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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Havendo omissão quanto à aplicação das penas após a entrada em vigor da Lei 14.230/2021, impõe-se acolher parcialmente os embargos de declaração para afastar a pena de suspensão dos direitos políticos imposta ao embargante, por vedação do art. 12, III, da LIA, mantendo-se, contudo, as demais sanções; quanto à tipicidade da conduta, esta permaneceu reconhecida na forma do art. 11, XII, da LIA, em razão da continuidade típico-normativa.

Court disposition

Embargos de declaração acolhidos em parte com efeitos infringentes, afastando a pena de suspensão dos direitos políticos.

Orders

  • Afastar a pena de suspensão dos direitos políticos aplicada ao embargante.
  • Mantêm-se as demais penas impostas (multa civil de seis remunerações mensais e proibição de contratar com o Poder Público por 2 anos).

02

Material facts

Parties

JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA

Embargante

Amounts and remedies

  • Duração Da Suspensão Dos Direitos Políticos Aplicada Originalmente (anos): 3
  • Multa Civil (remunerações Mensais): 6
  • Proibição De Contratar Com O Poder Público (anos): 2

03

Procedural history

  1. Posture

    Embargos De Declaração Em Agravo Em Recurso Especial (improbidade Administrativa) / Acórdão Proferido Pela Primeira Turma Em Sessão Virtual (11/02/2025 a 17/02/2025)

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Alega que não lhe foi oportunizado manifestar-se acerca da continuidade típico-normativa, havendo obscuridade e surpresa; sustenta que para configurar improbidade deve haver lesividade ao bem jurídico e tipicidade da conduta; afirma que a nova redação do art. 12 da LIA não prevê a suspensão dos direitos políticos, devendo essa sanção ser excluída; diz que a nova lei foi aplicada de forma contraditória, preservando apenas a parte mais gravosa.
Respondent
A parte adversa apresentou impugnação. A decisão embargada sustentou que a conduta do embargante está tipificada no art. 11, XII, da LIA, que a Lei 14.230/2021 não aboliu a tipicidade aplicável ao caso (princípio da continuidade típico-normativa) e que não houve violação do princípio da não surpresa.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    art. 1.022 do Código de Processo Civil

    Cabimento dos embargos de declaração para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material

  2. 02

    Súmula 7/STJ

    Possibilidade de conhecimento de embargos de declaração e limites para rediscussão de matéria fático-probatória

  3. 03

    § 1º do art. 37 da Constituição Federal

    Proibição de inclusão de nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal na publicidade de atos públicos

  4. 04

    art. 11, XII, da Lei nº 8.429/1992 (LIA), com redação da Lei 14.230/2021

    Tipificação, no inciso XII do art. 11 da LIA, do ato de publicidade que promova enaltecimento pessoal do agente público

  5. 05

    art. 12, III, da Lei nº 8.429/1992 (LIA), com redação da Lei 14.230/2021

    Vedação de aplicação da pena de suspensão dos direitos políticos para atos tipificados no art. 11 da LIA

  6. 06

    RE 976.566 (Tema 576) - STF

    Agentes políticos podem ser sujeitos ativos de atos de improbidade

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Havendo omissão quanto à aplicação das penas após a entrada em vigor da Lei 14.230/2021, impõe-se acolher parcialmente os embargos de declaração para afastar a pena de suspensão dos direitos políticos imposta ao embargante, por vedação do art. 12, III, da LIA, mantendo-se, contudo, as demais sanções; quanto à tipicidade da conduta, esta permaneceu reconhecida na forma do art. 11, XII, da LIA, em razão da continuidade típico-normativa.

Obiter and limits

  • Não cabe aos embargos de declaração servir para rediscussão de aspectos jurídicos e fático-probatórios decididos, nos termos do art. 1.022 do CPC e da Súmula 7/STJ.
  • A Lei 14.230/2021 não aboliu a improbidade no caso concreto quando a conduta está expressamente prevista no novo inciso XII do art. 11 da LIA.
  • A publicidade de atos públicos que incorpore promoção pessoal viola os princípios da impessoalidade e da moralidade.

Court disposition

Embargos de declaração acolhidos em parte com efeitos infringentes, afastando a pena de suspensão dos direitos políticos.

  • Afastar a pena de suspensão dos direitos políticos aplicada ao embargante.
  • Mantêm-se as demais penas impostas (multa civil de seis remunerações mensais e proibição de contratar com o Poder Público por 2 anos).

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Superior Tribunal de Justiça

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ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/02/2025 a 17/02/2025, por unanimidade, acolher parcialmente os embargos de declaração, com efeitos modificativos, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues.

EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. TIPICIDADE DA CONDUTA. OMISSÃO E OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. CONTINUIDADE TÍPICO-NORMATIVA (ART. 11, XII, DA LIA). PENA DE SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS. OMISSÃO. NECESSIDADE DE SANAÇÃO. LEI 14.230/2021. ATUAL IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA PENA DE SUSPENSÃO DE DIREITOS (ART. 12, III, DA LIA). RECURSO EM PARTE ACOLHIDO COM EFEITOS INFRINGENTES.

