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Superior Tribunal de Justiça

Agravo Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3ddb297ccdbf40b179c8fa

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01

Holding and result

Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem fundamentou suficientemente a decisão, atribuindo corretamente à embargante o ônus de provar que a dívida não beneficiou a família e garantindo-lhe a oportunidade de produzir prova; não houve omissão ou obscuridade a justificar a admissão do recurso especial e o tema demanda reexame fático-probatório vedado no recurso especial.

Court disposition

Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.

Orders

  • Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
  • Publique-se.
  • Intimem-se.
  • Deixo de majorar os honorários advocatícios, nos termos do art. 85, § 11, do NCPC.

02

Material facts

Parties

VERA LÚCIA PIO BOLZAN

Agravante

Rontan

Devedor

José Carlos Bolzan

Avalista

03

Procedural history

  1. Posture

    Agravo (art. 1.042 Do Cpc) / Juízo De Admissibilidade Do Recurso Especial

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Sustenta que houve indevida distribuição do ônus probatório, pois seria fato impeditivo alegado pela credora e configuraria prova negativa (prova diabólica), e que houve negativa de prestação jurisdicional por ausência de enfrentamento específico sobre a prova negativa e sobre a reserva de meação.
Respondent
Argumenta que não houve omissão nem obscuridade; o acórdão do Tribunal de origem enfrentou a matéria de modo fundamentado, atribuindo à embargante o ônus de provar que a dívida não beneficiou a família e lhe garantindo oportunidade de produção de prova; além disso, aplica-se jurisprudência do STJ (ex.: Súmulas 7 e 83) que impede reexame fático-probatório no recurso especial.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    art. 373, inciso I, do CPC e jurisprudência do STJ

    Compete ao meeiro comprovar que a dívida não beneficiou a entidade familiar

  2. 02

    jurisprudência do STJ (decisões citadas no acórdão)

    O julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos das partes quando encontra motivação satisfatória para decidir

  3. 03

    Súmula n. 7/STJ

    É inviável o reexame de matéria fático-probatória em recurso especial

  4. 04

    Súmula n. 83/STJ

    Incidência da Súmula n. 83/STJ quanto à impossibilidade de conhecimento do recurso por ambas as alíneas do permissivo constitucional

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem fundamentou suficientemente a decisão, atribuindo corretamente à embargante o ônus de provar que a dívida não beneficiou a família e garantindo-lhe a oportunidade de produzir prova; não houve omissão ou obscuridade a justificar a admissão do recurso especial e o tema demanda reexame fático-probatório vedado no recurso especial.

Obiter and limits

  • Referências a precedentes da Corte indicando que, em regra, cabe ao meeiro provar que a dívida não beneficiou a família
  • Observação de que o julgador não precisa rebater individualmente todos os argumentos invocados pelas partes
  • Aplicação das Súmulas 7 e 83 do STJ como limitadoras do cabimento do recurso especial

Court disposition

Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.

  • Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
  • Publique-se.
  • Intimem-se.
  • Deixo de majorar os honorários advocatícios, nos termos do art. 85, § 11, do NCPC.

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DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042 do CPC), interposto por VERA LÚCIA PIO BOLZAN, contra decisão que não admitiu recurso especial. O apelo extremo, fundamentado nas alíneas a do permissivo constitucional, desafiou acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim ementado (fls. 58-61, e-STJ): EMBARGOS DE TERCEIRO. Meação do bem penhorado. Embargante, casada em comunhão universal de bens com o devedor, que pretende livrar da penhora sua parte. Outorga uxória que não implica presunção de que a dívida beneficiou a entidade familiar. Recurso não provido, no ponto. Ônus da prova, contudo, que compete à embargante. Precedentes. Decisão reformada, nesta parte. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados nos termos do acórdão de fls. 77-80, e-STJ. Nas razões de recurso especial (fls. 83-93, e-STJ), aponta a parte recorrente ofensa aos seguintes dispositivos: art. 373, II; art. 489, § 1º, IV; art. 1.022, II, todos do CPC. Sustenta, em síntese: (i) indevida distribuição do ônus probatório, por se tratar de fato impeditivo alegado pela credora, além de configurar prova negativa (prova diabólica); (ii) negativa de prestação jurisdicional, ante a ausência de enfrentamento específico sobre a prova negativa e sobre a reserva de meação. Contrarrazões apresentadas às fls. 99-121, e-STJ. Em juízo de admissibilidade (fls. 156-159, e-STJ), negou-se o processamento do recurso especial, dando ensejo ao presente agravo (fls. 162-170, e-STJ). Contraminuta apresentada às fls. 173-188, e-STJ. É o relatório. Decido. A irresignação não merece prosperar.

