Jurosdemora Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3d856d7ccdbf40b14ca855
- Status
- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
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- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Embargos De Declaração / Decisão
More details
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Professional case brief
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01
Holding and result
Acolheram-se os embargos de declaração para integrar a decisão anterior, aplicando-se, no caso de condenação previdenciária, o INPC como índice de correção monetária para o período posterior à Lei 11.430/2006; para o período anterior, devem ser aplicados os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal; os juros de mora incidentes incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art.1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei 11.960/2009); e inverteu-se o ônus da sucumbência, fixando-se honorários em 10% do proveito econômico obtido pela parte autora.
Court disposition
Embargos de declaração acolhidos
Orders
- Determinar a incidência do INPC para fins de correção monetária no período posterior à vigência da Lei n. 11.430/2006
- Para o período anterior à vigência da Lei n. 11.430/2006, aplicar os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal
- Determinar que os juros de mora incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei 11.960/2009)
- Inverter o ônus da sucumbência e fixar os honorários advocatícios em 10% do proveito econômico obtido pela parte autora
- Publicar e intimar as partes
02
Material facts
Parties
embargante
EmbarganteFazenda Pública
RéuAmounts and remedies
- Honorários Advocatícios: % 10
- Juros De Mora (exposição Normativa): % ao mês 0.5
- Juros De Mora (exposição Normativa): % ao mês 1
03
Procedural history
Posture
Embargos De Declaração / Decisão
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
omissão quanto à definição de juros, correção monetária e honorários
- 02
incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 em condenações previdenciárias
- 03
índice aplicável para correção monetária de benefícios previdenciários (INPC vs IPCA-E)
- 04
possibilidade de modulação dos efeitos
- 05
inversão do ônus da sucumbência e fixação dos honorários
Party arguments
- Applicant
- A embargante alega omissão na decisão quanto à definição dos juros, correção monetária e honorários advocatícios.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Decisão do Supremo Tribunal Federal (repercussão geral) e Tema 810/STF (trecho transcrito no acórdão)
O art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei 11.960/2009, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária; aplica-se às condenações não-tributárias para juros de mora segundo remuneração da caderneta de poupança.
- 02
Tema 905/STJ e art. 41-A da Lei 8.213/91 (Lei 11.430/2006)
Para fins de correção monetária de condenações previdenciárias posteriores à Lei 11.430/2006 (art. 41-A da Lei 8.213/91), aplica-se o INPC.
- 03
CTN, art. 161, § 1º (mencionado no acórdão)
Na ausência de disposição legal específica sobre juros de mora em matéria tributária, aplica-se a taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN).
- 04
Decisão do STJ (Tema 905)
Preservação da coisa julgada: eventual coisa julgada que tenha determinado aplicação de índices diversos deve ser respeitada e analisada caso a caso.
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Acolheram-se os embargos de declaração para integrar a decisão anterior, aplicando-se, no caso de condenação previdenciária, o INPC como índice de correção monetária para o período posterior à Lei 11.430/2006; para o período anterior, devem ser aplicados os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal; os juros de mora incidentes incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art.1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei 11.960/2009); e inverteu-se o ônus da sucumbência, fixando-se honorários em 10% do proveito econômico obtido pela parte autora.
Obiter and limits
- Não cabe modulação de efeitos na hipótese em que não houve expedição ou pagamento de precatório.
- A adoção do INPC para benefícios previdenciários não configura afronta ao entendimento do STF sobre o BPC, pois o IPCA-E aplicado pelo STF referiu-se a benefício assistencial (BPC).
