Embargosdedeclara O Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3db2eb7ccdbf40b1663ce2
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- Judgment
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- Brazil
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- Superior Tribunal de Justiça
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- Embargos De Declaração Em Recurso Especial / Acórdão (sessão Virtual De 11/02/2025 a 17/02/2025)
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01
Holding and result
Os embargos de declaração foram parcialmente acolhidos porque o acórdão embargado continha erro material quanto à base de cálculo dos honorários recursais; em observância ao art. 85, §2º do CPC o Tribunal reformou a redação para majorar os honorários fixados anteriormente, estabelecendo percentual de 12% sobre o valor da causa, observada eventual concessão de gratuidade de justiça.
Court disposition
Embargos de declaração parcialmente acolhidos.
Orders
- Acolher parcialmente os embargos de declaração interpostos por FRANCISCO HEPP E OUTROS.
- Alterar no acórdão embargado a base de cálculo dos honorários recursais, passando a redação para: "nos termos do art. 85, § 11, do CPC, considerando o trabalho adicional imposto ao advogado da parte recorrida em virtude da interposição deste recurso, majoro os honorários fixados anteriormente em 10% sobre o valor da causa (e-STJ fls. 12 44) para 12%, observada eventual concessão da gratuidade de justiça."
02
Material facts
Parties
FRANCISCO HEPP E OUTROS
EmbarganteAmounts and remedies
- Honorários Fixados Anteriormente: BRL 2,000
- Honorários Arbitrados Pelo Tribunal De Origem Após Retratação (%): % 10
- Honorários Recursais Majorados Pelo STJ (%): % 12
03
Procedural history
Posture
Embargos De Declaração Em Recurso Especial / Acórdão (sessão Virtual De 11/02/2025 a 17/02/2025)
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Negativa de prestação jurisdicional
- 02
Nulidade de contrato de mútuo por juros acima do limite legal (usura)
- 03
Efeito da ausência de registro da hipoteca sobre alegação de fraude contra credores
- 04
Se a existência de fraude contra credores afasta a impenhorabilidade do bem de família
- 05
Majoração dos honorários recursais em percentual
Party arguments
- Applicant
- Os honorários recursais devem ser majorados de forma porcentual.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
art. 1.022 do CPC/2015
Embargos de declaração destinam-se a corrigir obscuridade, contradição, erro material ou omissão, não à reanálise da causa
- 02
acórdão
Erro material apto a acolher declaratórios é o evidente quanto a aspectos incontroversos da demanda
- 03
Jurisprudência do STJ citada no acórdão
Quando contrato particular de mútuo apresentar usura, deve haver redução dos juros ao limite legal, conservando-se o negócio jurídico
- 04
acórdão
Fraude contra credores exige anterioridade do crédito, prejuízo ao credor (eventus damni) e conhecimento do terceiro adquirente do estado de insolvência (scientia fraudis)
- 05
acórdão
A ausência de registro da hipoteca na matrícula não impede o reconhecimento da fraude contra credores se demonstrado o conhecimento do adquirente
- 06
acórdão e Lei 8.009/90
Para aferir fraude envolvendo bem de família deve-se verificar alteração da destinação primitiva do imóvel ou desvio do proveito econômico em prejuízo do credor
- 07
art. 85, §2º do CPC
Honorários sucumbenciais devem observar art. 85, §2º do CPC e podem ser fixados em percentual sobre o valor da causa
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Os embargos de declaração foram parcialmente acolhidos porque o acórdão embargado continha erro material quanto à base de cálculo dos honorários recursais; em observância ao art. 85, §2º do CPC o Tribunal reformou a redação para majorar os honorários fixados anteriormente, estabelecendo percentual de 12% sobre o valor da causa, observada eventual concessão de gratuidade de justiça.
Obiter and limits
- Embargos de declaração não se prestam à simples reanálise da causa.
- O erro material passível de acolhimento é aquele evidente quanto a aspectos incontroversos.
- Quando mútuo particular revela usura, a solução é a redução dos juros ao limite legal, preservando-se o negócio jurídico.
Court disposition
Embargos de declaração parcialmente acolhidos.
- Acolher parcialmente os embargos de declaração interpostos por FRANCISCO HEPP E OUTROS.
- Alterar no acórdão embargado a base de cálculo dos honorários recursais, passando a redação para: "nos termos do art. 85, § 11, do CPC, considerando o trabalho adicional imposto ao advogado da parte recorrida em virtude da interposição deste recurso, majoro os honorários fixados anteriormente em 10% sobre o valor da causa (e-STJ fls. 12 44) para 12%, observada eventual concessão da gratuidade de justiça."
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Superior Tribunal de Justiça
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Judgment reading view
Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/02/2025 a 17/02/2025, por unanimidade, acolher parcialmente os embargos de declaração, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. Impedido o Sr. Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS).
EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. OBSCURIDADE, OMISSÃO,CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. REFORMA DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.
1. Os embargos de declaração são instrumento processual excepcional e, a teor do art. 1.022 do CPC/2015, destinam-se ao aprimoramento do julgado que contenha obscuridade, contradição, erro material ou omissão sobre tema cujo pronunciamento se impunha manifestar o julgador. Não se prestam à simples reanálise da causa, nem são vocacionados a modificar o entendimento do órgão julgador.
2. O erro material apto a acolher os declaratórios é aquele evidente quanto a aspectos incontroversos da demanda.
3. Embargos de declaração parcialmente acolhidos.
RELATÓRIO Examina-se embargos de declaração opostos por FRANCISCO HEPP E OUTROS em face de acórdão que negou provimento a recurso especial, nos seguintes termos: "RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS A EXECUÇÃO. FRAUDE CONTRA CREDORES. BEM DE FAMÍLIA. ALIENAÇÃO A TERCEIROS. MANUTENÇÃO DA DESTINAÇÃO DO BEM. HIPOTECA. NÃO REGISTRADA. ATO DOLOSO. IMPENHORABILIDADE. CIENCIA DO TERCEIRO ADQUIRENTE.
