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Superior Tribunal de Justiça

Dolo Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dc1937ccdbf40b16ebfc4

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01

Holding and result

O recurso extraordinário teve seguimento negado porque o acórdão recorrido apresentou fundamentação suficiente nos termos do Tema 339 do STF; a impugnação do reconhecimento do dolo demandaria reexame do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ; as questões relativas à valoração das circunstâncias judiciais e à dosimetria da pena são de natureza infraconstitucional (Temas 182 e 660 do STF) e não há possibilidade de concessão de habeas corpus de ofício contra atos de membros do STJ nesta instância, de modo que, com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC, negou-se seguimento ao recurso extraordinário.

Court disposition

negado seguimento ao recurso extraordinário

Orders

  • Publique-se.
  • Intimem-se.

02

Material facts

Amounts and remedies

  • Prejuízo Aos Cofres Públicos Apurado: BRL 763,267.45

03

Procedural history

  1. Posture

    Recurso Extraordinário / Negado Seguimento

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Sustenta ofensa aos arts. 5º, XLVI, LIV e LV, e 93, IX, da Constituição Federal por falta de fundamentação; alega ausência de dolo para a caracterização do crime e desproporcionalidade das sanções (multa e prestação pecuniária); afirma que a análise dos temas independe de reexame fático-probatório; requer admissão e provimento do recurso extraordinário ou, subsidiariamente, habeas corpus de ofício.
Respondent
O Tribunal de origem fundamentou a condenação no conjunto fático-probatório, reconhecendo dolo e esquema de fraude; a revisão do conjunto probatório encontra óbice na Súmula 7/STJ; a dosimetria da pena observou os parâmetros do art. 59 do CP e a valoração das consequências foi justificada pelo valor da sonegação (R$ 763.267,45); a parte não demonstrou excesso na multa; o recurso extraordinário não tem repercussão geral nas questões infraconstitucionais suscitadas (Temas 339, 660 e 182 do STF) e não cabe habeas corpus de ofício contra atos de membros do STJ nesta instância.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Súmula 7/STJ

    Vedação ao reexame de provas em recurso especial quando a matéria depende de análise do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ)

  2. 02

    Código Penal, art. 59

    Circunstâncias judiciais do art. 59 do Código Penal norteiam a individualização da pena e podem justificar a exasperação da pena-base quando devidamente motivadas

  3. 03

    Constituição Federal, art. 93, IX; Tema n. 339/STF

    O acórdão deve ser fundamentado, ainda que sucintamente, não exigindo exame pormenorizado de cada alegação das partes

  4. 04

    Tema n. 182/STF; Tema n. 660/STF

    Questões sobre valoração das circunstâncias judiciais e individualização da pena têm natureza infraconstitucional e não apresentam repercussão geral para fins de recurso extraordinário

  5. 05

    Decisões do STF (ex.: HC n. 240.886 e correlatos) e Lei n. 14.836/2024 (art. 647-A do CPP)

    Competência para concessão de habeas corpus e necessidade de identificação correta da autoridade coatora, preservando a distribuição constitucional de competências

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

O recurso extraordinário teve seguimento negado porque o acórdão recorrido apresentou fundamentação suficiente nos termos do Tema 339 do STF; a impugnação do reconhecimento do dolo demandaria reexame do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ; as questões relativas à valoração das circunstâncias judiciais e à dosimetria da pena são de natureza infraconstitucional (Temas 182 e 660 do STF) e não há possibilidade de concessão de habeas corpus de ofício contra atos de membros do STJ nesta instância, de modo que, com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC, negou-se seguimento ao recurso extraordinário.

Obiter and limits

  • A culpabilidade foi agravada em razão de o réu possuir formação em Ciências Contábeis e pós-graduação em finanças, demonstrando especial conhecimento técnico sobre a ilicitude da conduta.
  • A valoração das consequências do crime foi fundamentada pelo prejuízo aos cofres públicos no valor de R$ 763.267,45.
  • A Lei n. 14.836/2024 introduziu o art. 647-A do CPP autorizando habeas corpus de ofício, mas não altera a distribuição constitucional de competências para sua apreciação.

Court disposition

negado seguimento ao recurso extraordinário

  • Publique-se.
  • Intimem-se.

