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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

O agravo interno não foi conhecido porque as razões do agravante limitaram-se a reiterar as alegações do Recurso Especial sem impugnar especificamente os fundamentos determinantes da decisão agravada, de modo que incide o óbice previsto na Súmula 182/STJ e no art. 1.021, §1º, do CPC/2015; adicionalmente, a juntada de documentos novos para alterar a valoração probatória em sede de Recurso Especial é inaplicável, razão pela qual manteve-se o conhecimento parcial do Recurso Especial e o seu desprovimento na parte conhecida, com majoração dos honorários recursais em 10% sobre o já arbitrado.

Court disposition

Agravo interno não conhecido; conheço parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, nego-lhe provimento; majorados honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado.

Orders

  • Agravo interno não conhecido.
  • Conheço parcialmente do Recurso Especial e nego-lhe provimento na parte conhecida.
  • Majoram-se os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015 e Enunciado Administrativo 7/STJ.

02

Material facts

Parties

MUNICÍPIO DE VENTUROSA

Agravante

UNIÃO

Agravado

Amounts and remedies

  • Valor Anual Mínimo Pretendido Pelo Município (por Aluno, 2010): BRL 1,473.05
  • VMAA Afirmado Como Correto Para 2006 (fundef): BRL 1,231.57
  • VMAA Praticado E Divulgado Para 2010 (portaria Nº 380/2011): BRL 1,529.97
  • Valor Da Causa Mencionado No Acórdão: BRL 200,000
  • Honorários Advocatícios Fixados Em Primeira Instância: BRL 2,000
  • Valor Repassado Alegado Pelo Município Para FUNDEB 2010: BRL 4,883,566.13

03

Procedural history

  1. Posture

    Agravo Interno Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (segunda Turma)

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
O Município de Venturosa sustenta que tomou conhecimento, após o julgamento dos embargos, de documento público (portal/site) que individualiza repasses do FUNDEB de 2010, demonstrando ter recebido valor inferior; requereu admissão do documento novo nos termos do art. 435 do CPC/2015 e, subsidiariamente, devolução dos autos ao Tribunal a quo para reexame do mérito e dos cálculos apresentados.
Respondent
A parte agravada (União) e o acórdão recorrido sustentam que a pretensão de juntada de documentos novos no Recurso Especial é incabível, que o Município não comprovou ter recebido VMAA em patamar inferior ao divulgado pela Portaria nº 380/2011, e que o agravo interno não impugna especificamente os fundamentos da decisão agravada, atraindo a Súmula 182/STJ e o art. 1.021, §1º, do CPC/2015.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    CPC/2015 art. 1.021, § 1º; Súmula 182/STJ

    Princípio da dialeticidade recursal: o recorrente deve impugnar especificadamente os fundamentos da decisão agravada

  2. 02

    Súmula 7/STJ

    Vedação ao reexame de matéria fático-probatória no Recurso Especial

  3. 03

    STJ - AgInt no AREsp 1.242.238/RS; art. 435 do CPC/2015 (aplicação jurisprudencial)

    Inadmissibilidade de documentos novos para alterar valoração probatória no Recurso Especial

  4. 04

    Súmula 284/STF (aplicada por analogia)

    Inadmissibilidade do recurso quando a deficiência na fundamentação impede a compreensão da controvérsia

  5. 05

    CPC/2015 art. 85, §11; Enunciado Administrativo 7/STJ

    Arbitramento de honorários sucumbenciais recursais nas hipóteses previstas no art. 85, §11 do CPC/2015

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

O agravo interno não foi conhecido porque as razões do agravante limitaram-se a reiterar as alegações do Recurso Especial sem impugnar especificamente os fundamentos determinantes da decisão agravada, de modo que incide o óbice previsto na Súmula 182/STJ e no art. 1.021, §1º, do CPC/2015; adicionalmente, a juntada de documentos novos para alterar a valoração probatória em sede de Recurso Especial é inaplicável, razão pela qual manteve-se o conhecimento parcial do Recurso Especial e o seu desprovimento na parte conhecida, com majoração dos honorários recursais em 10% sobre o já arbitrado.

Obiter and limits

  • Citação doutrinária e jurisprudencial ressaltando que a mera reiteração de razões anteriormente rejeitadas não satisfaz o princípio da dialeticidade recursal
  • Observação de que a Portaria nº 380/2011 estabeleceu o VMAA de 2010 em R$ 1.529,97 e que o Município não se desincumbiu do ônus de provar o recebimento em patamar diverso

Court disposition

Agravo interno não conhecido; conheço parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, nego-lhe provimento; majorados honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado.

  • Agravo interno não conhecido.
  • Conheço parcialmente do Recurso Especial e nego-lhe provimento na parte conhecida.
  • Majoram-se os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015 e Enunciado Administrativo 7/STJ.

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ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin, Og Fernandes e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin.

RELATÓRIO MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES: Trata-se de Agravo interno, interposto pelo MUNICÍPIO DE VENTUROSA, em 07/07/2021, contra decisão de minha lavra, publicada em 31/05/2021, assim fundamentada, in verbis: "Trata-se de Recurso Especial, interposto por MUNICÍPIO DE VENTUROSA, contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO, assim ementado: "ADMINISTRATIVO. FUNDEB. COMPLEMENTAÇÃO DOS REPASSES RELATIVOS AO EXERCÍCIO DE 2010. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. VMAA FIXADO EM MONTANTE SUPERIOR AO ENTENDIDO COMO DEVIDO. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS SOBRE O VALOR DA CAUSA.

