Dosimetria Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dbf507ccdbf40b16d4a8e
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- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
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- Superior Tribunal de Justiça
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- Recurso Ordinário Em Habeas Corpus / Decisão
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01
Holding and result
Embora, em regra, não se conheça habeas corpus quando substitutivo de recurso próprio, verificou-se flagrante ilegalidade na dosimetria: a quantidade apreendida (aproximadamente 3 g de cocaína) e os demais elementos não justificam o aumento da pena-base nem a exclusão da minorante do art. 33, § 4º da Lei 11.343/2006; assim, aplicou-se a minorante, reduzindo-se a pena para 1 ano, 11 meses e 10 dias de reclusão, fixando-se o regime inicial aberto e determinando-se a substituição da pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos.
Court disposition
Não conheço do recurso, mas concedo a ordem de ofício.
Orders
- Reconhecer a incidência da minorante do § 4º da Lei n. 11.343/2006 e reduzir a pena para 1 ano, 11 meses e 10 dias de reclusão
- Fixar o regime aberto de cumprimento de pena
- Substituir a pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos, a serem definidas pelo Juízo das execuções criminais
- Publique-se. Intimem-se.
02
Material facts
Parties
ROQUE DE SOUZA MARQUES
RecorrenteAmounts and remedies
- Quantidade De Cocaína Apreendida (aproximadamente): g 3
03
Procedural history
Posture
Recurso Ordinário Em Habeas Corpus / Decisão
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
cabimento do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio
- 02
aplicabilidade da minorante do art. 33, § 4º da Lei 11.343/2006
- 03
fixação da pena-base e dosimetria
- 04
regime inicial de cumprimento da pena
- 05
substituição da pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos
Party arguments
- Applicant
- Pede absolvição ou, subsidiariamente, fixação da pena-base no mínimo legal e aplicação da minorante prevista no art. 33, § 4º da Lei n. 11.343/2006.
- Respondent
- Implica-se que se sustenta a inadmissibilidade do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio e a ausência de flagrante ilegalidade que justifique a concessão de ofício, em razão da sentença condenatória mantida pelo Tribunal de origem.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Jurisprudência do STJ (citada na decisão, ex.: AgRg no HC n. 904.330/PR, AgRg no HC n. 834.221/DF e outros).
Habeas corpus não deve ser utilizado como substituto de recurso próprio, salvo em casos de flagrante ilegalidade.
- 02
Lei n. 11.343/2006, art. 33, § 4º.
O agente pode receber redução de pena de 1/6 a 2/3 se primário, com bons antecedentes, sem dedicação a atividades criminosas nem integração em organização criminosa.
- 03
REsp n. 1.887.511/SP e art. 42 da Lei n. 11.343/2006.
Quantidade e natureza da droga são elementos a serem considerados na fixação da pena-base, nos termos do art. 42 da Lei n. 11.343/2006, sem, contudo, constituírem, por si só, pressuposto automático para afastar a minorante do art. 33, § 4º.
- 04
Art. 647-A do Código de Processo Penal e art. 654, § 2º do Código de Processo Penal (mencionados na decisão).
É possível a expedição de habeas corpus de ofício pela autoridade judicial quando verificada flagrante ilegalidade.
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Embora, em regra, não se conheça habeas corpus quando substitutivo de recurso próprio, verificou-se flagrante ilegalidade na dosimetria: a quantidade apreendida (aproximadamente 3 g de cocaína) e os demais elementos não justificam o aumento da pena-base nem a exclusão da minorante do art. 33, § 4º da Lei 11.343/2006; assim, aplicou-se a minorante, reduzindo-se a pena para 1 ano, 11 meses e 10 dias de reclusão, fixando-se o regime inicial aberto e determinando-se a substituição da pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos.
Obiter and limits
- A apreciação negativa dos vetores do art. 42 da Lei de Drogas pode justificar a exasperação da pena-base, mas não foi o caso diante da baixa quantidade apreendida.
- A vedação ao conhecimento de habeas corpus contra acórdão condenatório como substitutivo de revisão criminal salvo em presença de manifesta ilegalidade.
