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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial, por entender que o Tribunal de origem fundamentou adequadamente a fixação do regime inicial semiaberto com base na reincidência e nos maus antecedentes do condenado, não sendo cabível o reexame de matéria probatória em recurso especial (Súmula 7) e inexistindo prequestionamento quanto à tese de bis in idem.

Court disposition

Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.

Orders

  • Publique-se.
  • Intimem-se.

02

Material facts

Parties

HENRY MOURA CAPEL

Agravante

Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Agravado

03

Procedural history

  1. Posture

    Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão Do Recurso Especial / Exame De Admissibilidade Do Recurso Especial

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Alega violação do art. 33, § 3º, 'c', do Código Penal requerendo o regime aberto; sustenta que a questão está prequestionada e que a revaloração jurídica dos elementos citados no acórdão não implica necessidade de reexame da prova.
Respondent
O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do recurso; o Tribunal de origem entendeu haver fundamentação idônea para a fixação do regime semiaberto em razão de reincidência e maus antecedentes e registrou óbice da Súmula n. 7 e ausência de prequestionamento quanto à tese de bis in idem.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Súmula n. 7 do STJ

    Proibição de reexame de provas em recurso especial

  2. 02

    art. 59 do Código Penal e precedentes desta Corte

    Valoração das circunstâncias judiciais (art. 59 do Código Penal) permite fixação de regime mais gravoso quando presentes maus antecedentes e reincidência

  3. 03

    Jurisprudência do STJ (ausência de prequestionamento relacionada à tese de bis in idem no acórdão)

    Prequestionamento como requisito de admissibilidade para discussão de matéria em recurso especial

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial, por entender que o Tribunal de origem fundamentou adequadamente a fixação do regime inicial semiaberto com base na reincidência e nos maus antecedentes do condenado, não sendo cabível o reexame de matéria probatória em recurso especial (Súmula 7) e inexistindo prequestionamento quanto à tese de bis in idem.

Obiter and limits

  • Citação dos requisitos do princípio da insignificância pelo STF em precedente referido
  • Não cabe reexame da dosimetria em recurso especial, salvo manifesta desproporcionalidade
  • Em caso de vários antecedentes criminais, não é socialmente recomendável a fixação de regime mais brando

Court disposition

Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.

  • Publique-se.
  • Intimem-se.

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DECISÃO Em agravo em recurso especial interposto por HENRY MOURA CAPEL contra decisão da Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, examina-se a inadmissão do recurso especial. O agravante foi condenado, em primeiro grau, como incurso no art. 306, § 1º, c/c o art. 298, III, do Código de Trânsito Brasileiro, às penas de 8 meses e 5 dias de detenção, em regime inicial semiaberto, e de 11 dias-multa, além da proibição para dirigir veículo automotor. O Tribunal de Justiça manteve a condenação e o regime de cumprimento de pena. O recurso especial, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, alegou violação do art. 33, § 3º, "c", do Código Penal, requerendo a fixação do regime aberto. O recurso não foi admitido na origem pelo óbice da Súmula n. 7 do STJ e por ausência de prequestionamento em relação à tese de "bis in idem". Na petição de agravo em recurso especial, o agravante busca impugnar a decisão de inadmissão. Alega, em síntese, que a questão está prequestionada e que a revaloração jurídica dos elementos citados no acórdão não implica necessidade de reexame da prova. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do recurso. É o relatório. Decido. O agravo é tempestivo e impugnou os fundamentos da decisão recorrida. Passa-se ao exame do recurso especial. No particular da dosimetria da pena, o Tribunal de origem assim consignou

(fl. 258): Apenas para realçar o já decido por esta C. Turma Julgadora, ainda que, de fato, a pena corporal cominada tenha permanecido em patamar inferior a 01 (um) ano de detenção, não se pode, aqui, simplesmente dar de ombros para o fato que que se cuida de pessoa multirreincidente e com maus antecedentes, de sorte que o regime intermediário para início da expiação deve prevalecer, pois adequado à biografia criminal do embargante. No ponto, aliás, cumpre dizer, novamente, que além de estar embriagado, o embargante não possuía habilitação para conduzir seu veículo automotor, o que torna sua conduta ainda mais grave e merecedora de resposta estatal com maior rigor. Corretamente decidiu a instância de origem, porque, ainda que o réu tenha sido condenado a uma reprimenda inferior a 4 anos, os maus antecedentes (circunstância judicial) e a reincidência (circunstância legal) já impedem a fixação de regime aberto, consoante os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL E PROCESSO PENAL. FURTO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. REITERAÇÃO DELITIVA EM CRIMES PATRIMONIAIS. REGIME INICIAL SEMIABERTO. PENA INFERIOR A 4 ANOS. RÉU REINCIDENTE E COM MAUS ANTECEDENTES. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE.