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DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto, com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que recebeu a seguinte ementa (fls. 1.479-1.480): DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1º, I, DA LEI Nº 8.137/1990. DOLO RECONHECIDO PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. SÚMULA 7/STJ. DOSIMETRIA DA PENA. PENA DE MULTA PROPORCIONAL. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Trata-se de agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu em parte do recurso especial e, nesta extensão, negou-lhe provimento. O agravante sustenta que não se aplica ao caso o óbice previsto na Súmula 7/STJ e que houve erro na valoração das circunstâncias judiciais que aumentaram a pena-base. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há três questões em discussão: (i) Definir se a condenação do recorrente por crime contra a ordem tributária (art. 1º, I, da Lei nº 8.137/90) se baseou em provas suficientes para demonstrar o dolo na sua conduta. (ii) Estabelecer se a exasperação da pena-base, fundamentada na culpabilidade, circunstâncias do crime e consequências do crime, observou os parâmetros legais e jurisprudenciais. (iii) Verificar a proporcionalidade da pena de multa e a regularidade das medidas patrimoniais aplicadas, diante da alegação de excesso. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O Tribunal de origem analisou detalhadamente o conjunto fático-probatório e concluiu que o recorrente participou ativamente de um esquema de fraude fiscal e contábil, recebendo rendimentos não declarados e adotando artifícios para ocultar os valores da fiscalização, caracterizando o dolo exigido para a configuração do crime.

4. Para afastar a conclusão das instâncias ordinárias quanto à caracterização do dolo, seria necessário o reexame do contexto fático-probatório, providência vedada pelo enunciado da Súmula 7/STJ.

5. A exasperação da pena-base foi devidamente fundamentada, considerando-se: (i) A culpabilidade do recorrente, que possuía formação superior em Ciências Contábeis e especialização em Finanças, demonstrando conhecimento técnico aprofundado sobre a ilicitude de sua conduta. (ii) As circunstâncias do crime, que envolveram a utilização de familiares para dissimulação dos valores recebidos, movimentação de contas bancárias de terceiros e uso de estrutura empresarial fictícia para ocultação de rendimentos (iii) As consequências do crime, com prejuízo aos cofres públicos em valor expressivo que justifica a majoração da pena, conforme precedentes do STJ em casos de sonegação fiscal.

6. O quantum de aumento da pena-base observou critérios proporcionais. A pena de multa aplicada manteve proporcionalidade em relação à pena privativa de liberdade, não tendo o recorrente demonstrado concretamente qualquer excesso.

7. Quanto ao valor da prestação pecuniária e ao bloqueio de bens, o recurso não indicou os dispositivos de lei federal supostamente violados pelo acórdão recorrido, configurando deficiência na fundamentação recursal, o que atrai a incidência da Súmula 284/STF. IV. DISPOSITIVO E TESE 8. Agravo regimental desprovido. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados (fls. 1.506-1.511). A parte recorrente sustenta a ocorrência de violação dos arts. 5º, XLVI, LIV e LV, e 93, IX, da Constituição Federal e afirma que a matéria em discussão seria dotada de repercussão geral. Alega não ter sido devidamente prestada a jurisdição, padecendo o acórdão recorrido de falta de fundamentação, porque não examinada as alegações relativas à ausência de dolo para caracterizar o crime objeto da condenação, bem como à aventada desproporcionalidade dos valores fixados "tanto na multa quanto na pena pecuniária" (fl. 1.528). Afirma que a análise dos temas independe de exame de matéria fático-probatória. Requer, ao final, a admissão e o provimento do recurso ou, subsidiariamente, a concessão de habeas corpus de ofício. Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 1.535). É o relatório.

