base nos crimes patrimoniais
Party arguments
- Applicant
- Alega violação ao art. 59 do Código Penal porque o acórdão recorrido negativou as consequências do crime com base em prejuízo patrimonial (não restituição do bem), o que seria elemento próprio do tipo e, portanto, não apto a agravar a pena-base.
- Respondent
- O acórdão recorrido e o Ministério Público estadual sustentaram que a vítima sofreu prejuízo patrimonial de R$ 1.800,00 em razão da não restituição do aparelho celular, justificando a valoração negativa das consequências do crime e a dosimetria aplicada; o Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do recurso.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (HC n. 448.053/TO; HC 219.582/SP; AgRg no REsp n. 2.067.325/MG)
A valoração negativa das consequências em crimes patrimoniais não pode fundamentar-se somente no prejuízo patrimonial decorrente da não restituição da coisa, salvo se demonstrado prejuízo que extrapole os limites ínsitos ao tipo penal.
- 02
art. 59 do Código Penal
Critérios de aplicação das circunstâncias judiciais previstos no art. 59 do Código Penal devem ser observados na dosimetria da pena.
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Reconheceu-se que, em delitos patrimoniais, o prejuízo econômico decorrente da não restituição da coisa móvel, quando não extrapola os limites ínsitos ao tipo, não pode fundamentar a valoração negativa das consequências do crime; por isso excluiu-se tal fator na dosimetria do furto, procedendo-se ao redimensionamento da pena conforme art. 59 CP e jurisprudência dominante do STJ.
Obiter and limits
- A jurisprudência do STJ admite a concessão de habeas corpus de ofício em caso de flagrante ilegalidade na fixação da pena, observadas as restrições doutrinárias sobre substituição de recurso próprio.
- O fato de a vítima não ter tido restituída inteiramente a res furtiva, por si só, não autoriza a exasperação da pena-base quando o prejuízo não extrapola os limites próprios do crime de furto.
Court disposition
Conheço e dou provimento ao recurso especial para excluir a valoração negativa das consequências do crime e redimensionar a pena do furto, reformando o acórdão recorrido nos termos da decisão.
- Conheço e dou provimento ao recurso especial
- Reformo o acórdão recorrido
- Excluo a negativação das consequências do crime em relação ao furto
- Redimensiono a pena do crime de furto para 1 ano e 6 meses de reclusão e 14 dias-multa
- Redimensiono a pena final, em razão do concurso material, para 6 anos de reclusão e 25 dias-multa
- Mantidos os demais capítulos do acórdão e da sentença
- Publique-se
- Intime-se
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
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Judgment reading view
Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por JADSON FABIANO AMARAL SANTANA, bom base no art. 105, III, "a", da Constituição da República, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, alegando violação ao artigo 59 do Código Penal, porque o vetor das consequências do crime foi chumbado sob o fundamento de que a ação delitiva causou prejuízo patrimonial às vítimas, no entanto, esse dado seria elementar do tipo (e-STJ fls. 315-321). O Ministério Público do Estado de Minas Gerais contra-arrazoou o recurso especial (e-STJ fls. 325-328). O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do recurso (e-STJ fls. 345-348). É o relatório. O recurso especial é tempestivo e está com a representação processual correta. O recorrente indicou os permissivos constitucionais que embasam o recurso e o dispositivo de lei federal supostamente violado, demonstrando pertinência na fundamentação (não incidência da súmula nº 284 do STF). Observa-se, ainda, que o acórdão recorrido examinou expressamente a matéria arguida no recurso, cumprindo com a exigência do prequestionamento (não incidência da súmula 282 do STF). Ademais, o acórdão apresentou fundamentos de cunho infraconstitucional (não incidência da súmula 126 do STJ), todos rebatidos nas razões recursais (não incidência da súmula 283 do STF). Por fim, não se aplica ao caso o teor da súmula 7, uma vez que avaliar
a correção dos fundamentos invocados para valorar negativamente o vetor das consequências do crime não exige revolvimento fático e probatório, limitando-se essa Corte de Justiça a promover a revaloração jurídica dos fatos reconhecidos pelas instâncias ordinárias e a correta aplicação da lei federal no caso concreto. Passo a jugar, monocraticamente, o mérito do recurso especial, uma vez que o acórdão recorrido é contrário à jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça (art. 255, § 4º, III, do RISTJ). O recorrente foi condenado pelas instâncias ordinárias pela prática dos crimes tipificados nos artigos 155, §1º c/c art. 61, inciso I, c/c art. 65, inciso III, alínea "d", na forma do art. 69, e art. 157, caput, todos do Código Penal, às penas de 06 (seis) anos e 02 (dois) meses de reclusão, em regime fechado, e 25 (vinte e cinco) dias-multa. As instâncias ordinárias negativaram o vetor das consequências do crime, com relação ao crime de furto, com o seguinte fundamento: "Outrossim, em que pesem as alegações trazidas pela defesa, visando o redimensionamento das reprimendas dosadas com relação ao crime de furto majorado, melhor sorte não lhe socorre. Ora, de fato, as circunstâncias em que cometida a infração penal o desfavorece, pois de fato a res não foi restituída à vítima, tendo ela que suportar um prejuízo de 1.800,00 (mil e oitocentos) reais. Portanto, não se percebe
qualquer incorreção nas dosimetrias das penas, sendo as reprimendas aplicadas de forma a atender aos princípios da legalidade, da personalidade, da individualização, da proporcionalidade, da necessidade e da utilidade social." (e-STJ fls. 276). Portanto, valoraram-se negativamente as consequências do crime praticado, pois a vítima teria sofrido prejuízo financeiro em razão da não recuperação do aparelho celular furtado, avaliado à época em R$ 1.800,00, elementos que, por não evidenciarem prejuízo considerável, devem ser entendidos como ínsitos ao tipo penal incriminador. Com efeito, " e ste Sodalício tem entendimento firme no sentido de que a negativação das consequências nos delitos patrimoniais não pode estar fundada no prejuízo sofrido pela vítima, salvo se demonstrado que o prejuízo extrapola os limites ínsitos aos crimes desta natureza, o que não ocorreu no caso vertente" (HC n. 448.053/TO, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 14/5/2019, DJe de 21/5/2019). Outrossim, " n o tocante às consequências do crime, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "o fato de à vítima não ter tido restituída inteiramente a res furtiva não autoriza a exasperação da pena-base pelas consequências do delito, visto que a subtração de coisa alheia móvel constitui elementar do próprio tipo penal violado, de natureza patrimonial" (HC 219.582/SP, Rel.
Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, DJe 1º/ 2/2013)". (AgRg no REsp n. 2.067.325/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 22/9/2023). Em caso análogo de minha relatoria, cito a ementa do acórdão: DIREITO PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. FURTO. DOSIMETRIA. PENA-BASE. CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. PREJUÍZO. BEM NÃO RESTITUÍDO. ELEMENTOS ÍNSITOS AO TIPO PENAL. FLAGRANTE ILEGALIDADE CONFIGURADA. CONCESSÃO DA ORDEM DE OFÍCIO. I. CASO EM EXAME 1. Habeas corpus impetrado com o objetivo de redimensionar a pena-base fixada em sentença condenatória, na qual foram consideradas desfavoráveis as circunstâncias judiciais relativas aos antecedentes, às circunstâncias e às consequências do crime. O pedido principal consistiu na exclusão da valoração negativa das consequências do crime e na readequação da pena. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se é admissível a utilização de habeas corpus como substitutivo de recurso próprio ou revisão criminal; (ii) estabelecer se a valoração negativa das consequências do crime, pelo prejuízo financeiro sofrido pela vítima, caracteriza flagrante ilegalidade apta a ensejar a concessão da ordem de ofício. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio ou de revisão criminal, salvo em casos excepcionais onde se verifique flagrante ilegalidade, conforme entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.
4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça determina que, em crimes patrimoniais, o prejuízo econômico causado à vítima não pode justificar a valoração negativa das consequências do crime, a menos que se trate de um dano patrimonial exacerbado, o que não ocorreu na hipótese.
5. No presente caso, o prejuízo sofrido pela vítima pela subtração de um celular, o qual não foi restituído, avaliado em R$ 900,00 à época dos fatos, não extrapola os limites próprios do crime de furto, sendo indevida a majoração da pena com base nessas circunstâncias, sob pena de bis in idem.
6. Em observância ao art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal, havendo flagrante ilegalidade na fixação da pena, a ordem de habeas corpus pode ser concedida de ofício, mesmo quando a impetração não é conhecida. IV. Habeas corpus não conhecido. Concessão de ofício da ordem para redimensionar a pena do paciente para 1 ano, 5 meses e 2 dias de reclusão, além de 67 dias-multa, mantidos os demais termos da condenação. (HC n. 839.713/MS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 15/10/2024, DJe de 11/11/2024, grifou-se.) Passo a redimensionar a pena do crime de furto, observando-se os critérios de cálculo adotados pelo juízo sentenciante (e-STJ fls. 162-177). Mantida a circunstância judicial desfavorável dos maus antecedentes, excluída a negativação das consequências do crime, a pena-base fica dosada em 1 (um) ano e 1 (um) mês e 15 (quinze) dias de reclusão e 11 (onze) dias-multa. Mantida a compensação da atenuante da confissão espontânea com a agravante da reincidência. Aplicada a causa de aumento referente à execução do crime durante o repouso noturno, à razão de 1/3 (um terço), concretizo a pena do recorrente em 1 (um) ano e 6 (seis) meses de reclusão e 14 dias-multa. Não há reparos a fazer na dosimetria da pena do crime de roubo, que não é objeto do recurso e que está dosada de forma regular. Aplicado o concurso material de crimes, a pena final do recorrente
fica concretizada em 6 anos de reclusão e 25 dias-multa. Por esses fundamentos, nos termos do art. 255, § 4º, III, do RISTJ, conheço e dou provimento ao recurso especial para reconhecer a interpretação divergente do artigo 59 do Código Penal, reformar o acórdão recorrido e redimensionar a pena do crime de furto para 1 (um) ano e 6 (seis) meses de reclusão e 14 dias-multa e a pena final, em razão do concurso material de infrações, para 6 (seis) anos de reclusão e 25 dias-multa, ma ntidos os demais capítulos do acórdão e da sentença. Publique-se. Intime-se.
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