1. Discute-se, nos presentes autos, se o Município Autor tem direito a receber da União diferenças de complementação do FUNDEB do ano de 2010, cujo repasse teria ocorrido a menor. Entende o Ente Municipal ser correto, em 2010, o valor mínimo anual por aluno de R$ 1.473,05 (mil, quatrocentos e setenta e três reais e cinco centavos), tendo em vista que o VMAA correto para o ano de 2006, ainda no âmbito do FUNDEF, mas com reflexo nos primeiros anos de instituição do FUNDEB, seria de R$ 1.231,57 (mil, duzentos e trinta e um reais e cinquenta e sete centavos). Na sentença, o pleito foi julgado improcedente o Município Autor foi condenado no pagamento de honorários advocatícios fixados em R$ 2.000,00 (dois mil reais).

2. Sabe-se que o FUNDEB foi criado pela EC 53/2006, que alterou o art. 60 do ADCT para substituir o FUNDEF e foi regulamentado pela Lei nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/2007. De acordo com a redação do art. 33, da Lei nº 11.494/2007, o valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente para o ensino fundamental no âmbito do FUNDEB não poderá ser inferior ao mínimo fixado nacionalmente em 2006 no âmbito do FUNDEF. Portanto, o piso do FUNDEB ficou atrelado ao valor praticado em 2006 no âmbito do FUNDEF. Por sua vez, o VMAA do FUNDEF, consoante estabelecido no julgamento do Recurso Especial Repetitivo nº 1.101.015/BA, deve ser calculado levando em conta a média nacional e não a média mínima obtida em cada Estado ou no Distrito Federal 3. Não há que falar em prescrição das diferenças pleiteadas, uma vez que a presente ação foi proposta em abril de 2016 e a pretensão de receber eventuais diferenças de valores repassados a menor do exercício de 2010 só teve o prazo prescricional iniciado em abril de 2011. "(..) 4. O termo inicial para a contagem do prazo prescricional é a data da complementação dos valores do VMAA pela União, que, nos termos do §2º do art. 6º da Lei 11.494/07, é o "1º (primeiro) quadrimestre do exercício imediatamente subsequente". Em outros termos, 30 de abril do ano seguinte." (TRF5 - Processo 0800532-93.2016.4.05.8312, Rel. Desembargador Federal Rogério Fialho Moreira, 3ª Turma, Data da assinatura: 31/08/2017).

4. Ao editar a Portaria nº 380/2011, que divulgou o demonstrativo final da distribuição dos recursos do FUNDEB relativos ao exercício de 2010, a União demonstrou, no art. 2º, que o VMAA estabelecido naquele ano foi de R$ 1.529,97, muito superior ao pretendido pelo Município Apelante. Por sua vez, o Nesse Município Autor não se desincumbiu do ônus de provar que não recebera o VMAA nesse patamar. sentido é a jurisprudência desta egrégia Terceira Turma: Processo 0800059- 16.2016.4.05.8310, AC - Apelação Cível, Rel. Desembargador Federal Rogério Fialho Moreira, 3ª Turma, Julgamento: 16/08/2019; e Processo 0800051-24.2015.4.05.8003, Rel. Desembargador Federal Janilson Bezerra de Siqueira - Convocado, Relator para acórdão: Desembargador Federal Fernando Braga, 3ª Turma, Julgamento: 02/03/2019.

5. O art. 85, §§ 2º, 3º e 4º, III, do CPC trata dos critérios de arbitramento dos honorários de sucumbência nas causas em que a Fazenda Pública for parte. Inclusive, quando não há condenação ou não for possível mensurar o proveito econômico, a Lei Processual Civil estatui que essa verba deve ser fixada sobre o valor da causa. Por sua vez, o § 6º, também do art. 85, determina que "Os limites e critérios previstos nos §§ 2º e 3º aplicam-se independentemente de qual seja o conteúdo da decisão, inclusive aos casos de improcedência ou de sentença sem resolução de mérito." 6. O § 8º, do art. 85 estabelece que, nas demandas em que o valor da causa for muito baixo, a fixação dos honorários deverá ser feita levando em consideração a apreciação equitativa do Juiz, observado o disposto no § 2º do citado artigo. No entanto, esse dispositivo legal somente se aplica aos casos em que o valor da causa é muito baixo, para que o advogado não seja remunerado desproporcionalmente ao exercício de sua atividade. Não se aplica, portanto, às hipóteses de valor da causa é considerado condizente com o objeto da lide.

7. Considerando que o valor da causa é de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), a verba honorária a ser paga pelo Autor à Ré deve ser estabelecida nos moldes do art. 85, § 3º, I, do CPC, fixando-se em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa. Apelação do Município improvida. Apelação da União provida" (fls. 454/455e). O acórdão em questão foi objeto de Embargos de Declaração (fls. 468/482e), os quais restaram rejeitados, nos termos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ART. 1022 DO CPC. PRESSUPOSTOS. INEXISTÊNCIA. REDISCUSSÃO. INADMISSIBILIDADE.

1. Trata-se de embargos de declaração opostos pelo Município no processo em epígrafe, contra acórdão desta Terceira Turma.

2. Em suas razões, a parte embargante alega a existência de omissão/obscuridade no aludido acórdão. Ao final, requer o provimento do recurso.

3. Os embargos de declaração previstos nos artigos 1.022 a 1.026, do CPC, têm sua abrangência limitada aos casos em que haja obscuridade, contradição, omissão e, ainda, quando haja erro material. A contradição se afere através de confronto entre a motivação e a parte dispositiva, ou entre capítulos da parte dispositiva da decisão atacada.

4. No caso, observa-se não assistir razão à parte embargante. É que o inconformismo da parte recorrente não se amolda aos contornos da via dos embargos de declaração, porquanto o acórdão ora combatido não padece de vícios de omissão, contradição ou obscuridade, não se prestando o manejo de tal recurso para o fim de rediscutir os aspectos fático-jurídicos anteriormente debatidos.