Court disposition
Embargos de declaração acolhidos
- Determinar a incidência do INPC para fins de correção monetária no período posterior à vigência da Lei n. 11.430/2006
- Para o período anterior à vigência da Lei n. 11.430/2006, aplicar os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal
- Determinar que os juros de mora incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei 11.960/2009)
- Inverter o ônus da sucumbência e fixar os honorários advocatícios em 10% do proveito econômico obtido pela parte autora
- Publicar e intimar as partes
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Superior Tribunal de Justiça
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração no qual a embargante alega omissão na decisão de fls. 242-244, quanto a definição dos juros, correção monetária e honorários advocatícios. É o relatório. Decido. Os embargos merecem acolhimento. A questão dos juros e correção monetária dos créditos contra a Fazenda foi objeto de grande controvérsia a partir da alteração ocorrida no art. 1º-F da Lei n. 9.494/97, tendo a questão sido sobrestada tanto no Supremo Tribunal Federal quanto no Superior Tribunal de Justiça (Temas 810 e 905, respectivamente). No Supremo Tribunal Federal a questão foi solucionada da seguinte forma, quanto à tese de repercussão geral, in verbis: 1) O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, aos quais devem ser aplicados os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito tributário, em respeito ao princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput); quanto às condenações oriundas de relação jurídica não-tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a redação dada pela Lei nº
11.960/09; e 2) O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina. Já nesta Corte, a tese firmada sob o rito dos repetitivos, correspondente ao Tema 905, ficou assim, in verbis: 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de
captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório.
2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples);
correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices.
4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. No caso dos autos, os juros de mora e correção monetária de benefício previdenciário devem obedecer o descrito no item 3.2, qual seja, as condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art.1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). Registre-se que foi definido somente o INPC a partir da Lei n. 11.430/2006, pois, conforme observado no próprio voto do supramencionado acórdão, a adoção do INPC não configura afronta ao que foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral (RE 870.947/SE). Isso porque, naquela ocasião, determinou-se a aplicação do IPCA-E para fins de correção monetária de benefício de prestação continuada (BPC), o qual se trata de benefício de natureza assistencial, previsto na Lei 8.742/93.
Assim, é imperioso concluir que o INPC, previsto no art. 41-A da Lei 8.213/91, abrange apenas a correção monetária dos benefícios de natureza previdenciária (grifos no original). Ainda nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. REVISÃO DA RENDA MENSAL INICIAL. JUROS DE MORA E ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. ARTIGO 1º-F DA LEI 9.494/1997 COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009.CONDENAÇÃO DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. OBSERVÂNCIA DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS 1.495.146/MG, 1.495.144/RS E 1.492.221/PR.RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.
1. A questão a ser revisitada diz respeito à incidência do artigo 1º-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009, sobre a condenação imposta à Fazenda Pública previdenciária.
2. A Primeira Seção do STJ concluiu o julgamento dos recursos especiais submetidos ao regime dos recursos repetitivos, que tratam da questão relativa à aplicabilidade do artigo 1º-F da Lei 9.494/1997, com redação dada pela Lei 11.960/2009, em relação às condenações impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza, para fins de atualização monetária, remuneração do capital e compensação da mora REsp 1.495.146/MG, REsp 1.495.144/RS e REsp 1.492.221/PR, todos da Relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques.
3. Para o presente caso, isto é, condenações judiciais de natureza previdenciária, incide o INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o artigo 41-A na Lei 8.213/1991. No período anterior à vigência da Lei 11.430/2006, devem ser aplicados os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal.
4. No tocante aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, consoante artigo 1º-F da Lei 9.494/1997, com redação dada pela Lei 11.960/2009.
5. A pretensão recursal contraria o que foi decidido pela Primeira Seção do STJ, razão pela qual a decisão agravada deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.
6. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1452520/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/02/2020, DJe 20/02/2020) Quanto aos honorários advocatícios, esclareça-se que na sentença que julgou improcedente o pedido, os honorários foram fixados em 10% sobre o valor atualizado da causa. Contudo, em razão do provimento do recurso especial, inverto o ônus da sucumbência, fixado a verba honorária em 10% do proveito econômico obtido. Ante o exposto, acolho os embargos de declaração, para integrar a decisão embargada, para determinar a incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei n. 11.430/2006 e no período anterior à vigência da Lei 11.430/2006, devem ser aplicados os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, no que tange aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança. Inverto o ônus da sucumbência nos termos fixados na sentença para 10% do proveito econômico obtido pela parte autora. Publique-se. Intimem-se.
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