Embargosdedeclara O Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3db2ea7ccdbf40b166326e
- Status
- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
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- Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado Dos Embargos De Declaração (decisão Final)
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Professional case brief
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01
Holding and result
Os embargos foram rejeitados por inexistirem vícios previstos no art. 1.022 do NCPC; o prazo para interposição do recurso havia se encerrado antes da vigência da Lei n. 14.939/2024, não tendo sido comprovada, no momento da interposição, a ocorrência de suspensão de prazos ou feriado local, de modo que incide o art. 1.003, §6º do NCPC e a teoria do isolamento dos atos (art. 14 do CPC), impedindo-se a aplicação retroativa da nova norma para validar o recurso intempestivo.
Court disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Embargos de declaração rejeitados.
- Acórdão mantido.
02
Material facts
Parties
MONIKA MACHALOUS (MONIKA)
Embargante03
Procedural history
Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado Dos Embargos De Declaração (decisão Final)
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
hipóteses do art. 1.022 do NCPC (omissão, obscuridade, contradição ou erro material)
- 02
aplicabilidade da Lei n. 14.939/2024 e direito intertemporal
- 03
comprovação de feriado local no momento da interposição do recurso (art. 1.003, § 6º do NCPC)
- 04
incidência da teoria do isolamento dos atos processuais (art. 14 do CPC)
Party arguments
- Applicant
- Sustenta omissão e erro material no acórdão por não ter considerado a aplicabilidade da Lei n. 14.939/2024 (publicada em 30/7/2024), que dispensa a comprovação de feriado local, alegando que o processo ainda estava em curso e que a nova lei deveria ser aplicada por conferir maior direito.
- Respondent
- Não foi apresentada impugnação; o Tribunal, contudo, entendeu que o prazo para interposição do recurso encerrou antes da vigência da Lei n. 14.939/2024 (15/2/2024), devendo ser aplicada a teoria do isolamento dos atos e o art. 1.003, §6º do NCPC, não havendo prova de suspensão de prazos no momento da interposição.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
art. 1.022 do NCPC
Hipóteses de cabimento dos embargos de declaração (omissão, obscuridade, contradição ou erro material)
- 02
art. 1.003, § 6º, do NCPC
Obrigatoriedade de comprovação do feriado local quando da interposição do recurso
- 03
art. 14 do CPC
Cada ato processual se submete à lei vigente ao tempo de sua prática (teoria do isolamento dos atos)
- 04
jurisprudência e fundamentação do acórdão
Princípio da irretroatividade da lei processual aplicável aos atos já praticados
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Os embargos foram rejeitados por inexistirem vícios previstos no art. 1.022 do NCPC; o prazo para interposição do recurso havia se encerrado antes da vigência da Lei n. 14.939/2024, não tendo sido comprovada, no momento da interposição, a ocorrência de suspensão de prazos ou feriado local, de modo que incide o art. 1.003, §6º do NCPC e a teoria do isolamento dos atos (art. 14 do CPC), impedindo-se a aplicação retroativa da nova norma para validar o recurso intempestivo.
Obiter and limits
- Citação de precedente sobre direito intertemporal e impossibilidade de retroatividade da técnica de julgamento do art. 942 do NCPC (REsp 1.458.694/SP)
- Menção ao AgInt no REsp n. 1.744.719/SP, Terceira Turma, como precedente sobre isolamento dos atos processuais
Court disposition
Embargos de declaração rejeitados
- Embargos de declaração rejeitados.
- Acórdão mantido.
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Superior Tribunal de Justiça
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Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/02/2025 a 17/02/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins.
EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO NCPC. OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. DECISÃO MANTIDA. EMBARGOS REJEITADOS.
1. Inexistentes as hipóteses do art. 1.022 do NCPC, não merecem acolhimento os embargos de declaração que têm nítido caráter infringente.
2. Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos por MONIKA MACHALOUS (MONIKA) contra acórdão de minha relatoria, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO INTEMPESTIVO. SUSPENSÃO DOS PRAZOS PROCESSUAIS NO TRIBUNAL ESTADUAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FERIADO LOCAL, POR DOCUMENTO IDÔNEO, QUANDO DA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO. ART. 1.003, § 6º, DO NCPC. ENTENDIMENTO DA CORTE ESPECIAL. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.
1. O recurso foi protocolado na vigência do NCPC, atraindo a aplicabilidade do art. 1.003, § 6º, do NCPC, que não mais permite a comprovação da ocorrência de feriado local em momento posterior, já que estabeleceu ser necessária a sua demonstração quando interposto o recurso. Entendimento da Corte Especial.