1. Embargos à execução ajuizados em 02/06/2016, dos quais foi extraído o presente recurso especial, interposto em 21/06/2022 e concluso ao gabinete em 09/04/2024.
2. O propósito recursal é decidir I) se houve negativa de prestação jurisdicional; II) se deve ser declarado nulo o contrato de mútuo entre particulares com juros acima do que estipula a Lei de Usura; III) se a ausência de registro da hipoteca na matrícula do imóvel alienado afasta a alegação de fraude contra credores; e IV) se a existência de fraude contra credores é suficiente para elidir a impenhorabilidade do bem de família.
3. Não está caracterizada a violação ao art. 1.022 do CPC.
4. O reexame de fatos e provas é inadmissível em recurso especial.
5. Quando no contrato particular de mútuo feneratício for constatada a prática de usura ou agiotagem, a jurisprudência desta Corte entende que deve apenas haver a redução dos juros estipulados para o limite legal, conservando-se o negócio jurídico.
6. A ocorrência de fraude contra credores requer: (I) a anterioridade do crédito; (II) a comprovação de prejuízo ao credor (eventus damni) e (III) o conhecimento, pelo terceiro adquirente, do estado de insolvência do devedor (scientia fraudis).
7. A ausência de registro da hipoteca na matrícula do imóvel alienado não obsta o reconhecimento da fraude contra credores, desde que demonstrado por outros meios que o terceiro adquirente tinha ciência do estado de insolvência do devedor.
8. Sobre a fraude envolvendo bem impenhorável, a jurisprudência deste STJ entende que o parâmetro crucial para discernir se há ou não fraude contra credores ou à execução é verificar a ocorrência de alteração na destinação primitiva do imóvel - qual seja, a morada da família - ou de desvio do proveito econômico da alienação (se existente) em prejuízo do credor. Inexistentes tais requisitos, não há falar em alienação fraudulenta.
9. Se o imóvel em que a família reside poderia ser penhorado por se enquadrar em uma das hipóteses excludentes da proteção da Lei 8.009/90 (art. 3º) e, após, ele foi alienado para terceiro com o intuito de livrar o devedor da obrigação, mesmo que a família continue residindo no bem, não há que se falar impenhorabilidade, pois ela já não existia antes da venda.
10. Portanto, ao verificar-se casuisticamente se houve alteração na destinação primitiva do imóvel, há de ser observado se antes da alienação o bem se enquadrava em alguma das hipóteses do art. 3º da Lei 8.009/90, não bastando o fato de o imóvel continuar a ser usado como residência familiar.
11. Em observância ao art. 3º, V, da Lei 8.009/90, se o casal ofereceu como garantia o imóvel que servia como residência familiar, obrigando-se a registrar a hipoteca, mas este registro não foi feito propositalmente, com o intuito de esquivar-se da obrigação assumida, não há que se conferir a impenhorabilidade do bem, pois inadmissível que o devedor se beneficie da sua própria torpeza.
12. Recurso especial desprovido." Em suas razões, aduz que os honorários recursais devem ser majorados de forma porcentual. É o relatório.
EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. OBSCURIDADE, OMISSÃO,CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. REFORMA DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.
1. Os embargos de declaração são instrumento processual excepcional e, a teor do art. 1.022 do CPC/2015, destinam-se ao aprimoramento do julgado que contenha obscuridade, contradição, erro material ou omissão sobre tema cujo pronunciamento se impunha manifestar o julgador. Não se prestam à simples reanálise da causa, nem são vocacionados a modificar o entendimento do órgão julgador.
2. O erro material apto a acolher os declaratórios é aquele evidente quanto a aspectos incontroversos da demanda.
3. Embargos de declaração parcialmente acolhidos.
VOTO Os embargos de declaração são instrumento processual excepcional e, a teor do art. 1.022 do CPC/2015, destinam-se ao aprimoramento do julgado que contenha obscuridade, contradição, erro material ou omissão sobre tema cujo pronunciamento se impunha manifestar o julgador. Não se prestam à simples reanálise da causa, nem são vocacionados a modificar o entendimento do órgão julgador. Com efeito, o erro material apto a acolher os declaratórios é aquele evidente quanto a aspectos incontroversos da demanda. Na espécie, verifica-se que o acórdão recorrido arbitrou os honorários por equidade, nos termos do que havia sido definido pelo acórdão que julgou a apelação. (e-STJ Fl.998) Contudo, em juízo de retratação, o Tribunal de origem alterou seu entendimento para arbitrar os honorários sucumbenciais em 10% do valor atualizado da causa. (e-STJ Fl.1244) Dessarte, assiste razão ao embargante no que tange ao pleito de alteração da base dos honorários. Assim, em observância ao art. 85, §2º do CPC, no acórdão embargado, onde se lê "nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro em R$ 2.000 reais (dois mil reais) os honorários fixados anteriormente, observada eventual gratuidade de justiça deferida, observados os limites do art. 85, §2º do CPC" (e-STJ Fl.1373-1374), leia-se "nos termos do art. 85, § 11, do CPC, considerando o trabalho adicional imposto ao advogado da parte recorrida em virtude da interposição deste recurso, majoro os honorários fixados anteriormente em 10% sobre o valor da causa (e-STJ fls. 12 44) para 12%, observada eventual concessão da gratuidade de justiça." Forte nessas razões, ACOLHO PARCIALMENTE os embargos de declaração para alterar a base de cálculo dos honorários recursais.
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