5. Ademais, o art. 489 do CPC 2015 impõe a necessidade de enfrentamento dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado, não estando o julgador obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivação suficiente para proferir a decisão.

6. Não se deve confundir acórdão omisso, obscuro ou contraditório com prestação jurisdicional contrária à tese de interesse do embargante, sendo evidente a pretensão de rediscussão da causa com tal intuito, finalidade para qual não se prestam os embargos de declaração. O simples desejo de prequestionamento, que não acarreta o provimento do recurso se o acórdão não padece de qualquer omissão, obscuridade, contradição ou erro material. Com a entrada em vigor do CPC/15, a mera oposição dos embargos de declaração passa a gerar prequestionamento implícito, mesmo que os embargos sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o Tribunal Superior entenda haver defeito no acórdão, na forma do artigo 1.025 do NCPC.

7. Mesmo tendo os embargos por escopo o prequestionamento, ainda assim não se pode dispensar a indicação do pressuposto específico, dentre as hipóteses traçadas pelo art. 1.022 do CPC, autorizadoras do seu conhecimento. Embargos de declaração improvidos" (fl. 514e). Nas razões do Recurso Especial, interposto com base no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, a parte ora recorrente aponta, além do dissídio jurisprudencial, violação aos arts. 435, 1.022, II, do CPC/2015, 1º do Decreto 5.690/2006 e 6º, § 1º da Lei 9.424/96, sustentando que: a) "a premissa do acórdão foi pautado na suposição de que não há o interesse de agir por parte do autor com fulcro em uma portaria mencionada pela União. Todavia, mesmo sendo demonstrado através dos cálculos trazidos nos Embargos do Município que a União não honrou a portaria, repassando o valor do FUNDEB 2010 a menor, restando configurado o pleno interesse de agir, o douto julgador permaneceu omisso" (fl. 571e); b) "foi apenas após o julgamento dos embargos que tomou conhecimento da existência do site em questão, e como o documento é extraído de site oficial, e comprova o alegado pela parte autora, imprescindível é a juntada e apreciação do mesmo por esta Eg. Corte" (fl. 574e). Por fim, requer o provimento do Recurso Especial. Contrarrazões a fls. 599/614e. O Recurso Especial foi admitido pelo Tribunal de origem (fl. 668e). A

irresignação não merece prosperar. Inicialmente, em relação ao art. 1.022, II do CPC/2015, deve-se ressaltar que o acórdão recorrido não incorreu em omissão, uma vez que o voto condutor do julgado apreciou, fundamentadamente, todas as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida pela parte recorrente, in verbis: "Discute-se, nos presentes autos, se o Município Autor tem direito a receber da União diferenças de complementação do FUNDEB do ano de 2010, cujo repasse teria ocorrido a menor. Entende o Ente Municipal ser correto, em 2010, o valor mínimo anual por aluno de R$ 1.473,05 (mil, quatrocentos e setenta e três reais e cinco centavos), tendo em vista que o VMAA correto para o ano de 2006, ainda no âmbito do FUNDEF, mas com reflexo nos primeiros anos de instituição do FUNDEB, seria de R$ 1.231,57 (mil, duzentos e trinta e um reais e cinquenta e sete centavos). Sabe-se que o FUNDEB foi criado pela EC 53/2006, que alterou o art. 60 do ADCT para substituir o FUNDEF e foi regulamentado pela Lei nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/2007. De acordo com a redação do art. 33, da Lei nº 11.494/2007, o valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente para o ensino fundamental no âmbito do FUNDEB não poderá ser inferior ao mínimo fixado nacionalmente em 2006 no âmbito do FUNDEF. Portanto, o piso do FUNDEB ficou atrelado

ao valor praticado em 2006 no âmbito do FUNDEF. Por sua vez, o VMAA do FUNDEF, consoante estabelecido no julgamento do Recurso Especial Repetitivo nº 1.101.015/BA, deve ser calculado levando em conta a média nacional e não a média mínima obtida em cada Estado ou no Distrito Federal. No caso em comento, o Município Autor argumenta que o valor anual mínimo por aluno, no âmbito do FUNDEB, no exercício financeiro de 2010, corresponde a R$ 1.473,05 (mil, quatrocentos e setenta e três reais e cinco centavos). (..) Quanto ao mérito, a jurisprudência desta c. Terceira Turma já teve oportunidade de se posicionar pelo descabimento do pagamento do valor de R$ 1.473,05 (mil, quatrocentos e setenta e três reais e cinco centavos), uma vez que o VMAA praticado no ano de 2010 e repassados aos Municípios foi de R$ 1.529,97 (mil, quinhentos e vinte e nove reais e noventa e sete centavos), superior, portanto, ao que foi pleiteado. (..) Ao editar a Portaria nº 380/2011, que divulgou o demonstrativo final da distribuição dos recursos do FUNDEB relativos ao exercício de 2010, a União demonstrou, no art. 2º, que o VMAA estabelecido naquele ano foi de R$ 1.529,97, muito superior ao pretendido pelo Município Apelante. Por sua vez, o Município Autor não se desincumbiu do ônus de provar que não recebera o VMAA nesse patamar" (fls. 449/451e). Vale destacar, ainda, que não se pode confundir decisão

contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional. Nesse sentido: STJ, REsp 1.129.367/PR, Rel. Ministra DIVA MALERBI (Desembargadora Federal Convocada/TRF 3ª Região), SEGUNDA TURMA, DJe de 17/06/2016; REsp 1.078.082/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 02/06/2016; AgRg no REsp 1.579.573/RN, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 09/05/2016; REsp 1.583.522/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 22/04/2016. Por outro lado, verifica-se, no que tange aos arts. 1º do Decreto 5.690/2006 e 6º, § 1º da Lei 9.424/96, a ausência da técnica própria indispensável à apreciação do Recurso Especial, pois deixou de demonstrar no que consistiu a alegada ofensa aos citados dispositivos. Diante desse quadro, tem incidência, por analogia, a Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". No mais, argumenta o recorrente a necessidade de que se considere o documento novo juntado aos autos, nos termos do art. 435 do CPC/2015, alegando que, "o que impediu a Edilidade de juntar o documento em questão foi a ausência da informação, pois até o desdobramento presente da ação, tinha apenas conhecimento da Portaria que já havia juntado nos autos, que inclusive é a base do

nosso cálculo, não tinha conhecimento da publicidade individualizada dos atos realizados em 2010", e que "foi apenas após o julgamento dos embargos que tomou conhecimento da existência do site em questão, e como o documento é extraído de site oficial, e comprova o alegado pela parte autora, imprescindível é a juntada e apreciação do mesmo por esta Eg. Corte" (fl. 574e). Contudo, esta Corte já se manifestou no sentido de que "não é cabível a pretensão de juntada de documentos novos, no âmbito do recurso especial, com fundamento no art. 435 do CPC/2015 (equivalente ao art. 397 do CPC/1973), uma vez que os elementos de provas já apreciados pelas instâncias ordinárias não podem ser valorados pelo STJ" (STJ, AgInt no AREsp 1.242.238/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, DJe de 22/08/2019). No mesmo sentido: "PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. POSSIBILIDADE DESAPROPRIAÇÃO. INDIRETA. JUROS. COMPENSATÓRIOS. TERMO INICIAL. EFETIVO APOSSAMENTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. JUNTADA DE DOCUMENTOS NOVOS. RECURSO ESPECIAL. DESCABIMENTO.

1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de ser possível ao relator dar ou negar provimento ao recurso especial, em decisão monocrática, nas hipóteses em que há jurisprudência dominante quanto ao tema (Súmula nº 568/STJ). Eventual nulidade do julgamento singular, por falta de enquadramento nas hipóteses legais, fica superada em virtude da apreciação da matéria pelo órgão colegiado no julgamento do agravo interno.

2. Verifica-se que rever o entendimento do acórdão recorrido ensejaria o reexame do conjunto fático-probatório da demanda, providência vedada em sede de recurso especial ante a Súmula 7/STJ. Isso porque "diante da impossibilidade de aferição da data do apossamento pelo DAER, utiliza-se a data do laudo pericial (27 de maio de 2010, fl. 203), uma vez que trata de desapropriação indireta" (fl. 705).

3. Não é cabível a pretensão de juntada de documentos novos, no âmbito do recurso especial, com fundamento no art. 435 do CPC/2015 (equivalente ao art. 397 do CPC/1973), uma vez que os elementos de provas já apreciados pelas instâncias ordinárias não podem ser valorados pelo STJ.

4. Agravo interno não provido" (STJ, AgInt no REsp 1.814.015/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 13/05/2020). Por fim cabe destacar que, nos termos da jurisprudência desta Corte, "a divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais (art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e art. 255 do RI/STJ) impede o conhecimento do Recurso Especial com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal" (STJ, REsp 1.766.890/MS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 16/11/2018). Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I e II, do RISTJ, conheço parcialmente do Recurso Especial, e, nessa parte, nego-lhe provimento. Em atenção ao disposto no art. 85, § 11, do CPC/2015 e no Enunciado Administrativo 7/STJ ("Somente nos recursos interpostos contra decisão publicada a partir de 18 de março de 2016 será possível o arbitramento de honorários sucumbenciais recursais, na forma do art. 85, § 11, do NCPC"), majoro os honorários

advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já arbitrado, levando-se em consideração o trabalho adicional imposto ao advogado da parte recorrida, em virtude da interposição deste recurso, respeitados os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC/2015" (fls. 682/688e). Inconformada, sustenta a parte agravante que: "No entanto, máxima vênia, crédulo que a cognição exercida no Acórdão não se compatibilizava com a realidade dos fatos, a Edilidade interpôs o competente Recurso Especial. Pois bem. Após a distribuição do Recurso, a Edilidade tomou conhecimento de um portal público, um site, que em virtude da necessidade de transparência das transações públicas, é alimentado para deixar claro ao cidadão os valores repassados pelo Tesouro Nacional aos Municípios. Acerca desta nova evidência a ora Agravante peticionou aos autos rogando para que, caso este Eg. Superior Tribunal não entendesse pela revaloração das provas, que fosse REMETIDO OS AUTOS para instância competente para o exame de mérito, uma vez a imprescindibilidade das mesmas. Entretanto, entendeu o Douto Julgador por negar seguimento ao Recurso Especial e, quanto aos pedidos relacionados as novas provas, assim fundamentou: (..) Contudo, considerando que a questão possui uma relevância importância, e, ainda, máxima vênia, crédulo que a cognição exercida na decisium vergastada não se compatibiliza com a realidade dos fatos, concretizando um grave erro no julgamento que merece ser observado, por isso que se interpõe o presente Agravo Interno. É o que se passa a fazer.

