Dosimetria Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dce347ccdbf40b1761805
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- Brazil
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- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Habeas Corpus / Decisão
More details
- Posture
- Habeas Corpus / Decisão
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01
Holding and result
Houve flagrante ilegalidade na negativa da minorante do art. 33, §4º da Lei n. 11.343/2006 com base em processos e inquéritos em curso e elementos relacionados à identificação policial; diante da jurisprudência do STF e do STJ que não considera inquéritos em andamento como óbice à aplicação da minorante, reconheceu-se a incidência do §4º, reduziu-se a pena para 1 ano e 8 meses de reclusão, fixou-se o regime aberto e determinou-se a substituição da pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos a serem definidas pelo Juízo das execuções criminais.
Court disposition
Não conheço do presente habeas corpus. Contudo, concedo a ordem de ofício para reconhecer a incidência da minorante do §4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, reduzir a pena do paciente a 1 ano e 8 meses de reclusão, fixar o regime aberto de cumprimento de pena e substituir a pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos, a serem definidas pelo Juízo das execuções criminais.
Orders
- Não conhecimento do habeas corpus impetrado
- Concessão da ordem de ofício reconhecendo a incidência da minorante do §4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006
- Redução da pena para 1 ano e 8 meses de reclusão
- Fixação do regime aberto para cumprimento da pena
- Substituição da pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos, a serem definidas pelo Juízo das execuções criminais
- Publicar e intimar as partes
02
Material facts
Parties
CAIO SEBASTIAO CUNHA FULGENCIO
PacienteTRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (Apelação Criminal n. 0801782-96.2023.8.19.0034, Desembargadora relatora Katia Maria Amaral Jangutta)
Autoridade CoatoraMINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
ManifestanteAmounts and remedies
- Quantidade De Droga Apreendida (gramas De Maconha): 18
- Pena Originalmente Imposta (anos): 5
- Pena Reduzida (meses): 20
03
Procedural history
Posture
Habeas Corpus / Decisão
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Cabimento do reconhecimento da causa especial de diminuição de pena prevista no art. 33, §4º, da Lei n. 11.343/2006
- 02
Possibilidade de concessão de habeas corpus de ofício em caso de flagrante ilegalidade
- 03
Utilização do habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio ou de revisão criminal
- 04
Relevância de inquéritos policiais e ações penais em curso para afastar a minorante do art. 33, §4º
Party arguments
- Applicant
- A defesa requereu o reconhecimento e aplicação da causa especial de diminuição de pena prevista no art. 33, §4º, da Lei n. 11.343/2006.
- Respondent
- O Ministério Público Federal manifestou-se pela denegação da ordem; a apelação defensiva foi desprovida pelo Tribunal de origem.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Jurisprudência do STJ (ex.: AgRg no HC n. 904.330/PR; AgRg no HC n. 834.221/DF; AgRg no HC n. 921.445/MS)
Habeas corpus não deve ser utilizado como sucedâneo de recurso próprio ou de revisão criminal, salvo em casos excepcionais de flagrante ilegalidade
- 02
Posicionamento do STF e precedentes do STJ (ex.: HC n. 173.806; AgRg no HC n. 560.561/RS)
Inquéritos policiais e ações penais em curso, em regra, não são fundamento idôneo para afastar a aplicação da minorante do art. 33, §4º da Lei de Drogas
- 03
Art. 647-A, caput e parágrafo único, do Código de Processo Penal e jurisprudência citada
Autoridade judicial pode expedir habeas corpus de ofício quando verificada flagrante ilegalidade
- 04
Art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal e precedentes citados
É possível concessão da ordem de ofício nas hipóteses de manifesta ilegalidade, nos termos do art. 654, §2º, do Código de Processo Penal
- 05
Art. 33, §3º (mencionado no acórdão), e art. 44 do Código Penal (mencionado no acórdão)
Regime inicial e substituição da pena devem observar o art. 33, §3º (mencionado no texto) e art. 44 do Código Penal para conversão em medidas restritivas de direitos
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Houve flagrante ilegalidade na negativa da minorante do art. 33, §4º da Lei n. 11.343/2006 com base em processos e inquéritos em curso e elementos relacionados à identificação policial; diante da jurisprudência do STF e do STJ que não considera inquéritos em andamento como óbice à aplicação da minorante, reconheceu-se a incidência do §4º, reduziu-se a pena para 1 ano e 8 meses de reclusão, fixou-se o regime aberto e determinou-se a substituição da pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos a serem definidas pelo Juízo das execuções criminais.