2. Agravo interno não provido. (e-STJ, fl. 516 ). Nas razões do presente inconformismo, MONIKA defende a ocorrência de omissão e erro material do acórdão recorrido. Afirma, para tanto, que o acórdão embargado foi omisso em relação à aplicabilidade da Lei n. 14.939/2024, publicada em 30 de julho de 2024, que dispensa a comprovação de feriado local. Assevera que "o processo ainda estava em curso, devendo ser aplicada a nova lei, por ser motivo de maior direito" (e-STJ, fl. 531). Requer, ao final, o acolhimento dos embargos com os consequente efeitos modificativos. Não foi apresentada impugnação (e-STJ, fl. 538). É o relatório.
EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO NCPC. OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. DECISÃO MANTIDA. EMBARGOS REJEITADOS.
1. Inexistentes as hipóteses do art. 1.022 do NCPC, não merecem acolhimento os embargos de declaração que têm nítido caráter infringente.
2. Embargos de declaração rejeitados.
VOTO Os embargos de declaração não comportam acolhimento. O inconformismo agora manejado não merece acolhimento em virtude da ausência dos vícios previstos no art. 1.022 do NCPC. O acórdão recorrido não foi obscuro, omisso, contraditório nem tampouco apresentou erro material ou erro de premissa. O acórdão embargado foi claro no sentido de que "o art. 1.003, § 6º, do NCPC, até a vigência da Lei n. 14.939/24, não permite a comprovação da ocorrência de suspensão dos prazos ou de feriado local em momento posterior, já que estabeleceu ser necessária a demonstração quando interposto o recurso" (e-STJ, fl. 517). Anote-se que o prazo para a interposição do recurso especial foi encerrado antes do início da vigência da Lei n. 14.939/2024 (15/2/2024), de forma que deve ser aplicada a teoria do isolamento dos atos processuais, segundo a qual cada ato se submete à lei vigente ao tempo de sua prática, respeitando-se aqueles já consumados, nos termos da legislação anterior, conforme o art. 14 do CPC. A propósito, confira-se o seguinte julgado: CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. DANO MORAL. DIREITO INTERTEMPORAL. RECURSOS DE APELAÇÃO. JULGAMENTO, POR MAIORIA, OCORRIDO NA VIGÊNCIA DO CPC/73. ACÓRDÃO PUBLICADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. TÉCNICA DE JULGAMENTO PREVISTA NO ART. 942 DO NCPC. RETROATIVIDADE DA LEI NOVA PARA REGULAR ATO JURÍDICO QUE LHE É
PRETÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. PRESCRIÇÃO. MENORES ABSOLUTAMENTE INCAPAZES À ÉPOCA DO EVENTO DANOSO. CONTAGEM. NOVO CÓDIGO CIVIL. PRAZO. REDUÇÃO. REGRA DE TRANSIÇÃO. DIREITO INTERTEMPORAL. TERMO INICIAL. REGRA PROTETIVA. PREJUÍZO. INAPLICABILIDADE. FINALIDADE DA NORMA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO 1. Se o julgamento do recurso de apelação ocorreu ainda sob a vigência do CPC/73, não havia como aplicar, naquela oportunidade, a técnica de julgamento estendido estabelecida apenas pelo novo diploma processual, sob pena de ofensa aos princípios da irretroatividade da lei processual e do isolamento dos atos processuais.
2. A norma impeditiva do curso do prazo de prescrição aos menores impúberes deve ser interpretada consoante sua finalidade para não gerar contradições ou incoerências jurídicas. É dizer, o intuito protetivo da norma relacionada aos absolutamente incapazes não poderá acarretar situação que acabe por lhes prejudicar, fulminando o exercício de suas pretensões, sobretudo se isso resulta em desvantagem quando comparados com os considerados maiores civilmente. (REsp 1.458.694/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, DJe 15/2/2019).
3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.744.719/SP, de minha relatoria, Terceira Turma, j. 9/10/2023, DJe de 11/10/2023) Assim, considerando que o recurso foi interposto sob a égide do CPC e antes do início da vigência da Lei n. 14.939/24 e que não houve a comprovação da suspensão dos prazos processuais no Tribunal estadual, apta a postergar o termo final dos prazos recursais, no momento da interposição, não há omissão ou erro material e , portanto, não há como ser afastada a sua intempestividade. Nessas condições, REJEITOS os embargos de declaração. É o voto.
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