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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Nego provimento ao agravo porque o Tribunal de origem examinou de forma motivada os pontos suscitados, concluiu que a seguradora não exigiu exames médicos prévios e que não restou comprovada a má-fé do segurado, e a tentativa de modificar essa conclusão demanda reexame do conjunto fático-probatório, o que é inviável nesta instância em razão das Súmulas n. 5 e 7 do STJ; ademais houve ausência de impugnação específica das razões de decidir, nos termos do princípio da dialeticidade (art. 1.010 CPC).

02

Material facts

Parties

ITAÚ SEGUROS S.A.

Agravante

03

Procedural history

  1. Posture

    Agravo Em Recurso Especial / Decisão No Agravo Em Recurso Especial

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Agravante alega que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso especial e aponta violação dos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, parágrafo único, II, do CPC por omissão do Tribunal de origem, e violação dos arts. 422, 757, 760, 765 e 766 do CC, sustentando que o segurado omitiu doença preexistente por má-fé, afastando-se a obrigatoriedade de cobertura securitária.
Respondent
Tribunal de origem entendeu que não foram exigidos exames médicos prévios pela seguradora e que não ficou comprovada a má-fé do segurado, aplicando a Súmula 609 do STJ; registrou também a ausência de impugnação específica das razões de decidir pela parte recorrente (princípio da dialeticidade), e destacou que o reexame do conjunto fático-probatório é vedado pelas Súmulas n. 5 e 7 do STJ.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    art. 1.010 do CPC

    Princípio da dialeticidade: a parte recorrente deve impugnar especificamente os fundamentos da sentença

  2. 02

    Súmula 609 do STJ

    Se a seguradora não exigiu exames médicos prévios, não pode recusar cobertura securitária por doença preexistente salvo comprovação de má-fé do segurado

  3. 03

    Súmulas n. 5 e 7 do STJ

    Impedimento de reexame de matéria fático-probatória em recurso especial

  4. 04

    Súmula 83 do STJ

    Incidência da Súmula n. 83 do STJ na espécie

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Nego provimento ao agravo porque o Tribunal de origem examinou de forma motivada os pontos suscitados, concluiu que a seguradora não exigiu exames médicos prévios e que não restou comprovada a má-fé do segurado, e a tentativa de modificar essa conclusão demanda reexame do conjunto fático-probatório, o que é inviável nesta instância em razão das Súmulas n. 5 e 7 do STJ; ademais houve ausência de impugnação específica das razões de decidir, nos termos do princípio da dialeticidade (art. 1.010 CPC).

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DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por ITAÚ SEGUROS S.A. contra a decisão que inadmitiu o recurso especial com fundamento nas Súmulas n. 5 e 7 do STJ e 284 do STF. Alega a parte agravante que os pressupostos de admissibilidade do recurso especial foram atendidos. O recurso especial foi interposto com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (Apelação Cível n. 0478551-14.2011.8.09.0099). O julgado foi assim ementado (fl. 826): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS MATERIAIS E MORAIS. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. SEGURO PRESTAMISTA. MORTE DO SEGURADO. SUCUMBÊNCIA RECÍPRO-CA. I. Em obediência ao princípio da dialeticidade, deve a parte recorrente demonstrar o desacerto da sentença atacada, mediante impugnação específica das razões de decidir. II. A invocação de alegações genéricas, abstratas ou desconexas com a sentença combatida ou a mera remissão aos termos da petição inicial ou da contestação, traduz no não conhecimento do recurso por ausência de regularidade formal. III. O seguro prestamista tem como objetivo garantir a quitação da dívida do segurado, decorrente de algum dos eventos previstos na apólice (art. 31 da Resolução nº 439 CNSP). IV. A instituição credora figura como estipulante e beneficiária do seguro, já o devedor

é o segurado. Embora seja possível estabelecer beneficiários, o primeiro sempre será a instituição financeira, já que o intuito da contratação é garantir a quitação da dívida contraída, no caso, limitada ao valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), nos termos do contrato em voga. V. Se cada litigante for, em parte, vencedor e vencido, serão proporcionalmente distribuídas entre eles as custas e honorários advocatícios, nos termos do art. 86 do CPC. RECURSO CONHECIDO EM PARTE E, NESTA, PARCIALMENTE PROVIDO. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. (fl.