3. DAS RAZÕES. 3.1. DO PELO INTERESSE DE AGIR DO MUNICÍPIO. NECESSIDADE DE DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL A QUO PARA NOVO JULGAMENTO. REVALORAÇÃO DAS PROVAS. POSSIBILIDADE. O artigo 435 do Código de Processo Civil prevê: Art. 435. É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô- los aos que foram produzidos nos autos. E o parágrafo único afirma: Parágrafo único. Admite-se também a juntada posterior de documentos formados após a petição inicial ou a contestação, bem como dos que se tornaram conhecidos, acessíveis ou disponíveis após esses atos, cabendo à parte que os produzir comprovar o motivo que a impediu de juntá-los anteriormente e incumbindo ao juiz, em qualquer caso, avaliar a conduta da parte de acordo com o art. 5º . No caso em evidência, o que impediu a Edilidade de juntar o documento em questão foi a ausência da informação, pois até o desdobramento presente da ação, tinha apenas conhecimento da Portaria que já havia juntado nos autos, que inclusive é a base do nosso cálculo, não tinha conhecimento da publicidade individualizada dos atos realizados em 2010. Foi apenas após o julgamento dos embargos que tomou conhecimento da existência do site em questão, e como o documento é extraído de site oficial, e comprova o alegado pela parte autora,

imprescindível é a juntada e apreciação do mesmo por esta Eg. Corte. Conforme demonstrado abaixo e no documento oportunamente juntado (anexado aos autos), o valor repassado para o Município de Venturosa/PE, a título de FUNDEB no ano de 2010, foi de R$ 4.883.566,13 (quatro milhões, oitocentos e oitenta e três mil, quinhentos e sessenta e seis reais e treze centavos): (..) É importante ainda registrar que o documento é tão importante que fazendo uma analogia com a possibilidade de ajuizamento de uma ação rescisória, um novo documento é uma das possibilidades descritas no artigo 996, inciso VII, do CPC, e pode anular um processo inteiro. Embora não seja o caso dos autos, haja vista que ainda não há trânsito em julgado nos fólios, roga que o documento seja admitido, para que verificando o comprovante acostado, a turma decida anular os julgamentos dos embargos da União, fazendo prevalecer o julgamento da Apelação que deu provimento ao apelo da Edilidade, corroborando o entendimento de que a União arguiu a sua tese genericamente, e o município acostou prova irrefutável de seu direito, demonstrando a individualização dos repasses. O princípio da instrumentalidade deve preponderar sobre os rigores do texto legal, devendo prevalecer o fim visado com a tutela jurisdicional - o reconhecimento do verdadeiro direito. O Direito Processual não deve ser concebido como um fim em si mesmo, ou

como o estudo da forma pela forma, sua aplicação ao caso concreto deve considerar a utilidade prática do texto legal como suporte procedimental para a efetivação de direitos. Desde que observado o princípio do contraditório, a juntada posterior de documentos não implica em cerceamento de defesa, tendo a outra parte oportunidade de ofertar manifestação. A respeito da resguarda ao princípio do contraditório, o REsp 780396/PB: (..) Há de se observar que além dos julgados acima citados outros mais admitem a apresentação de novos documentos no decorrer da ação, inclusive em fase recursal, consoante entendimento jurisprudencial do STJ. Por oportuno colacionamos o recente julgado proferido pela 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, pelo Desembargador Federal Leonardo Carvalho, nos autos do processo nº 0800057- 46.2016.4.05.8310 (acórdão em anexo) no qual ficou demonstrado no acórdão que a afirmação da União em já ter repassado o valor devido, SEM UMA APRESENTAÇÃO DE CÁLCULOS COMPRABATÓRIOS, NÃO PODE SER ACOLHIDA, ISSO PORQUE A APURAÇÃO DOS VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE COMPLEMENTAÇÃO DOO FUNDEB DEPENDERÁ DE LIQUIDAÇÃO DO JULGADO. Ademais, restou-se clara a possibilidade do autor em pleitear seu direito, como trata o caso dos presentes autos. Senão vejamos, ipsi litteris: (..) De fato, existe a violação ao direito pleiteado, e que busca a edilidade guarida jurisdicional, o

que pressupõe o PLENO INTERESSE DE AGIR, requerendo que este Eg. Tribunal determine a devolução dos autos para o processamento do feito com a discussão do mérito e apreciação dos cálculos apresentados, afastando totalmente a ausência do interesse de agir. Como os documentos ora juntados são imprescindíveis para salvaguardar o direito do autor da demanda, roga pela sua admissão e acolhimento das razões expostas" (fls. 695/700e). Por fim, requer "que o presente AGRAVO INTERNO seja recebido e provido, requerendo a V. Exa., reconsidere a decisão que negou provimento ao Recurso Especial, no intuito de que seja reformada a decisum que desconsiderou toda a documentação superveniente acostada, bem como, a REMESSA DOS AUTOS A INSTÂNCIA INFERIOR para fins de análise e julgamento do acervo probatório acostado incidentemente" (fl. 700e). Impugnação da parte agravada, a fls. 705/710e, pelo não conhecimento do recurso, destacando que "o agravante não infirmou todos os pontos da decisão agravada, o qual somente reafirma a suposta necessidade de devolução dos autos ao Tribunal de origem face ao alegado direito de juntar novas provas". É o relatório.

EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RAZÕES QUE NÃO IMPUGNAM, ESPECIFICAMENTE, OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. SÚMULA 182/STJ E ART. 1.021, § 1º, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão que julgara Recurso Especial interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/2015. II. A decisão ora agravada conheceu parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, negou-lhes provimento, em razão da inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, pela incidência da Súmula 284/STF, pela não comprovação do dissídio jurisprudencial, nos moldes legais e regimentais, e por estar a pretensão recursal em contrariedade com a jurisprudência do STJ. III. O Agravo interno, porém, não impugna, especificamente, os fundamentos da decisão agravada, pelo que constituem óbices ao conhecimento do inconformismo a Súmula 182 desta Corte e o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015. Nesse sentido: STJ, AgInt nos EDcl no AREsp 1.712.233/RJ, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 01/03/2021; AgInt no AREsp 1.745.481/SP, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 01/03/2021; AgInt no AREsp 1.473.294/RN, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 22/06/2020; AgInt no AREsp 1.077.966/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 17/10/2017; AgRg no AREsp 830.965/SP, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, DJe de 13/05/2016. IV. Agravo interno não conhecido.