Court disposition
Não conheço do recurso, mas concedo a ordem de ofício.
- Reconhecer a incidência da minorante do § 4º da Lei n. 11.343/2006 e reduzir a pena para 1 ano, 11 meses e 10 dias de reclusão
- Fixar o regime aberto de cumprimento de pena
- Substituir a pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos, a serem definidas pelo Juízo das execuções criminais
- Publique-se. Intimem-se.
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Superior Tribunal de Justiça
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Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de recurso ordinário em habeas corpus com pedido liminar interposto por ROQUE DE SOUZA MARQUES desafiando acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (HC n. 5042555-30.2025.8.24.0000/SC). Depreende-se dos autos que o recorrente foi condenado, como incurso nas sanções do art. 33, caput, c/c o art. 40, III, da Lei n. 11.343/2006, à pena de 6 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão, a ser cumprida no regime inicial semiaberto, em decorrência da apreensão de aproximadamente 3g (três gramas) de cocaína. A apelação defensiva foi desprovida pelo Tribunal de origem (e-STJ fls. 488). Impetrado habeas corpus na origem, o Desembargador relator dele não conheceu. Daí o presente recurso, no qual alega a defesa que o recorrente sofre constrangimento ilegal decorrente da equivocada condenação e, subsidiariamente, da dosimetria da reprimenda que lhe foi aplicada. Requer, desse modo, inclusive liminarmente, a absolvição do recorrente ou, subsidiariamente, a fixação da pena-base no mínimo legal e a aplicação da minorante prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006. É o relatório. Decido. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é uníssona no sentido de que não cabe a utilização de habeas corpus ou recurso ordinário em habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio ou de revisão criminal, sob pena de desvirtuamento do objeto ínsito ao remédio heroico, qual seja, o de prevenir ou remediar lesão ou ameaça de lesão ao direito de locomoção. Nesse sentido: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. .. MANDAMUS IMPETRADO CONCOMITANTEMENTE COM RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO NA ORIGEM. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. .. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. ..
2. Não se conhece de habeas corpus impetrado concomitantemente com o recurso especial, sob pena de subversão do sistema recursal e de violação ao princípio da unirrecorribilidade das decisões judiciais. .. (AgRg no HC n. 904.330/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 5/9/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. WRIT SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL, IMPETRADO QUANDO O PRAZO PARA A INTERPOSIÇÃO DA VIA RECURSAL CABÍVEL NA CAUSA PRINCIPAL AINDA NÃO HAVIA FLUÍDO. INADEQUAÇÃO DO PRESENTE REMÉDIO. PRECEDENTES. NÃO CABIMENTO DE CONCESSÃO DA ORDEM DE OFÍCIO. PETIÇÃO INICIAL INDEFERIDA LIMINARMENTE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. É incognoscível, ordinariamente, o habeas corpus impetrado quando em curso o prazo para interposição do recurso cabível. O recurso especial defensivo, interposto, na origem, após a prolação da decisão agravada, apenas reforça o óbice à cognição do pedido veiculado neste feito autônomo. .. (AgRg no HC n. 834.221/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 25/9/2023.) PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO "HABEAS CORPUS". ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. DOSIMETRIA. INEXISTÊNCIA DE ILICITUDE FLAGRANTE. RECURSO NÃO PROVIDO.
1. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. .. (AgRg no HC n. 921.445/MS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 6/9/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. ABSOLVIÇÃO. APLICAÇÃO DO IN DUBIO PRO REO. CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. .. 4. "Firmou-se nesta Corte o entendimento de que " n ão deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão condenatório já transitado em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte" (HC n. 733.751/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 20/9/2023). Não obstante, em caso de manifesta ilegalidade, é possível a concessão da ordem de ofício, conforme preceitua o art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal" (AgRg no HC n. 882.773/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador Convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 26/6/2024). .. (AgRg no HC n. 907.053/SP,
de minha relatoria, Sexta Turma, julgado em 16/9/2024, DJe de 19/9/2024.) Não se desconhece a orientação presente no art. 647-A, caput e parágrafo único, do Código de Processo Penal, segundo a qual se permite a qualquer autoridade judicial, no âmbito de sua competência jurisdicional e quando verificada a presença de flagrante ilegalidade, a expedição de habeas corpus de ofício em vista de lesão ou ameaça de lesão à liberdade de locomoção. Essa é a situação dos autos, na qual vislumbro flagrante ilegalidade apta a atrair a concessão da ordem de ofício. Senão vejamos. De acordo com o art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, o agente poderá ser beneficiado com a redução de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços) da pena, desde que seja primário, portador de bons antecedentes, não se dedique a atividades criminosas nem integre organização criminosa. Digno de nota que, no julgamento do REsp n. 1.887.511/SP, de relatoria do Ministro João Otávio de Noronha, concluiu a Terceira Seção desta Casa que a quantidade de substância entorpecente e a sua natureza hão de ser consideradas na fixação da pena-base, nos termos do art. 42 da Lei n. 11.343/2006, não sendo, portanto, pressuposto para a incidência da causa especial de diminuição de pena descrita no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006. No caso dos autos, verifico que a dedicação à atividade criminosa foi assentada basicamente na natureza da
droga apreendida e em fundamentação genérica, que diz respeito aos próprios elementos do tipo penal do tráfico de drogas. No ponto, cabe a ponderação do Ministro Sebastião Reis Júnior, relator nos autos do HC n. 593.560/SP, que, em decisão monocrática em caso análogo, observou que "o paciente é primário, sem antecedentes e não houve nenhuma vetorial negativa. Além disso, a quantidade de drogas não se mostra excessiva para afastar o privilégio, além de que não poderem ser consideradas questões relativas a denúncias anônimas, ações penais em andamento, e a motivação do Magistrado sobre o armazenamento de entorpecentes ou local em que era guardado ou o fato de o paciente estar desempregado não são suficientes para afirmar que exista, de fato, dedicação ao tráfico ou que o paciente faça parte de alguma organização" (julgado em 24/3/2021, DJe 26/3/2021). Ademais, não se olvida da reiterada orientação do Superior Tribunal de Justiça segundo a qual "a apreciação negativa dos vetores contidos no art. 42 da Lei de Drogas (quantidade e natureza do entorpecente) justifica a exasperação da pena-base .. " (AgRg no AREsp n. 625.887/SP, relator Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 6/10/2016, DJe 19/10/2016). Contudo, na espécie, entendo que a quantidade de entorpecente apreendida - aproximadamente 3g (três gramas) de cocaína - não se mostra elevada o suficiente para justificar o
aumento da pena-base. Evidente, portanto, o constrangimento ilegal, mostrando-se imperiosa a fixação da pena-base no mínimo legal e o reconhecimento da suscitada causa de diminuição de pena, de modo que a pena do recorrente deve ser reduzida para 1 ano, 11 meses e 10 dias de reclusão No caso dos autos, a quantidade de droga apreendida não se revela expressiva o suficiente para justificar o regime prisional mais gravoso, mormente por se tratar de réu primário e sem antecedentes. Dessa forma, diante do novo quantum da reprimenda, o recorrente faz jus ao regime inicial aberto, o qual se revela como o mais adequado à prevenção e à repressão do delito em tela, conforme o art. 33, § 3º, do Código Penal. Por fim, afastada a hediondez ou a gravidade abstrata do crime como critério para obstar a substituição das penas e preenchidos os pressupostos previstos no art. 44 do CP, é cabível a conversão da pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos, a serem definidas pelo Juízo das execuções criminais. À vista do exposto, não conheço do recurso, mas concedo a ordem de ofício para, reconhecendo a incidência da minorante do § 4º da Lei n. 11.343/2006, reduzir a pena do recorrente para 1 ano, 11 meses e 10 dias de reclusão, fixar o regime aberto de cumprimento de pena, bem como substituir a pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos, a serem definidas pelo Juízo das execuções criminais. Publique-se. Intimem-se.
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