892) No recurso especial, a parte aponta, além de divergência jurisprudencial, violação dos seguintes artigos: a) 489, § 1º, IV, e 1.022, II, parágrafo único, II, do CPC, visto que o Tribunal de origem não apreciou questões essenciais para a resolução da lide, ensejando negativa de prestação jurisdicional; b) 422, 757, 760, 765 e 766 do CC, pois, a despeito do pleno conhecimento de doença preexistente, o segurado omitiu a informação quando da assinatura do contrato, evidenciando sua má-fé. Requer o provimento do recurso para que se reforme o acórdão recorrido, afastando-se a obrigatoriedade de cobertura securitária ante a demonstração da má-fé do segurado. É o relatório. Decido. Preliminarmente, afasta-se a alegação de ofensa ao arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, parágrafo único, II, do CPC, porquanto o Tribunal a quo analisou os pontos reputados omissos. A Corte de origem reconheceu a aplicabilidade da Súmula n. 609 do STJ, considerando ilícita a recusa de cobertura securitária sob a alegação de doença preexistente, já que não foram exigidos exames médicos prévios nem demonstrada a má-fé do segurado. Rejeitou a tese da agravante de exclusão da cobertura contratual, tendo em vista doença preexistente. Destacou que haveria a necessidade de requerer prévia documentação. O Tribunal reconheceu a ausência de impugnação específica dos fundamentos da sentença, consignando que não eram

admissíveis alegações genéricas em recurso de apelação. Confira-se trecho do acórdão (fls. 814-816): In casu, observa-se que as razões recursais da parte apelante partem de premissa equivocada, porque os argumentos mostram-se distanciados dos fundamentos do decisum, de modo que não prestam a combater a ratio decidendi. Isto porque o apelante limita-se a discorrer, de forma genérica, a inexistência do dever de indenizar sob a alegativa de má-fé da segurada que omitiu doença preexistente na contratação do seguro em voga. Depreende-se, no entanto, que as razões recursais deduzidas não servem para contrapor-se ao fundamento adotado na sentença apelada, haja vista que não atacou a conclusão exarada pelo Magistrado singular de que de acordo com a jurisprudência pátria, a Súmula 609 do STJ, bem como a Súmula 14 deste Tribunal, é ilegítima a recusa de cobertura securitária por doença preexistente quando a Seguradora/Contratada não se precaveu mediante realização de exames de admissão. Reportou que a má-fé do segurado deve ser devidamente comprovada, não podendo ser presumida, e, de outro lado, não pode a seguradora recusar a cobertura securitária alegando a existência de doença preexistente se deixou de exigir, antes da contratação, a realização de exames médicos pela parte segurada. Explicou que a seguradora/apelante ao não exigir exame de saúde prévio, assume o risco da ocorrência do

sinistro por doença preexistente não informada pelo segurado, sendo cabível a recusa de cobertura tão somente na hipótese de comprovada má-fé do Segurado, citando súmulas do STJ e deste TJGO. Concluiu que nenhum exame médico prévio a contratação do seguro foi exigido, assim como não restou comprovada inequívoca má-fé por parte do segurado. Nesse contexto, insta esclarecer que o artigo 1.010, no Código de Processo Civil, impõe a forma com que a parte recorrente deveria ter produzido o recurso de apelação cível, senão vejamos: Observa-se do artigo acima transcrito, que ao recorrente é imposto o ônus de contrastar efetivamente o decisum nas suas razões recursais, estribando, assim, sua tese de reforma ou cassação. Ou seja, cumpre-lhe apresentar os fundamentos de fato e de direito com os quais impugna o ato decisório, devendo apontar onde o juiz errou e por quais motivos se pode chegar a esta conclusão. Logo, ao interpor o recurso o apelante deveria ter impugnado especificamente os fundamentos da sentença, não sendo suficientes alegações genéricas, ou ainda abarcando tema dissociado das razões de decidir utilizadas no ato vergastado. Por conseguinte, a ausência de impugnação específica dos pontos da decisão fustigada eivam a fundamentação recursal, sendo intolerável e inaceitável o comodismo da parte, razão pela qual o não conhecimento do apelo é medida impositiva. Assim, todos os

pontos essenciais da controvérsia careca da má-fé da parte agravada, do cerceamento de defesa no tocante à produção de novas provas, dos limites de indenização e da correção monetária foram dirimidos, não havendo ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II e parágrafo único, II, do CPC. Ademais, a decisão da Corte de origem está de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça de que a seguradora, ao não exigir exames prévios, responde pelo risco assumido. Nesse sentido: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO DE VIDA. OFENSA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. DOENÇA PREEXISTENTE NÃO INFORMADA PELO SEGURADO. EXAMES PRÉVIOS NÃO EXIGIDOS PELA SEGURADORA. MÁ-FÉ DO SEGURADO AFASTADA PELO ACÓRDÃO. REVISÃO. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.