1. O inconformismo da parte embargante relativamente à tipicidade da conduta não se enquadra nas hipóteses de cabimento dos embargos de declaração, previstas no art. 1.022 do Código de Processo Civil no tocante ao reconhecimento da tipicidade da conduta. Não há na decisão embargada vícios de omissão, contradição ou obscuridade, ou erro material, não se prestando o recurso integrativo para o fim de rediscutir os aspectos jurídicos no tópico debatidos.

2. Omissão, no entanto, no tocante às penas previstas após a entrada em vigor da Lei 14.230/2021 para as hipóteses de condenação com base no art. 11 da Lei de Improbidade Administrativa (LIA). Condenação do embargante na origem à pena de suspensão dos direitos políticos. Impossibilidade. Afastamento dessa sanção no caso concreto.

3. Embargos de declaração em parte acolhidos, com efeitos infringentes, afastando-se a pena de suspensão de direitos políticos.

RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos por JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA contra o acórdão da PRIMEIRA TURMA, de minha relatoria, assim ementado (fls. 1.190/1.191): AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS REITORES DA ADMINISTRAÇÃO. MÁCULA À IMPESSOALIDADE E À MORALIDADE MEDIANTE A PROMOÇÃO PESSOAL REALIZADA PELO PREFEITO EM PROPAGANDA OFICIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PRESENÇA DO ELEMENTO SUBJETIVO DOLOSO E RAZOABILIDADE DAS PENAS APLICADAS. ATRAÇÃO DA SÚMULA 7/STJ. CONDENAÇÃO COM BASE NO CAPUT DO ART. 11 DA LIA. PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE TÍPICO-NORMATIVA. INEXISTÊNCIA DE ABOLIÇÃO DA IMPROBIDADE NO CASO CONCRETO. EXPRESSA TIPIFICAÇÃO DA CONDUTA DO PREFEITO NO INCISO XII DO ART. 11 DA LIA. PROVIMENTO NEGADO.

1. Nos termos do art. 535 do Código de Processo Civil de 1973, os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado. Caso concreto em que todas as questões relevantes foram devidamente enfrentadas no acórdão recorrido. 2. É pacífica a possibilidade de agentes políticos serem sujeitos ativos de atos de improbidade nos termos do que foi pontificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 976.566 (Tema 576).

3. A revisão do reconhecimento da presença do elemento subjetivo doloso na promoção pessoal realizada pelo Prefeito em propaganda oficial e a dosimetria das sanções aplicadas em ação de improbidade administrativa implicam reexame do contexto fático-probatório, providência vedada pela Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), notadamente quando, da leitura do acórdão recorrido, não exsurge a desproporcionalidade das penas aplicadas.

4. Abolição da hipótese de responsabilização por violação genérica aos princípios administrativos prevista no art. 11, caput, da Lei de Improbidade Administrativa (LIA) pela Lei 14.230/2021. Desinfluência quando, entre os novéis incisos inseridos pela lei 14.230/2021, remanescer típica a conduta considerada no acórdão como violadora dos princípios da moralidade e da impessoalidade, evidenciando verdadeira continuidade típico-normativa, instituto próprio do direito penal, mas em tudo aplicável à ação de improbidade administrativa.

5. Agravo interno a que se nega provimento. A parte embargante alega não lhe ter sido oportunizado manifestar-se acerca da continuidade típico-normativa, gerando obscuridade e surpresa. Sustenta que, para configurar improbidade, deve haver lesividade ao bem jurídico tutelado, além da tipicidade da conduta. Argumenta que a nova redação do art. 12 da Lei de Improbidade Administrativa (LIA) não prevê a suspensão dos direitos políticos como sanção, devendo, assim, ser excluída. Afirma que a nova lei foi aplicada de forma contraditória, tendo sido utilizada apenas a parte que lhe é mais gravosa. Requer que os embargos sejam acolhidos com efeitos infringentes. A parte adversa apresentou impugnação (fls. 1.223/1.228). É o relatório.

EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. TIPICIDADE DA CONDUTA. OMISSÃO E OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. CONTINUIDADE TÍPICO-NORMATIVA (ART. 11, XII, DA LIA). PENA DE SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS. OMISSÃO. NECESSIDADE DE SANAÇÃO. LEI 14.230/2021. ATUAL IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA PENA DE SUSPENSÃO DE DIREITOS (ART. 12, III, DA LIA). RECURSO EM PARTE ACOLHIDO COM EFEITOS INFRINGENTES.

1. O inconformismo da parte embargante relativamente à tipicidade da conduta não se enquadra nas hipóteses de cabimento dos embargos de declaração, previstas no art. 1.022 do Código de Processo Civil no tocante ao reconhecimento da tipicidade da conduta. Não há na decisão embargada vícios de omissão, contradição ou obscuridade, ou erro material, não se prestando o recurso integrativo para o fim de rediscutir os aspectos jurídicos no tópico debatidos.