2. No julgamento do paradigma vinculado ao Tema n. 339, o Supremo Tribunal Federal apreciou a seguinte questão: .. se decisão que transcreve os fundamentos da decisão recorrida, sem enfrentar pormenorizadamente as questões suscitadas nos embargos declaratórios, afronta o princípio da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, nos termos do art. 93, IX, da Constituição Federal. Na ocasião, firmou-se a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da CF não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão do acórdão recorrido, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fls. 1.484-1.488): As alegações da parte agravante não são suficientes para alterar a decisão agravada, que deve ser

mantida por seus próprios fundamentos. Sobre o dolo na conduta do recorrente, menciono os seguintes trechos do acórdão recorrido (e-STJ, fls. 504-506): .. Como explanado na decisão recorrida, a Corte de origem baseou-se no conjunto fático-probatório, composto por documentos e provas orais, para concluir que o recorrente percebeu rendimentos oriundos da CVI Refrigerantes Ltda sem comunicar ao fisco a renda, valendo-se inclusive de artifício, como a substituição de transferências de contas pessoais para contas de familiares, estando caracterizada a fraude e a redução no recolhimento de receitas tributáveis de pessoa física. De fato, para concluir que a conduta do acusado se restringiu ao exaurimento de um crime anterior ou ao cumprimento de ordem de superior hierárquico - em outras palavras, que o réu não agiu com dolo - seria imprescindível o reexame do contexto fático- probatório, o que encontra óbice da Súmula 7/STJ. .. A respeito da dosimetria da reprimenda, vale anotar que sua individualização é uma atividade vinculada a parâmetros abstratamente cominados na lei, sendo, contudo, permitido ao julgador atuar discricionariamente na escolha da sanção penal aplicável ao caso concreto, após o exame percuciente dos elementos do delito, e em decisão motivada. Dessarte, às Cortes Superiores é possível, apenas, o controle da legalidade e da constitucionalidade na dosimetria. Para fins

de individualização da pena, a culpabilidade deve ser compreendida como o juízo de reprovabilidade da conduta, ou seja, o menor ou maior grau de censura do comportamento do réu, não se tratando de verificação da ocorrência da culpabilidade enquanto elemento da teoria tripartite do delito. Esta, afinal, integra a própria existência do crime em si, e sem ela o delito nem sequer se consuma; já a vetorial da culpabilidade, elencada no art. 59 do CP, diz respeito à intensidade do juízo de reprovação da conduta. Na hipótese dos autos, maior censura recai sobre a conduta do agravante por possuir diploma universitário em Ciências Contábeis e pós graduação em finanças, dessumindo-se especial conhecimento sobre a ilicitude do fato e que a sonegação envolveu também uma violação a um dever ético profissional. .. No rol do art. 59 do CP, as circunstâncias do crime compreendem fatos acidentais, que não integram a estrutura do tipo penal, mas dizem respeito à maneira em que o delito foi executado (o modus operandi do agente, em outras palavras). Sua valoração negativa é admitida quando tais fatos demonstrarem maior gravidade concreta na conduta - seja pela sofisticação ou complexidade da forma escolhida para executar o crime, pelo perigo a que expôs outras pessoas, pelas vulnerabilidades que explorou para alcançar seu objetivo etc. Na situação destes autos, o incremento na pena está

devidamente motivado no fato do réu ter envolvido familiares, utilizado seus dados e contas bancárias para a prática do delito, como também que o fato se desenrolou em complexo esquema de fraude envolvendo diversas pessoas jurídicas. Esses elementos são acidentais e não integram a estrutura típica do delito. A avaliação negativa das consequências do crime é adequada se o dano causado ao bem jurídico tutelado pela normal criminal, ou o prejuízo (material ou moral) experimentado pela vítima, forem superiores àqueles inerentes ao tipo penal. Isto é: admite-se a valoração das consequências em desfavor do réu se, para além dos efeitos que se confundem com a própria tipificação da conduta, o delito produzir ainda outros impactos negativos. No caso concreto, a conduta do réu ao omitir receitas tributáveis de pessoa física, causou um prejuízo aos cofres públicos no valor de R$ 763.267,45, desbordando do usual a este tipo de crime, justificando, portanto, pela vultosa quantia, a negativação dessa circunstância judicial. Ademais, "em relação aos crimes fiscais/tributários, como na espécie, nos termos da orientação jurisprudencial desta Corte, admite-se a exasperação da pena-base com fundamento nas consequências do crime em razão do valor da sonegação fiscal, quando considerado expressivo (AgRg no AREsp n. 1.778.761/PB, Sexta Turma, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF

1ª Região), DJe de 04/10/2022). No que se refere ao tempo acrescido para cada circunstância judicial negativa, observa-se que o Tribunal local, ao valorar negativamente três circunstâncias judiciais, aumentou a pena em 9 meses, correspondendo a 3 meses de incremento para cada vetorial negativa. Esse quantum é inferior ao decorrente da fração de 1/8 aplicada sobre o intervalo entre a pena mínima e a máxima abstratamente cominada para o delito, usualmente considerada adequada por este STJ, não havendo falar em qualquer ilegalidade neste ponto. No que diz respeito à pena de multa esta guardou estrita proporção com o total da pena privativa de liberdade ao final imposta, não se desincumbindo o recorrente, aliás, em demonstrar de forma contrária, no que consistiria o excesso. Finalmente, não pode ser conhecido o questionamento da parte recorrente quanto ao valor da prestação pecuniária e o bloqueio de bens do acusado, pois o recurso, neste ponto, não indicou especificamente quais seriam os dispositivos de lei federal afrontados pelo acórdão recorrido. Tal circunstância configura deficiência na fundamentação recursal e atrai a incidência da Súmula 284/STF. Com efeito, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado.

3. Por outro lado, o STF já definiu que a alegação de afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, bem como ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e aos limites da coisa julgada, quando dependente da prévia análise de normas infraconstitucionais, configura ofensa reflexa ao texto constitucional. No Tema n. 660, a Suprema Corte fixou a seguinte tese vinculante: A questão da ofensa aos princípios do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal e dos limites à coisa julgada, tem natureza infraconstitucional, e a ela se atribuem os efeitos da ausência de repercussão geral, nos termos do precedente fixado no RE n. 584.608, rel. a Ministra Ellen Gracie, DJe 13/03/2009. (ARE n. 748.371-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, julgado em 6/6/2013, DJe de 1º/8/2013.) Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários, negar seguimento aos recursos que discutam questão à qual o STF não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil. Na hipótese dos autos, o exame da alegada ofensa ao art. 5º, LIV e LV, da Constituição Federal dependeria da análise dos artigos 44, III, 49, §1º e 59 do CP e 1º, I, da Lei n. 8.137/90, o que atrai a incidência do mencionado Tema n. 660 do STF.

4. Ademais, o STF, ao julgar o AI n. 742.460-RG/RJ, firmou o entendimento de que: Não apresenta repercussão geral o recurso extraordinário que verse sobre a questão da valoração das circunstâncias judiciais previstas no art. 59 do Código Penal, na fundamentação da fixação da pena-base pelo juízo sentenciante, porque se trata de matéria infraconstitucional (Tema n. 182/STF). Confira-se, por oportuno, a ementa do julgado: RECURSO. Extraordinário. Inadmissibilidade. Circunstâncias judiciais previstas no art. 59 do Código Penal. Fixação da pena-base. Fundamentação. Questão da ofensa aos princípios constitucionais da individualização da pena e da fundamentação das decisões judiciais. Inocorrência. Matéria infraconstitucional. Ausência de repercussão geral. Agravo de instrumento não conhecido. Não apresenta repercussão geral o recurso extraordinário que verse sobre a questão da valoração das circunstâncias judiciais previstas no art. 59, do Código Penal, na fundamentação da fixação da pena-base pelo juízo sentenciante, porque se trata de matéria infraconstitucional. (AI n. 742.460-RG, relator Ministro Cezar Peluso, julgado em 27/8/2009, DJe de 25/9/2009.) No caso, ao examinar a controvérsia, este Superior Tribunal se manifestou nos termos acima transcritos (fls. 1.487-1.488). Verifica-se, portanto, que a dosimetria da pena foi decidida com base nas circunstâncias judiciais do art. 59 do CP, o que enseja a aplicação do Tema n.182 do STF.