1. Não procede a arguição de ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC, quando o Tribunal de Justiça se pronuncia, de forma motivada e suficiente, sobre os pontos relevantes e necessários ao deslinde da controvérsia. 2. "A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça vem afirmando, de um lado, que o reconhecimento da má-fé do segurado quando da contratação do seguro-saúde necessita ser devidamente comprovada, não podendo ser presumida, e, de outro, que não pode a seguradora recusar a cobertura securitária alegando a existência de doença pré-existente se deixou de exigir, antes da contratação, a realização de exames médicos pela parte segurada" (AgInt no AREsp 1.914.987/RN, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Quarta Turma, julgado em 22/11/2021, DJe de 25/11/2021).

3. No caso em exame, o Tribunal de origem consignou expressamente que a seguradora não exigiu a realização de exames previamente à contratação do seguro, concluindo, ainda, com fundamento em provas trazidas aos autos, pela ausência de má-fé do segurado.

4. A alteração das premissas fáticas firmadas no acórdão recorrido, acerca da ausência de má-fé do segurado, exige a revisão do substrato probatório, incabível nesta instância, nos termos da Súmula 7 deste Pretório.

5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.583.215/MT, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 16/9/2024, DJe de 1º/10/2024, destaquei.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SEGURO PRESTAMISTA. CONTRATO DE MÚTUO HABITACIONAL. COBERTURA SECURITÁRIA. OCORRÊNCIA. DOENÇA PREEXISTENTE. NÃO COMPROVADA. MÁ-FÉ. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.

1. Não comprovada a má-fé do segurado quando da contratação do seguro e ainda não exigida pela seguradora a realização de exames médicos, não pode a cobertura securitária ser recusada com base na alegação da existência de doença pré-existente. Precedente.

2. A revisão do entendimento do Tribunal de origem acerca da existência de doença preexistente à contratação do seguro e da má-fé da parte contratante demanda o reexame do acervo fático-probatório dos autos, o que é inviável em recurso especial, tendo em vista a incidência do óbice da Súmula n. 7 do STJ.

3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.008.938/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 27/3/2023, DJe de 29/3/2023, destaquei.) Incide, pois, na espécie a Súmula n. 83 do STJ. Quanto à alegada violação dos arts. 422, 757, 760, 765 e 766 do CC, a agravante defende que, ao omitir doenças preexistentes no momento da contratação do seguro, o segurado quebrou o princípio da boa-fé, extrapolando os limites contratuais, ponto primordial para a validade do contrato de seguro. Contudo, registre-se que, para concluir em sentido contrário ao que foi expressamente consignado no acórdão recorrido, seria necessário o revolvimento de cláusulas contratuais e do conjunto fático-probatório dos autos, inviável no âmbito desta instância especial, ante os óbices das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. A propósito: CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SEGURO PRESTAMISTA. DOENÇA PREEXISTENTE. AUSÊNCIA DE SOLICITAÇÃO DE EXAMES PRÉVIOS E DE QUESTIONÁRIO DE SAÚDE PELA SEGURADORA. MÁ-FÉ DO SEGURADO NÃO COMPROVADA. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.

1. A jurisprudência desta Corte Superior firmou entendimento no sentido de não ser possível a recusa de cobertura securitária no caso de a seguradora não exigir exames médicos prévios ou demonstrar a má-fé do segurado (Súmula n. 609 do STJ).

2. A alteração da conclusão do aresto impugnado acerca da ausência do questionário de saúde e da má-fé do segurado demandaria análise contratual e o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que encontra manifesto óbice nas Súmulas n. 5 e 7 do STJ.

3. Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido. (AREsp n. 2.741.636/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 17/3/2025, DJEN de 20/3/2025, destaquei.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, majoro, de 10% para 12% sobre o valor atualizado atribuído à causa, os honorários advocatícios em desfavor da parte ora recorrente, ressalvada eventual concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem -se.

EMENTA

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