Obiter and limits
- Jurisprudência do STJ é uníssona quanto à inadequação do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio
- Citações de diversos agravos regimentais e hCs demonstram preocupação com o princípio da unirrecorribilidade
- Menção a decisão do Pleno do STF sobre neutralidade de inquéritos e processos em tramitação na definição de antecedentes (RE nº 591.054)
Court disposition
Não conheço do presente habeas corpus. Contudo, concedo a ordem de ofício para reconhecer a incidência da minorante do §4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, reduzir a pena do paciente a 1 ano e 8 meses de reclusão, fixar o regime aberto de cumprimento de pena e substituir a pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos, a serem definidas pelo Juízo das execuções criminais.
- Não conhecimento do habeas corpus impetrado
- Concessão da ordem de ofício reconhecendo a incidência da minorante do §4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006
- Redução da pena para 1 ano e 8 meses de reclusão
- Fixação do regime aberto para cumprimento da pena
- Substituição da pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos, a serem definidas pelo Juízo das execuções criminais
- Publicar e intimar as partes
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Superior Tribunal de Justiça
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Judgment reading view
Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em favor de CAIO SEBASTIAO CUNHA FULGENCIO apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (Apelação Criminal n. 0801782-96.2023.8.19.0034, Desembargadora relatora Katia Maria Amaral Jangutta). Depreende-se dos autos que o paciente foi condenado, como incurso nas sanções do art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006, à pena de 5 anos de reclusão, a ser cumprida no regime inicial semiaberto, em decorrência da apreensão de aproximadamente 18g (dezoito gramas) de maconha - e-STJ fls. 25/34. A apelação defensiva foi desprovida pelo Tribunal de origem. No presente writ, a defesa requer seja reconhecida e aplicada a causa especial de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 (e-STJ fl. 7). Liminar indeferida. Informações prestadas. Instado a se manifestar, o Ministério Público Federal opinou pela denegação da ordem (e-STJ fls. 105/108). É o relatório. Decido. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é uníssona no sentido de que não cabe a utilização de habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio ou de revisão criminal, sob pena de desvirtuamento do objeto ínsito ao remédio heroico, qual seja, o de prevenir ou remediar lesão ou ameaça de lesão ao direito de locomoção. Nesse sentido: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. .. MANDAMUS IMPETRADO CONCOMITANTEMENTE COM RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO NA ORIGEM. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. .. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. ..
2. Não se conhece de habeas corpus impetrado concomitantemente com o recurso especial, sob pena de subversão do sistema recursal e de violação ao princípio da unirrecorribilidade das decisões judiciais. .. (AgRg no HC n. 904.330/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 5/9/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. WRIT SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL, IMPETRADO QUANDO O PRAZO PARA A INTERPOSIÇÃO DA VIA RECURSAL CABÍVEL NA CAUSA PRINCIPAL AINDA NÃO HAVIA FLUÍDO. INADEQUAÇÃO DO PRESENTE REMÉDIO. PRECEDENTES. NÃO CABIMENTO DE CONCESSÃO DA ORDEM DE OFÍCIO. PETIÇÃO INICIAL INDEFERIDA LIMINARMENTE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. É incognoscível, ordinariamente, o habeas corpus impetrado quando em curso o prazo para interposição do recurso cabível. O recurso especial defensivo, interposto, na origem, após a prolação da decisão agravada, apenas reforça o óbice à cognição do pedido veiculado neste feito autônomo. .. (AgRg no HC n. 834.221/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 25/9/2023.) PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO "HABEAS CORPUS". ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. DOSIMETRIA. INEXISTÊNCIA DE ILICITUDE FLAGRANTE. RECURSO NÃO PROVIDO.
1. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. .. (AgRg no HC n. 921.445/MS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 6/9/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. ABSOLVIÇÃO. APLICAÇÃO DO IN DUBIO PRO REO. CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. .. 4. "Firmou-se nesta Corte o entendimento de que " n ão deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão condenatório já transitado em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte" (HC n. 733.751/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 20/9/2023). Não obstante, em caso de manifesta ilegalidade, é possível a concessão da ordem de ofício, conforme preceitua o art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal" (AgRg no HC n. 882.773/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador Convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 26/6/2024). .. (AgRg no HC n. 907.053/SP,
de minha relatoria, Sexta Turma, julgado em 16/9/2024, DJe de 19/9/2024.) Não se desconhece a orientação presente no art. 647-A, caput e parágrafo único, do Código de Processo Penal, segundo a qual se permite a qualquer autoridade judicial, no âmbito de sua competência jurisdicional e quando verificada a presença de flagrante ilegalidade, a expedição de habeas corpus de ofício em vista de lesão ou ameaça de lesão à liberdade de locomoção. Essa é a situação que ora se verifica, na qual vislumbro flagrante ilegalidade apta a atrair a concessão da ordem de ofício. Isso, porque, da análise dos autos, constata-se que a dedicação à atividade criminosa foi assentada na existência de processos penais em curso e em fatos que dizem respeito aos próprios elementos do tipo penal do tráfico de drogas. Ocorre que a Sexta Turma adotou o posicionamento do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual inquéritos policiais e ações penais em curso não constituem circunstância suficiente para afastar a aplicação da minorante de tráfico de drogas. Confira-se: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. DIREITO PENAL. TRÁFICO DE DROGAS. DOSIMETRIA. REDUTOR ESPECIAL DE PENA RELATIVO AO PRIVILÉGIO. INCABÍVEL. PACIENTE CONHECIDO NO MEIO POLICIAL PELA PRÁTICA DO TRÁFICO DE DROGAS. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO DAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS EXIGE REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO, PROVIDÊNCIA IMPOSSÍVEL NO ESTREITO RITO DO HABEAS CORPUS. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. O mais recente posicionamento de ambas as Turmas do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que, em regra, inquéritos policiais e ações penais em andamento não constituem fundamentação idônea apta a respaldar a não aplicação do redutor especial de redução de pena relativa ao reconhecimento da figura privilegiada do crime de tráfico de drogas. .. (AgRg no HC n. 560.561/RS, relatora Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 2/2/2021, DJe 17/2/2021.) Colaciono, a seguir, julgado da Suprema Corte nessa mesma direção: PENA - FIXAÇÃO - ANTECEDENTES - INQUÉRITOS E PROCESSOS EM CURSO - DESINFLUÊNCIA. O Pleno do Supremo, no julgamento do recurso extraordinário nº 591.054, de minha relatoria, assentou a neutralidade, na definição dos antecedentes, de inquéritos ou processos em tramitação, considerado o princípio constitucional da não culpabilidade. PENA - CAUSA DE DIMINUIÇÃO - ARTIGO 33, § 4º, DA LEI Nº 11.343/2006 - ATIVIDADES CRIMINOSAS - DEDICAÇÃO - PROCESSOS EM CURSO. Revela-se inviável concluir pela dedicação do acusado a atividades criminosas, afastando-se a incidência da causa de diminuição prevista no artigo 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, considerado processo-crime em tramitação. (HC n. 173.806, relator MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 18/2/2020, processo eletrônico DJe-049 divulg. 6/3/2020, public. 9/3/2020.) No ponto, cabe, ainda, a ponderação do Ministro
Sebastião Reis Júnior, relator nos autos do HC n. 593.560/SP, que, em decisão monocrática em caso análogo, observou que "o paciente é primário, sem antecedentes e não houve nenhuma vetorial negativa. Além disso, a quantidade de drogas não se mostra excessiva para afastar o privilégio, além de que não poderem ser consideradas questões relativas a denúncias anônimas, ações penais em andamento, e a motivação do Magistrado sobre o armazenamento de entorpecentes ou local em que era guardado ou o fato de o paciente estar desempregado não são suficientes para afirmar que exista, de fato, dedicação ao tráfico ou que o paciente faça parte de alguma organização" (julgado em 24/3/2021, DJe 26/3/2021). Evidente, portanto, o constrangimento ilegal, mostrando-se imperioso o reconhecimento da suscitada causa de diminuição de pena. Assim, reconhecendo-se a incidência da minorante do § 4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, na fração de 2/3, a pena do paciente deve ser reduzida a 1 ano e 8 meses de reclusão. Dessa forma, diante do novo quantum da reprimenda, o paciente faz jus ao regime inicial aberto, o qual se revela como o mais adequado à prevenção e à repressão do delito em tela, conforme o art. 33, § 3º, do Código Penal. Por fim, afastada a hediondez ou a gravidade abstrata do crime como critério para obstar a substituição das penas e preenchidos os pressupostos previstos no art. 44 do CP, é
cabível a conversão da pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos, a serem definidas pelo Juízo das execuções criminais. Ante o exposto, não conheço do presente habeas corpus. Contudo, concedo a ordem de ofício, a fim de, reconhecendo a incidência da minorante do § 4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, reduzir a pena do paciente a 1 ano e 8 meses de reclusão, fixar o regime aberto de cumprimento de pena, bem como substituir a pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos, a serem definidas pelo Juízo das execuções criminais. Publique-se. Intimem-se.
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