VOTO MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES (Relatora): O presente recurso não merece ser conhecido. De início, nesta Corte, a decisão ora impugnada foi proferida, como relatado, com base na seguinte fundamentação: "A irresignação não merece prosperar.Inicialmente, em relação ao art. 1.022, II do CPC/2015, deve-se ressaltar que o acórdão recorrido não incorreu em omissão, uma vez que o voto condutor do julgado apreciou, fundamentadamente, todas as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida pela parte recorrente, in verbis: "Discute-se, nos presentes autos, se o Município Autor tem direito a receber da União diferenças de complementação do FUNDEB do ano de 2010, cujo repasse teria ocorrido a menor. Entende o Ente Municipal ser correto, em 2010, o valor mínimo anual por aluno de R$ 1.473,05 (mil, quatrocentos e setenta e três reais e cinco centavos), tendo em vista que o VMAA correto para o ano de 2006, ainda no âmbito do FUNDEF, mas com reflexo nos primeiros anos de instituição do FUNDEB, seria de R$ 1.231,57 (mil, duzentos e trinta e um reais e cinquenta e sete centavos). Sabe-se que o FUNDEB foi criado pela EC 53/2006, que alterou o art. 60 do ADCT para substituir o FUNDEF e foi regulamentado pela Lei nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/2007. De acordo com a redação do art. 33, da Lei nº 11.494/2007, o valor anual mínimo

por aluno definido nacionalmente para o ensino fundamental no âmbito do FUNDEB não poderá ser inferior ao mínimo fixado nacionalmente em 2006 no âmbito do FUNDEF. Portanto, o piso do FUNDEB ficou atrelado ao valor praticado em 2006 no âmbito do FUNDEF. Por sua vez, o VMAA do FUNDEF, consoante estabelecido no julgamento do Recurso Especial Repetitivo nº 1.101.015/BA, deve ser calculado levando em conta a média nacional e não a média mínima obtida em cada Estado ou no Distrito Federal. No caso em comento, o Município Autor argumenta que o valor anual mínimo por aluno, no âmbito do FUNDEB, no exercício financeiro de 2010, corresponde a R$ 1.473,05 (mil, quatrocentos e setenta e três reais e cinco centavos). (..) Quanto ao mérito, a jurisprudência desta c. Terceira Turma já teve oportunidade de se posicionar pelo descabimento do pagamento do valor de R$ 1.473,05 (mil, quatrocentos e setenta e três reais e cinco centavos), uma vez que o VMAA praticado no ano de 2010 e repassados aos Municípios foi de R$ 1.529,97 (mil, quinhentos e vinte e nove reais e noventa e sete centavos), superior, portanto, ao que foi pleiteado. (..) Ao editar a Portaria nº 380/2011, que divulgou o demonstrativo final da distribuição dos recursos do FUNDEB relativos ao exercício de 2010, a União demonstrou, no art. 2º, que o VMAA estabelecido naquele ano foi de R$ 1.529,97, muito superior ao pretendido pelo

Município Apelante. Por sua vez, o Município Autor não se desincumbiu do ônus de provar que não recebera o VMAA nesse patamar" (fls. 449/451e). Vale destacar, ainda, que não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional. Nesse sentido: STJ, REsp 1.129.367/PR, Rel. Ministra DIVA MALERBI (Desembargadora Federal Convocada/TRF 3ª Região), SEGUNDA TURMA, DJe de 17/06/2016; REsp 1.078.082/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 02/06/2016; AgRg no REsp 1.579.573/RN, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 09/05/2016; REsp 1.583.522/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 22/04/2016. Por outro lado, verifica-se, no que tange aos arts. 1º do Decreto 5.690/2006 e 6º, § 1º da Lei 9.424/96, a ausência da técnica própria indispensável à apreciação do Recurso Especial, pois deixou de demonstrar no que consistiu a alegada ofensa aos citados dispositivos. Diante desse quadro, tem incidência, por analogia, a Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". No mais, argumenta o recorrente a necessidade de que se considere o documento novo juntado aos autos, nos termos do art. 435 do CPC/2015, alegando que, "o que impediu a Edilidade de

juntar o documento em questão foi a ausência da informação, pois até o desdobramento presente da ação, tinha apenas conhecimento da Portaria que já havia juntado nos autos, que inclusive é a base do nosso cálculo, não tinha conhecimento da publicidade individualizada dos atos realizados em 2010", e que "foi apenas após o julgamento dos embargos que tomou conhecimento da existência do site em questão, e como o documento é extraído de site oficial, e comprova o alegado pela parte autora, imprescindível é a juntada e apreciação do mesmo por esta Eg. Corte" (fl. 574e). Contudo, esta Corte já se manifestou no sentido de que "não é cabível a pretensão de juntada de documentos novos, no âmbito do recurso especial, com fundamento no art. 435 do CPC/2015 (equivalente ao art. 397 do CPC/1973), uma vez que os elementos de provas já apreciados pelas instâncias ordinárias não podem ser valorados pelo STJ" (STJ, AgInt no AREsp 1.242.238/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, DJe de 22/08/2019). No mesmo sentido: "PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. POSSIBILIDADE DESAPROPRIAÇÃO. INDIRETA. JUROS. COMPENSATÓRIOS. TERMO INICIAL. EFETIVO APOSSAMENTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. JUNTADA DE DOCUMENTOS NOVOS. RECURSO ESPECIAL. DESCABIMENTO.