1. O Supremo Tribunal Federal consagrou o entendimento de que, para a aplicação do princípio da insignificância, devem estar presentes, cumulativamente, as seguintes condições objetivas: a) mínima ofensividade da conduta do agente; b) nenhuma periculosidade social da ação; c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento do agente; e d) inexpressividade da lesão jurídica provocada.

2. Na espécie, não há como reconhecer o reduzido grau de reprovabilidade ou a mínima ofensividade da conduta, pois, independentemente do valor atribuído à res furtiva, consta dos autos que o agravante é reincidente específico, circunstância que demonstra a prática de crimes de forma habitual e reiterada, reveladora de personalidade voltada para o crime, ficando afastado o requisito do reduzido grau de reprovabilidade da conduta para aplicação do princípio da insignificância ora pretendido. Precedentes.

3. O entendimento desta Corte Superior é no sentido de que, "configurada a reincidência e aplicada pena igual ou inferior a 4 anos de reclusão, poderá o condenado, desde o princípio, cumpri-la em regime fechado, se desfavorável qualquer das circunstâncias previstas no artigo 59 do Código Penal" (AgRg no AREsp 759.045/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 17/8/2017, DJe 23/8/2017).

4. No presente caso, diante da presença de vetoriais negativas do art. 59 do CP e da reincidência do réu, embora o quantum da reprimenda (1 ano, 9 meses e 29 dias de reclusão) comporte o regime aberto, seria possível até mesmo a fixação do regime fechado. Desse modo, não se mostra inadequada a imposição do regime semiaberto, devendo ser mantido o acórdão recorrido.

5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.860.464/DF, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 6/5/2025, DJEN de 12/5/2025.) DIREITO PENAL. RECURSO ESPECIAL. RECEPTAÇÃO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. DOSIMETRIA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA DAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. CONSEQUÊNCIAS DO CRIME E MAUS ANTECEDENTES DEVIDAMENTE VALORADOS. BIS IN IDEM NÃO CARACTERIZADO. REGIME PRISIONAL ADEQUADAMENTE FIXADO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.

1. Recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que manteve a condenação do recorrente, com fixação da pena-base acima do mínimo legal e estabelecimento do regime inicial semiaberto.

2. O recorrente alega violação aos artigos 619 do CPP, 315, §2º, IV do CPP, 59 e 33, §2º, "c" e §3º do CP, sustentando negativa de prestação jurisdicional, contradição quanto ao valor dos bens subtraídos e ausência de fundamentação para fixação do regime mais gravoso.

3. A questão em discussão consiste em saber se houve omissão do Tribunal de origem quanto à contradição no valor dos bens subtraídos e se a fixação do regime inicial semiaberto carece de fundamentação idônea.

4. Outra questão em discussão é a possibilidade de revisão da dosimetria da pena, considerando a alegação de desproporcionalidade na valoração das circunstâncias judiciais.

5. O Tribunal de origem enfrentou expressamente a questão da contradição quanto ao valor dos bens subtraídos, não havendo negativa de prestação jurisdicional.

6. A fixação do regime inicial semiaberto foi fundamentada na reincidência do réu, o que impede o estabelecimento do regime aberto, independentemente do quantum de pena aplicado.

7. A revisão da dosimetria da pena não é cabível em recurso especial, salvo em casos de manifesta desproporcionalidade, o que não se verifica nos autos.

8. A valoração das circunstâncias judiciais foi fundamentada em elementos concretos e idôneos, respeitando o princípio da individualização da pena.

9. Recurso desprovido. (REsp n. 2.053.267/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 18/2/2025, DJEN de 25/2/2025.) Em casos tais, em que o agravante possui vários antecedentes criminais (fl. 231), não é, como asseverou o Tribunal de Justiça, socialmente recomendável a fixação de regime mais brando de cumprimento de pena. Ante o exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

AgRg no AREsp 759.045/SP, rel. Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 17/8/2017, DJe 23/8/2017

Case cited

AgRg no AREsp n. 2.860.464/DF, rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 6/5/2025, DJEN de 12/5/2025

Case cited

REsp n. 2.053.267/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 18/2/2025, DJEN de 25/2/2025

Case cited

art. 306, § 1º, c/c o art. 298, III, do Código de Trânsito Brasileiro

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 33, § 3º, 'c', do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 59 do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 619 do CPP

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 315, §2º, IV do CPP

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula n. 7 do STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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