1. Alega o recorrente violação aos arts. 1.022, II, e 489, § 1º, IV, do CPC, ao argumento de deficiência na fundamentação em razão de omissão e obscuridade no acórdão recorrido, não sanadas quando do julgamento dos embargos de declaração. Sustenta que o acórdão fora omisso sobre a impossibilidade de imposição de prova negativa, qualificada como prova diabólica, vinculada à distribuição do ônus probatório; e sobre a necessidade de resguardar, desde logo, a meação da recorrente (fls. 91-92, e-STJ; 84-86, e-STJ). Razão não lhe assiste, no ponto. Não se vislumbram os alegados vícios, pois o órgão julgador dirimiu a controvérsia de forma ampla e fundamentada, conforme se infere às fls. 60-61, e-STJ: Respeitada a convicção da douta magistrada, impõe-se a reforma da decisão agravada, vez que o ônus de comprovar que a dívida não beneficiou a entidade familiar é da embargante, esposa do executado, pois a esta incumbe a comprovação dos fatos constitutivos de seu direito, nos termos do que dispõe o artigo 373, inciso I, do CPC. E há de conferir-lhe a chance de produzir prova em seu favor, não obstante a outorga uxória no título exequendo, pois somente tal fato, que decorre de lei, não implica que a esposa se torne pessoalmente responsável pela dívida, como defende a exequente, não provido o recurso, no ponto. Assim, havendo presunção de que a dívida foi contraída em benefício do casal, em

comunhão universal de bens, deve-se conceder à meeira a oportunidade de comprovar o contrário. Foram feitas expressas menções à distribuição do ônus da prova e à oportunidade conferida à meeira de produzir prova, bem como à delimitação de que a proteção da meação seria apreciada na sentença dos embargos de terceiro, por não constituir objeto do agravo de instrumento. Ademais, a orientação desta Corte é no sentido de que o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos invocados pelas partes, nem a indicar todos os dispositivos legais suscitados, quando tenha encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio, como ocorrera na hipótese. Nesse sentido, confira-se: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022, II, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. NOVAÇÃO RECUPERACIONAL. EFEITOS. INAPLICABILIDADE AOS GARANTIDORES. MANUTENÇÃO DAS GARANTIAS E DOS PRIVILÉGIOS. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.

1. No caso, não há ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, porquanto o Tribunal de origem decidiu a matéria de forma fundamentada. O julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos invocados pelas partes, quando encontra motivação satisfatória para dirimir o litígio. 2. "A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça preleciona que o plano de recuperação judicial opera novação das dívidas a ele submetidas, sendo que, em regra, as garantias reais ou fidejussórias são preservadas, podendo o credor exercer seus direitos contra terceiros garantidores, e impõe a manutenção das ações e execuções contra fiadores, avalistas ou coobrigados em geral." (AgInt no AREsp 2.087.415/RS, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 10/3/2023).

3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.556.614/RJ, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 31/3/2025, DJEN de 10/4/2025.) PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL AFASTADA. PCAC E RMNR. EXTENSÃO AOS INATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. PRECEDENTES. SÚMULA N. 83/STJ. DECISÃO MANTIDA.

1. Não há ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, porquanto o Tribunal de origem decidiu a matéria de forma fundamentada. O julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos invocados pelas partes, quando tenha encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio.

2. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem interpretação de contrato ou revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, a teor do que dispõem as Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 3. É inviável a extensão aos proventos de complementação de aposentadoria dos mesmos índices de reajuste referentes às verbas denominadas Plano de Classificação e Avaliação de Cargos - PCAC e Remuneração Mínima por Nível e Regime - RMNR -, concedidas aos empregados em atividade por acordo coletivo de trabalho, em razão da ausência de prévia formação da reserva matemática. Precedentes.

4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.602.044/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 7/12/2020, DJe de 14/12/2020.) Como se vê, não se vislumbra omissão ou obscuridade, porquanto o acórdão restou devida e suficientemente fundamentado sobre as questões necessárias ao deslinde da controvérsia, não havendo falar em ofensa aos referidos dispositivos. Inexiste, portanto, violação aos artigos 1.022, II, e 489, § 1º, IV, do CPC, visto que a matéria fora apreciada pelo Tribunal de origem, cuja fundamentação foi clara e suficiente para o deslinde da controvérsia.