1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de ser possível ao relator dar ou negar provimento ao recurso especial, em decisão monocrática, nas hipóteses em que há jurisprudência dominante quanto ao tema (Súmula nº 568/STJ). Eventual nulidade do julgamento singular, por falta de enquadramento nas hipóteses legais, fica superada em virtude da apreciação da matéria pelo órgão colegiado no julgamento do agravo interno.

2. Verifica-se que rever o entendimento do acórdão recorrido ensejaria o reexame do conjunto fático-probatório da demanda, providência vedada em sede de recurso especial ante a Súmula 7/STJ. Isso porque "diante da impossibilidade de aferição da data do apossamento pelo DAER, utiliza-se a data do laudo pericial (27 de maio de 2010, fl. 203), uma vez que trata de desapropriação indireta" (fl. 705).

3. Não é cabível a pretensão de juntada de documentos novos, no âmbito do recurso especial, com fundamento no art. 435 do CPC/2015 (equivalente ao art. 397 do CPC/1973), uma vez que os elementos de provas já apreciados pelas instâncias ordinárias não podem ser valorados pelo STJ.

4. Agravo interno não provido" (STJ, AgInt no REsp 1.814.015/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 13/05/2020). Por fim cabe destacar que, nos termos da jurisprudência desta Corte, "a divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais (art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e art. 255 do RI/STJ) impede o conhecimento do Recurso Especial com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal" (STJ, REsp 1.766.890/MS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 16/11/2018). Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I e II, do RISTJ, conheço parcialmente do Recurso Especial, e, nessa parte, nego-lhe provimento. Em atenção ao disposto no art. 85, § 11, do CPC/2015 e no Enunciado Administrativo 7/STJ ("Somente nos recursos interpostos contra decisão publicada a partir de 18 de março de 2016 será possível o arbitramento de honorários sucumbenciais recursais, na forma do art. 85, § 11, do NCPC"), majoro os honorários

advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já arbitrado, levando-se em consideração o trabalho adicional imposto ao advogado da parte recorrida, em virtude da interposição deste recurso, respeitados os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC/2015" (fls. 682/688e). No presente Agravo interno, todavia, a parte recorrente não impugna, especificamente, qualquer dos fundamentos da decisão agravada - inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, pela incidência da Súmula 284/STF, pela não comprovação do dissídio jurisprudencial, nos moldes legais e regimentais, e por estar a pretensão recursal em contrariedade com a jurisprudência do STJ -, limitando-se a reiterar, ipsis litteris, as razões do Recurso Especial. No ponto, cabe destacar que "a mera reiteração das razões recursais sem a impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada inviabiliza o exame do recurso" (STJ, AgInt nos EAREsp 1.157.501/SP, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, SEGUNDA SEÇÃO, DJe de 22/08/2019). Registre-se, ainda, que "não basta, para afastar o óbice da Súmula 83 do STJ, a alegação genérica de que o acórdão recorrido não está em consonância com a jurisprudência desta Corte, devendo a parte recorrente demonstrar que outra é a positivação do direito na jurisprudência do STJ, com a indicação clara de precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão

agravada" (STJ, AgInt no AREsp 1.685.430/AL, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 24/11/2020), o que não ocorreu, no caso. No mesmo sentido, confiram-se, ainda: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. SÚMULA N. 182/STJ. PENAL. TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS. 231G (DUZENTOS E TRINTA E UM GRAMAS) DE COCAÍNA. MINUTA DE AGRAVO QUE NÃO INFIRMA ESPECIFICAMENTE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SÚMULA N. 83/STJ. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

1. Nas razões do agravo em recurso especial, não foi rebatido, concretamente, o fundamento da decisão agravada relativo à aplicação da Súmula n. 83 do Superior Tribunal de Justiça, atraindo, à espécie, a incidência da Súmula n. 182 do Superior Tribunal de Justiça.

2. Não foi demonstrado o desacerto da decisão agravada, indicando eventual superação do entendimento do STJ por meio de julgado mais recente que o citado na decisão que inadmitu o recurso especial, por meio do qual a Corte local se orientou ou, ainda, eventual distinção com o caso dos autos.

3. Agravo regimental desprovido" (STJ, AgRg no AREsp 1.693.498/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, DJe de 01/09/2020) "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO NO RECURSO ESPECIAL. LIQUIDAÇÃO. AN DEBEATUR. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 83/STJ. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. SÚMULA N. 182/STJ E ART. 932, III, DO CPC.

1. Para impugnar a decisão agravada que adota julgado desta Corte como razões de decidir cabe à parte recorrente demonstrar que outra é a positivação do direito na jurisprudência desta Corte, com a indicação de precedentes contemporâneos ou supervenientes.

2. Não havendo impugnação específica acerca de todos os fundamentos da decisão que deixou de admitir o recurso especial, deve ser aplicado, por analogia, o teor da Súmula 182 deste Tribunal Superior.

3. Agravo interno a que se nega provimento" (STJ, AgInt no AREsp 1.182.583/RS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, DJe de 23/10/2018). "RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/1973. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 2. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA NÃO ATACADOS (SÚMULA 182 do STJ). PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. TEMA JÁ JULGADO EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA.

1. Não tendo sido admitido o recurso especial na origem, com base em entendimento consolidado no âmbito deste Superior Tribunal de Justiça, incumbe à agravante demonstrar, no agravo de instrumento, que a orientação jurisprudencial não está pacificada no mesmo sentido do acórdão recorrido, e não simplesmente reiterar as razões do recurso denegado ou alegar que o Presidente do Tribunal a quo não poderia adentrar o mérito recursal. Incide na espécie, por analogia, a Súmula 182/STJ: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." 2. Este Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.144.469 - PR (Primeira Seção, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. p/acórdão Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.08.2016), firmou as teses de que: a) "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações"; e b) "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica".

