Embargosdedeclara O Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dc3827ccdbf40b1700a2f
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- Jurisdiction
- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
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- Embargos De Declaração No Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual Da Primeira Turma (06/08/2025 a 12/08/2025)
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01
Holding and result
Rejeitaram-se os embargos de declaração porque o acórdão recorrido foi claro e suficientemente fundamentado, não havendo obscuridade, contradição, omissão ou erro material a ser sanado; ademais, a pretensão de reformar a conclusão do tribunal de origem sobre a ausência de provas do dolo específico implicaria reexame do conjunto fático-probatório, hipótese vedada no recurso especial pela Súmula n. 7 do STJ, observados os requisitos de admissibilidade do CPC/2015 conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ.
Court disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade.
Orders
- Rejeitam-se os embargos de declaração.
02
Procedural history
Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual Da Primeira Turma (06/08/2025 a 12/08/2025)
03
Questions and positions
Legal issues
- 01
Admissibilidade e cabimento de embargos de declaração contra acórdãos publicados na vigência do CPC/2015
- 02
Existência de omissão, obscuridade ou contradição no acórdão impugnado
- 03
Possibilidade de reforma da conclusão sobre ausência de dolo específico sem reexame fático-probatório
- 04
Efeito da Lei n. 14.230/2021 sobre a exigência de dolo específico nos atos de improbidade
Party arguments
- Applicant
- O embargante alegou omissão quanto à ausência de pacificação jurisprudencial sobre a exigência de dolo específico e sustentou que a discussão, de cunho jurídico, deveria considerar se o dolo genérico deve ter o mesmo tratamento que atos ímprobos da modalidade culposa. Aduziu, ainda, que a questão foi submetida ao rito dos recursos repetitivos para examinar se é válida a exigência de comprovação de dolo específico para caracterização de atos de improbidade em processos não transitados em julgado até a publicação da Lei n. 14.230/2021.
- Respondent
- Argumentou-se que não há omissão, obscuridade ou contradição no acórdão impugnado, que a decisão foi clara e fundamentada, e que a revisão da conclusão acerca da ausência de provas do dolo específico demandaria reexame do conjunto fático-probatório, vedado no recurso especial conforme a Súmula n. 7 do STJ, sendo citados precedentes desta Corte em apoio.
04
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
art. 1.022 do CPC/2015
Cabimento e finalidade dos embargos de declaração (esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material)
- 02
Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ
Aplicação dos requisitos de admissibilidade do CPC/2015 aos recursos interpostos contra decisões publicadas na vigência do referido código
- 03
Súmula n. 7/STJ
Impossibilidade de revisar matéria fático-probatória no recurso especial
- 04
REsp n. 2.107.601/MG, rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgamento de 23/4/2024, DJe 7/6/2024
Orientação de que a conduta ímproba escorada em dolo genérico foi revogada pela Lei n. 14.230/2021 e deve receber o mesmo tratamento dado às demais hipóteses revogadas
05
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Rejeitaram-se os embargos de declaração porque o acórdão recorrido foi claro e suficientemente fundamentado, não havendo obscuridade, contradição, omissão ou erro material a ser sanado; ademais, a pretensão de reformar a conclusão do tribunal de origem sobre a ausência de provas do dolo específico implicaria reexame do conjunto fático-probatório, hipótese vedada no recurso especial pela Súmula n. 7 do STJ, observados os requisitos de admissibilidade do CPC/2015 conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ.
Obiter and limits
- A Primeira Turma firmou orientação no REsp n. 2.107.601/MG no sentido de que a conduta ímproba escorada em dolo genérico também foi revogada pela Lei n. 14.230/2021 e deve receber o mesmo tratamento das demais hipóteses revogadas.
- Foram citados precedentes da Corte que tratam da vedação ao reexame de provas em recurso especial (EDcl no AgInt no AREsp n. 2.422.725/SC; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.329.883/MG; AgInt no AREsp n. 2.086.626/SP; AgRg no AREsp n. 658.650/PE).
Court disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade.
- Rejeitam-se os embargos de declaração.
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
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Judgment reading view
Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 06/08/2025 a 12/08/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina.
EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO CPC/2015. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS.
1. Tendo o recurso sido interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ.
2. Nos termos do que dispõe o artigo 1.022 do CPC/2015, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material.
3. Não há vício a ensejar esclarecimento, complemento ou eventual integração do que decidido no julgado, pois a tutela jurisdicional foi prestada de forma clara e fundamentada.
4. Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Trata-se de embargos de declaração opostos contra acórdão, assim ementado (fl. 518): ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL . AGRAVOINTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVILPÚBLICA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM QUECONSIGNA A AUSÊNCIA DE DOLO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ.
1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ.
2. A revisão da conclusão a que chegou o Tribunal de origem acerca da ausência de provas do dolo específico para a configuração do ato ímprobo em apreço demanda o reexame dos fatos e provas constantes dos autos, o que é vedado no âmbito do recurso especial, nos termos da Súmula n. 7 do STJ.
3. Agravo interno não provido. O embargante sustenta, em síntese, que o acórdão contém omissão a respeito da ausência de pacificação da jurisprudência no que se refere ao dolo específico, tampouco se considerou que a discussão, exclusivamente, jurídica consiste em saber se o dolo genérico deverá ter o mesmo tratamento que os atos ímprobos da modalidade culposa. Assevera, ainda, que, recentemente, esta Colenda Corte Superior submeteu ao rito dos recursos repetitivos a questão em comento: se é válida a exigência de comprovação de dolo específico para a caracterização de atos de improbidade nos processos não transitados em julgado até a publicação da Lei n. 14.230/2021. Com impugnação. É o relatório.
EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO CPC/2015. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS.
1. Tendo o recurso sido interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ.
2. Nos termos do que dispõe o artigo 1.022 do CPC/2015, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material.
3. Não há vício a ensejar esclarecimento, complemento ou eventual integração do que decidido no julgado, pois a tutela jurisdicional foi prestada de forma clara e fundamentada.
4. Embargos de declaração rejeitados.
VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Nos termos do que dispõe o artigo 1.022 do CPC/2015, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material. O acórdão embargado decidiu a controvérsia ao assentar a necessidade de reexame do conjunto fático-probatório dos autos para rever a conclusão do Tribunal de origem a respeito da ausência de provas do dolo específico para a configuração do ato ímprobo em comento (e-STJ, fls. 372-374). Para tanto, citou precedentes desta Corte Superior nesse sentido: EDcl no AgInt no AREsp n. 2.422.725/SC, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 9/12/2024, DJEN de 28/1/2025; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.329.883/MG, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 15/10/2024, DJEN de 11/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.086.626/SP, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, julgado em 7/10/2024, DJe de 14/10/2024; AgRg no AREsp n. 658.650/PE,
relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 14/5/2024, DJe de 21/5/2024. Assim, evidencia-se não ter ocorrido falta de clareza, insuficiência de fundamentação ou erro material a ensejar esclarecimento ou complementação do que já decidido. Por oportuno, registre-se que a Primeira Turma desta Corte Superior, no julgamento do REsp n. 2.107.601/MG, de relatoria do Ministro Gurgel de Faria, realizado em 23/4/2024, DJe 7/6/2024, firmou orientação segundo a qual "Tal como aconteceu com a modalidade culposa e com os incisos I e II do art. 11 da LIA (questões diretamente examinadas pelo STF), a conduta ímproba escorada em dolo genérico (tema ainda não examinado pelo Supremo) também foi revogada pela Lei n. 14.230/2021, pelo que deve receber rigorosamente o mesmo tratamento". Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É como voto.
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