2. Omissão, no entanto, no tocante às penas previstas após a entrada em vigor da Lei 14.230/2021 para as hipóteses de condenação com base no art. 11 da Lei de Improbidade Administrativa (LIA). Condenação do embargante na origem à pena de suspensão dos direitos políticos. Impossibilidade. Afastamento dessa sanção no caso concreto.

3. Embargos de declaração em parte acolhidos, com efeitos infringentes, afastando-se a pena de suspensão de direitos políticos.

VOTO Os embargos de declaração não apresentam vícios formais, foram opostos dentro do prazo e cogitam, objetivamente, de matéria própria dessa espécie recursal (arts. 1.022 e 1.023 do CPC). Nada há, enfim, que impeça o seu conhecimento. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil (CPC), o recurso integrativo é cabível contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material. No acórdão embargado, a controvérsia acerca da tipicidade da conduta foi decidida nos seguintes termos (fls. 1.202/1.203): Segundo o acórdão recorrido, "em diversos atos publicitários da Administração, tais como placas de sinalização de obras públicas, festejos carnavalescos, cartilha educativa etc. - sempre iniciativas assumidas pela Municipalidade - José Abelardo Guimarães Camarinha inseriu o patronímico da família e o período de sua gestão" (fl. 941). A instância originária reconheceu que o réu, "de maneira dissimulada, tentava eternizar seu mandato fazendo promoção pessoal para o presente e futuro, na medida em que remete a população local à realização de obras, campanhas de órgãos públicos etc., pela pessoa física do Prefeito e não pela Prefeitura Municipal, numa verdadeira confusão intencional" (fl. 942). Tal conduta está agora

explicitamente prevista como ímproba no inciso XII do art. 11 da LIA, segundo o qual haverá improbidade administrativa quando houver a prática "no âmbito da administração pública e com recursos do erário, ato de publicidade que contrarie o disposto no § 1º do art. 37 da Constituição Federal, de forma a promover inequívoco enaltecimento do agente público e personalização de atos, de programas, de obras, de serviços ou de campanhas dos órgãos públicos". Não é demais relembrar os termos do § 1º do art. 37 da Constituição Federal: "A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos." Considerando a incidência das normas benéficas contidas na Lei 14.230/2021, esta Turma aplicou o direito à espécie, reconhecendo não ter ocorrido a abolição da tipicidade da conduta imputada ao ora embargante, senão incidir o princípio da continuidade típico-normativa em relação à conduta imputada à parte ré desde o ajuizamento da ação. Não se pode, assim, falar em violação ao princípio da não surpresa, encontrando-se expressamente tipificada na Lei 8.429/1992 a conduta considerada no acórdão como violadora dos princípios da moralidade e da impessoalidade. A alegação de que não

haveria lesividade ao bem jurídico tutelado não resiste a uma análise mais apurada. O legislador deixou claro ser ato ímprobo a desobediência ao comando contido no § 1º do art. 37 da Constituição Federal, segundo o qual "na publicidade de atos, programas, obras, serviços e campanhas do Poder Público não podem constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem propaganda pessoal". Viola de forma inadmissível os princípios da impessoalidade e da moralidade o ato de beneficiar-se dolosamente o agente político mediante promoção pessoal ou de determinado grupo político quando da publicidade de obras e serviços públicos. Como se vê, ao contrário do alegado pela parte recorrente, a decisão embargada não padece de vício no tocante à tipicidade da conduta. Razão assiste ao recorrente, no entanto, no tocante às penas previstas após a entrada em vigor da Lei 14.230/2021 para as hipóteses de condenação com base no art. 11 da LIA. Rememoro que o embargante foi condenado à suspensão dos direitos políticos por 3 anos, à multa civil de seis remunerações mensais e à proibição de contratar com o Poder Público pelo prazo de 2 anos. Consoante o inciso III do art. 12 da LIA, não mais pode ser aplicada a pena de suspensão dos direitos políticos em relação a atos ímprobos tipificados no art. 11 da mesma norma. Nesta contingência, com base no entendimento que se firmou nesta Primeira Turma posteriormente à prolação de decisão embargada, é necessário o acolhimento dos presentes embargos para afastar a pena de suspensão de direitos políticos, remanescendo as demais penas aplicadas ao demandado Ante o exposto, acolho em parte os embargos de declaração com efeitos infringentes, afastando a pena de suspensão de direitos políticos. É o voto.

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

RE 976.566 (Tema 576) - STF

Case cited

Súmula 7/STJ

Case cited

art. 1.022 do Código de Processo Civil

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 1.023 do Código de Processo Civil

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 535 do Código de Processo Civil (CPC/1973)

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

§ 1º do art. 37 da Constituição Federal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei 14.230/2021

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 11 da Lei nº 8.429/1992 (LIA)

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 12 da Lei nº 8.429/1992 (LIA)

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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