2. A jurisprudência consolidada no âmbito de ambas as Turmas julgadoras integrantes da Segunda Seção (e já confirmada, inclusive, em precedente da própria Corte Especial), firme no sentido de que, em se tratando de dívida contraída por um dos cônjuges, a regra geral é de que é do meeiro o ônus da prova de que esta não beneficiou a família, haja vista a solidariedade do casal. A propósito: "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. CÔNJUGE. CASAMENTO. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. MEAÇÃO. DÍVIDA. BENEFÍCIO DA FAMÍLIA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ.

1. Não viola os artigos 489 e 1.022 do Código de Processo Civil nem importa deficiência na prestação jurisdicional o acórdão que adota, para a resolução da causa, fundamentação suficiente, porém diversa da pretendida pela recorrente, para decidir de modo integral a controvérsia posta.

2. A admissão de prequestionamento ficto (artigo 1.025 do CPC), em recurso especial, exige que no mesmo recurso seja indicada e reconhecida a violação do art. 1.022 do CPC para que se possibilite ao Órgão julgador verificar a existência do vício inquinado ao acórdão, que, uma vez constatado, poderá dar ensejo à supressão de grau facultada pelo dispositivo de lei - hipótese não verificada na espécie.

3. A ausência de discussão pelo tribunal local acerca da tese ventilada no recurso especial, relacionada com os artigos 373 e 513, §5º, do CPC, acarreta a falta de prequestionamento, a atrair a incidência da Súmula nº 211/STJ.

4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a regra prevista no artigo 3º da Lei nº 4.121/1962 pode ser excepcionada quando comprovado que o proveito da dívida contraída por um dos cônjuges reverteu em favor do casal, cabendo o ônus da prova, nesse caso, ao cônjuge.

5. Na hipótese, rever o pressuposto adotado pelo tribunal de origem, de que o proveito da dívida contraída por um dos cônjuges teria revertido em benefício do casal, demandaria o reexame de matéria fático-probatória, procedimento vedado em recurso especial (Súmula nº 7/STJ).

6. Agravo interno não provido" (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.316.449/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 2/5/2024). "RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE TERCEIRO. CÔNJUGE MEEIRO. RESERVA DE MEAÇÃO. ART. 655-B DO CPC/1973. DÍVIDA RELATIVA A HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. RESPONSABILIDADE DE QUEM É PARTE NA DEMANDA. LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA.

1. Recursos especiais interpostos contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 1973 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ).

2. Nos termos do art. 655-B do CPC/1973, incluído pela Lei nº 11.382/2006, havendo penhora de bem indivisível, a meação do cônjuge alheio à execução deve recair sobre o produto da alienação do bem.

3. Para impedir que a penhora recaia sobre a sua meação, o cônjuge meeiro deve comprovar que a dívida executada não foi contraída em benefício da família. Precedentes.

4. Tratando-se de dívida proveniente da condenação ao pagamento de honorários sucumbenciais em demanda da qual o cônjuge meeiro não participou, é inegável o direito deste à reserva de sua meação.

5. Os honorários advocatícios consagram direito do advogado contra a parte que deu causa ao processo, não se podendo exigir do cônjuge meeiro, que não integrou a relação processual da lide originária, a comprovação de que a dívida executada não foi contraída em benefício do casal ou da família.

6. Recursos especiais não providos" (REsp nº 1.670.338/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 4/2/2020, DJe de 7/2/2020). "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. CÔNJUGE. EMBARGOS DE TERCEIRO. MEAÇÃO. LEGITIMIDADE. DÍVIDA. BENEFÍCIO DA FAMÍLIA. SÚMULA N. 7/STJ. DECISÃO MANTIDA.

1. O cônjuge só será parte legítima para opor embargos de terceiro quando não tiver assumido juntamente com seu consorte a dívida executada, caso em que, figurando no polo passivo do processo de execução como corresponsável pelo débito, não lhe é legítimo pretender eximir seu patrimônio como "terceiro". Precedente da Corte Especial do STJ. 2. "Tratando-se de dívida contraída por um dos cônjuges, a regra geral é a de que cabe ao meeiro o ônus da prova de que a dívida não beneficiou a família, haja vista a solidariedade entre o casal" (AgRg no AREsp n. 427.980/PR, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 18/2/2014, DJe 25/2/2014).

