Interesseprocessual Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3d8b1a7ccdbf40b14fa5e4
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- Jurisdiction
- Brazil
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- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecer Do Agravo E Não Conhecer Do Recurso Especial
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- Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecer Do Agravo E Não Conhecer Do Recurso Especial
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Professional case brief
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01
Holding and result
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as razões recursais estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido, configurando deficiência de fundamentação nos termos da Súmula 284/STF, e porque o acolhimento da pretensão do recorrente exigiria reexame do conjunto fático-probatório, vedado pelo entendimento consolidado na Súmula 7/STJ; por conseguinte, o recurso especial não foi admitido e houve majoração de honorários em 15% conforme art. 85, §11, CPC.
Court disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial; majoro honorários advocatícios em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
Orders
- Conheço do agravo
- Não conheço do recurso especial
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem
- Publique-se
- Intimem-se
02
Material facts
Parties
MUNICIPIO DE LORENA
AgravanteAmounts and remedies
- Majoração De Honorários (%): 15
03
Procedural history
Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecer Do Agravo E Não Conhecer Do Recurso Especial
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
reconhecimento de ausência de interesse de agir
- 02
exigência ou não de negativa administrativa antes do ajuizamento
- 03
aplicação da Súmula 284 do STF por deficiência na fundamentação do recurso especial
- 04
vedação ao reexame de provas pelo recurso especial (Súmula 7/STJ)
- 05
majoração de honorários advocatícios com base no art.85, §11, CPC
Party arguments
- Applicant
- O Município alega violação do art. 485, VI, do CPC quanto ao reconhecimento da falta de interesse de agir da parte autora, sustentando que não houve omissão do Poder Público nem recusa ao tratamento pleiteado (internação compulsória de Jaqueline), razão pela qual o processo deveria ser extinto sem resolução do mérito.
- Respondent
- O acórdão recorrido afastou a preliminar de falta de interesse processual, entendendo que não se exige negativa administrativa para o ajuizamento da ação em razão do princípio da inafastabilidade da jurisdição e que a própria Municipalidade encaminhou relatório ao Ministério Público para adoção de providências. Concluiu-se pela impossibilidade de conhecimento do recurso especial em razão da deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF) e por ensejar reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ); foi conhecido o agravo para não conhecer do recurso especial e majorados honorários.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Princípio constitucional/CF/88 (mencionado no acórdão recorrido)
Não se exige negativa administrativa para o ajuizamento da ação (princípio da inafastabilidade da jurisdição)
- 02
Súmula n. 284/STF (citada)
É inadmissível o recurso extraordinário quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia (Súmula 284/STF)
- 03
Súmula n. 7/STJ (citada)
A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial (vedação ao reexame do acervo fático-probatório)
- 04
Código de Processo Civil (art. 485, VI) (citado)
Art. 485, inciso VI, do CPC - extinção do processo sem resolução do mérito por ausência de interesse de agir (norma processual invocada)
- 05
Código de Processo Civil (art. 85, §11) (citado)
Majoração de honorários com fundamento no art. 85, §11, do CPC
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as razões recursais estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido, configurando deficiência de fundamentação nos termos da Súmula 284/STF, e porque o acolhimento da pretensão do recorrente exigiria reexame do conjunto fático-probatório, vedado pelo entendimento consolidado na Súmula 7/STJ; por conseguinte, o recurso especial não foi admitido e houve majoração de honorários em 15% conforme art. 85, §11, CPC.
Obiter and limits
- Foi destacado que a própria Municipalidade encaminhou relatório da paciente ao Ministério Público para adoção de providências à internação compulsória.
- Foram citados diversos precedentes do STJ em apoio às conclusões acerca da Súmula 284/STF e da Súmula 7/STJ.
Court disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial; majoro honorários advocatícios em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
- Conheço do agravo
- Não conheço do recurso especial
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem
- Publique-se
- Intimem-se
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
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Judgment reading view
Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pelo MUNICIPIO DE LORENA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL - NÃO OCORRÊNCIA - NÃO SE EXIGE A COMPROVAÇÃO DE QUE HOUVE NEGATIVA ADMINISTRATIVA ANTES DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO - NA HIPÓTESE, FOI A PRÓPRIA MUNICIPALIDADE QUEM ENVIOU O RELATÓRIO DA PACIENTE PARA QUE O MINISTÉRIO PÚBLICO ADOTASSE AS PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS À SUA INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA - PRELIMINAR REJEITADA AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER - INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA EM CLÍNICA APROPRIADA - ADMISSIBILIDADE - PACIENTE HIPOSSUFICIENTE OBRIGAÇÃO DE CONCESSÃO DO TRATAMENTO - ART. 196 DA CF RECURSO NÃO PROVIDO. Quanto à controvérsia recursal, alega violação do art. 485, VI, do CPC, no que concerne ao reconhecimento da falta de interesse de agir da parte autora, uma vez que não houve omissão do Poder Público na prestação de serviço de saúde, trazendo os seguintes argumentos: No caso, inexiste necessidade. É certo que não houve recusa ao tratamento de saúde pleiteado, ou seja, à internação compulsória de Jaqueline. Assim sendo, não há que se falar em omissão por parte do Poder Público Municipal. Assim, convenhamos, não havendo, no caso presente, necessidade de se recorrer ao
Poder Judiciário para conseguir tratamento apto a atender as necessidades médicas de Jaqueline, inexiste interesse de agir, razão pela qual este processo deveria ser extinto sem resolução do mérito, conforme prevê o artigo 485, inciso VI, do CPC. .. Assim, não pode ser condenado o Município por algo que não se negou a fazer/fornecer, vez que o tratamento e instalações hospitalares estavam a disposição de Jaqueline, ora, o Município não se omitiu quanto a sua função e cumprimento do direito a saúde (fls. 596-597). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia recursal, na espécie, o acórdão recorrido assim decidiu: De inicio, afasto a preliminar de falta de interesse processual. Não se exige a negativa administrativa para o ajuizamento da ação, em razão do principio da inafastabilidade da jurisdição. Ademais, verifica-se a fls. 09/11, que foi a própria Municipalidade quem encaminhou o relatório da paciente ao Ministério Público, para que tomasse as providências necessárias à internação compulsória dela (fl. 587, grifo meu). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível
o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ademais, pelas mesmas razões acima transcritas, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a
modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.
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