5. Por fim, n o tocante à pretendida concessão de habeas corpus de ofício, a Lei n. 14.836/2024, que acrescentou o art. 647-A do Código de Processo Penal, estabelece o seguinte: Art. 647-A. No âmbito de sua competência jurisdicional, qualquer autoridade judicial poderá expedir de ofício ordem de habeas corpus, individual ou coletivo, quando, no curso de qualquer processo judicial, verificar que, por violação ao ordenamento jurídico, alguém sofre ou se acha ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção. Como se observa, a previsão em comento não suprimiu a necessidade de se respeitar a competência jurisdicional para a concessão da ordem. A propósito, o Supremo Tribunal Federal, em julgados recentes, tem reafirmado a imprescindibilidade da correta identificação da autoridade coatora e, consequentemente, da competência originária do órgão ao qual caiba apreciar o pedido. No ponto: O constituinte fez clara opção pelo princípio da colegialidade ao franquear a competência desta Corte para apreciação de habeas corpus - consoante disposto na alínea a do inciso II do artigo 102 da CRFB - quando decididos em única instância pelos Tribunais Superiores. E não há de se estabelecer a possibilidade de flexibilização dessa regra constitucional de competência, pois, sendo matéria de direito estrito, não pode ser interpretada de forma ampliada para alcançar autoridades -

no caso, membros de Tribunais Superiores - cujos atos não estão submetidos à apreciação do Supremo Tribunal Federal. (HC n. 240.886, relator Ministro Luiz Fux, julgado em 6/5/2024, DJe de 7/5/2024). No mesmo sentido: HC n. 240.683, relator Ministro Flávio Dino, julgado em 7/5/2024, DJe de 9/5/2024; e HC n. 236.778, relator Ministro Edson Fachin, julgado em 2/5/2024, DJe de 6/5/2024. Portanto, no caso em apreço, sob pena de subversão das competências delineadas pela Constituição para apreciação de habeas corpus conforme a autoridade coatora, é incabível a análise pretendida nesta instância, pois seria necessário apreciar, no âmbito de exame da viabilidade do recurso extraordinário, a conclusão alcançada por membros do próprio Superior Tribunal de Justiça. Denotando a inviabilidade da apreciação pretendida, veja-se como já se manifestou esta Corte Superior: .. não há possibilidade de concessão de habeas corpus de ofício contra atos dos seus próprios membros. Competente para analisar os atos desta Corte via mandamus é o Supremo Tribunal Federal, conforme expressa previsão constitucional. (AgRg nos EREsp n. 1.222.031/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, julgado em 24/6/2015, DJe de 1º/7/2015.) Na mesma linha: AgRg nos EAREsp n. 2.387.023/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, julgado em 18/4/2024, DJe de 24/4/2024; AgRg na RvCr

n. 6.021/DF, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, julgado em 13/3/2024, DJe de 15/3/2024; e EDcl no AgRg nos EAREsp n. 1.356.514/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Terceira Seção, julgado em 26/4/2023, DJe de 3/5/2023. Vale registrar que a verificação da competência não se altera pelas disposições da nova lei, que estabelece, de modo expresso, a possibilidade de concessão da ordem de ofício, sem, no entanto, modificar a lógica constitucional de distribuição de competências, atribuindo a diferentes órgãos judiciais a apreciação do pedido, conforme a autoridade coatora.

6. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Publique-se. Intimem-se.

EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, BEM COMO AO ATO JURÍDICO PERFEITO, AO DIREITO ADQUIRIDO E AOS LIMITES DA COISA JULGADA. EXAME DE NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. TEMA N. 660 DO STF. APRECIAÇÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DO ART. 59 DO CÓDIGO PENAL. DOSIMETRIA. TEMA N. 182 DO STF. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. SEGUIMENTO NEGADO.

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Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

Tema n. 339/STF

Case cited

Tema n. 660/STF

Case cited

Tema n. 182/STF

Case cited

AI n. 742.460-RG

Case cited

ARE n. 748.371-RG

Case cited

HC n. 240.886

Case cited

HC n. 240.683

Case cited

HC n. 236.778

Case cited

AgRg nos EREsp n. 1.222.031/SP

Case cited

AgRg nos EAREsp n. 2.387.023/SP

Case cited

AgRg na RvCr n. 6.021/DF

Case cited

EDcl no AgRg nos EAREsp n. 1.356.514/SP

Case cited

AgRg no AREsp n. 1.778.761/PB

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Constituição Federal, art. 102, III, a

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Constituição Federal, art. 5º, XLVI, LIV e LV

Legislation

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Constituição Federal, art. 93, IX

Legislation

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Código de Processo Civil, art. 1.030, I, a

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código Penal, art. 59

Legislation

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Lei nº 8.137/1990, art. 1º, I

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 14.836/2024 (art. 647-A do Código de Processo Penal)

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