3. Na espécie, o acórdão proferido na origem consignou que o autor não conseguiu afastar a presunção de corresponsabilidade pela dívida cobrada, declarando sua ilegitimidade para opor embargos de terceiros. Para se alterar o desfecho conferido ao processo, seria necessário reexaminar a prova dos autos, o que é inviável em recurso especial, a teor da Súmula n. 7/STJ.

4. Agravo interno a que se nega provimento" (AgInt no AREsp nº 790.350/ES, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 6/4/2017, DJe de 18/4/2017). "AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. MEAÇÃO. DÍVIDA CONTRAÍDA PELO CÔNJUGE VARÃO. BENEFÍCIO DA FAMÍLIA. ÔNUS DA PROVA. NÃO PROVIMENTO. 1. "A mulher casada responde com sua meação, pela dívida contraída exclusivamente pelo marido, desde que em benefício da família. - Compete ao cônjuge do executado, para excluir da penhora a meação, provar que a dívida não foi contraída em benefício da família (AgR-AgR-AG n. 594.642/MG, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJU de 08.05.2006).

2. Se o Tribunal estadual concluiu que os agravantes, sucessores do devedor principal e de seu cônjuge, ambos falecidos, não se desincumbiram do ônus de provar que a dívida contraída por um dos cônjuges não beneficiou a entidade familiar, ao reexame da questão incide a Súmula n. 7/STJ.

3. Agravo regimental a que se nega provimento" (AgRg no Ag nº 1.322.189/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 17/11/2011, DJe de 24/11/2011). Acerca da controvérsia, o Tribunal local assim decidiu (fls. 59/61, e-STJ): Trata-se de execução por dívida contraída por Rontan, com aval de seu sócio José Carlos Bolzan, casado com a embargante Vera Bolzan, que conferiu outorga uxória no título. Pretende a esposa do executado, livrar da penhora, 50% do imóvel penhorado em nome dele, afirmando que não figura no título, bem como que a dívida não beneficiou a entidade familiar. A decisão agravada saneou o feito, determinando à exequente, ora agravante "demonstrar que a dívida foi contraída em benefício do casal, e não do executado, individualmente". Respeitada a convicção da douta magistrada, impõe-se a reforma da decisão agravada, vez que o ônus de comprovar que a dívida não beneficiou a entidade familiar é da embargante, esposa do executado, pois a esta incumbe a comprovação dos fatos constitutivos de seu direito, nos termos do que dispõe o artigo 373, inciso I, do CPC. E há de conferir-lhe a chance de produzir prova em seu favor, não obstante a outorga uxória no título exequendo, pois somente tal fato, que decorre de lei, não implica que a esposa se torne pessoalmente responsável pela dívida, como defende a exequente, não provido o recurso, no

ponto. Assim, havendo presunção de que a dívida foi contraída em benefício do casal, em comunhão universal de bens, deve-se conceder à meeira a oportunidade de comprovar o contrário. (..) Assim, impõe-se a reforma da decisão para determinar à embargante a produção da prova de que a dívida não beneficiou a entidade familiar. Observa-se, portanto, que o entendimento do Tribunal de origem, no ponto, encontra-se em harmonia com a jurisprudência do STJ, o que atrai a incidência do teor da Súmula 83 desta Corte, a impedir o conhecimento do recurso por ambas as alíneas do permissivo constitucional.

3. Do exposto, com amparo no artigo 932 do NCPC c/c a súmula 568/STJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Por fim, deixo de majorar os honorários advocatícios, nos termos do art. 85, § 11, do NCPC, haja vista que, na origem, foi interposto agravo de instrumento. Publique-se. Intimem-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

AgInt no AREsp 2.087.415/RS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 10/3/2023

Case cited

AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.556.614/RJ, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 31/3/2025, DJEN de 10/4/2025

Case cited

AgInt no AREsp n. 1.602.044/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 7/12/2020, DJe de 14/12/2020

Case cited

AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.316.449/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 2/5/2024

Case cited

REsp nº 1.670.338/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 4/2/2020, DJe de 7/2/2020

Case cited

AgInt no AREsp nº 790.350/ES, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 6/4/2017, DJe de 18/4/2017

Case cited

AgRg no Ag nº 1.322.189/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 17/11/2011, DJe de 24/11/2011

Case cited

art. 1.042 do CPC

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 373, II do CPC

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 489, § 1º, IV do CPC

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 1.022, II do CPC

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 373, inciso I, do CPC

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 655-B do CPC/1973

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 1.025 do CPC

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 513, §5º do CPC

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 932 do NCPC

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 85, § 11 do NCPC

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 7/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 83/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 211/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 568/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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