3. Agravo regimental não provido" (STJ, AgRg no AREsp 287.296/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 19/12/2016). Ou seja, deveriam ter sido enfrentados os fundamentos determinantes dos julgados apontados como precedentes, ou com a demonstração de que não se aplicam eles ao caso concreto, ou de que há julgados contemporâneos ou posteriores do STJ em sentido diverso, situação que caracteriza a ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão recorrida. Com efeito, a parte agravante tem o ônus da impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada. Não basta repetir as razões já expendidas, no recurso anterior, ou limitar-se a infirmar, genericamente, o decisum. É preciso que o Agravo interno impugne, dialogue, combata, enfim, demonstre o desacerto do que restou decidido. Encampando tal compreensão, esta Corte editou a Súmula 182, in verbis: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Ainda a propósito do tema, a lição de CASSIO SCARPINELLA BUENO (in Curso Sistematizado de Direito Processual Civil, Vol. 5, 1ª ed., São Paulo: Saraiva, 2008, pp. 30/31) acerca da aplicabilidade da Súmula 182/STJ: "O "princípio da dialeticidade" (..) atrela-se com a necessidade de o recorrente demonstrar as razões de seu inconformismo, revelando por que a decisão lhe traz algum

gravame e por que a decisão deve ser anulada ou reformada. Examinado o princípio desta perspectiva, é irrecusável a conclusão de que ele está intimamente ligado à própria regularidade formal do recurso e ao entendimento, derivado do sistema processual civil (..), de que não é suficiente a interposição do recurso mas que o recorrente apresente, desde logo, as suas razões. Aplicação correta do princípio aqui examinado encontra-se na Súmula 182 do STJ, segundo a qual: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". (..) Embora os enunciados (e os precedentes) dessas Súmulas digam respeito a específicas modalidades recursais, é correto e desejável sua ampliação para albergar quaisquer recursos. Importa, a este respeito, destacar que o recurso deve evidenciar que a decisão precisa ser anulada ou reformada, e não que o recorrente tem razão. É inepto o recurso que se limita a reiterar as razões anteriormente expostas e que, com o proferimento da decisão, foram rejeitadas. A tônica do recurso é remover o obstáculo criado pela decisão e não reavivar razões já repelidas. O recurso tem de combater a decisão jurisdicional naquilo que ela o prejudica, naquilo que ela lhe nega pedido ou posição de vantagem processual, demonstrando o seu desacerto, do ponto de vista procedimental (error in procedendo) ou do ponto de vista do

próprio julgamento (error in judicando). Não atende ao princípio aqui examinado o recurso que se limita a afirmar a sua posição jurídica como a mais correta. Na perspectiva recursal, é a decisão que deve ser confrontada". A nova sistemática processual, introduzida pelo CPC de 2015, ratificou tal compreensão, in verbis: "Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal. § 1º. Na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos da decisão agravada". No mesmo sentido leciona a doutrina, quando afirma que "o agravante tem o ônus da impugnação especificada aos fundamentos da decisão agravada. Não basta, pois, a simples repetição do recurso anterior. É preciso que o agravo interno impugne, combata, enfim, demonstre o desacerto da decisão agravada. No ponto, o art. 1.021, § 1º positiva o princípio da dialeticidade recursal" (LUIZ HENRIQUE V. CAMARGO, in Breves Comentários ao Novo Código de Processo Civil, Teresa Arruda Alvim Wambier, Fredie Didier Jr., Eduardo Talamini, Bruno Dantas - Coordenadores, Ed. RT, 2015, p. 2.262). Assim, constata-se que o princípio da dialeticidade permanece vivo, nesse novo diploma processual, uma vez que se revela indispensável que a parte recorrente faça a impugnação específica dos

fundamentos da decisão agravada, expondo os motivos pelos quais não teriam sido devidamente apreciados os fatos e/ou as razões pelas quais não se teria aplicado corretamente o direito, no caso concreto, enfrentando os fundamentos da decisão agravada, o que não ocorreu, na hipótese dos autos. A propósito, a lição de NÉLSON NERY JR (in Princípios Fundamentais - Teoria Geral dos Recursos, 2ª ed., Revista dos Tribunais, p. 154), in verbis: "Entendemos que a exposição dos motivos de fato e de direito que ensejaram a interposição do recurso e o pedido de nova decisão em sentido contrário à recorrida, são requisitos essenciais e, portanto, obrigatórios. A inexistência das razões ou de pedido de nova decisão acarreta juízo de admissibilidade negativo: o recurso não é conhecido. (..) Vige, no tocante aos recursos, o princípio da dialeticidade (..). Segundo esse princípio, o recurso deverá ser dialético, discursivo. O recorrente deverá declinar o porque do pedido de reexame da decisão. (..) O procedimento recursal é semelhante ao inaugural de uma ação civil. A petição de recurso é assemelhável à peça inaugural, devendo, pois, conter os fundamentos de fato e de direito e o pedido. Tanto é assim, que já se afirmou ser causa de inépcia a interposição de recurso sem motivação. (..) O recurso se compõe de duas partes distintas sob o aspecto de conteúdo: a) declaração expressa sobre a

insatisfação com a decisão (elemento volitivo); b) os motivos dessa insatisfação (elemento de razão ou descritivo). Sem a vontade de recorrer não há recurso. Essa vontade deve manifestar-se de forma inequívoca, sob pena de não conhecimento. Não basta somente a vontade de recorrer, sendo imprescindível a dedução das razões (descrição) pelas quais se pede novo pronunciamento jurisdicional sobre a questão objeto do recurso. As razões do recurso são elemento indispensável para que o tribunal, ao qual se o dirige, possa julgá-lo, ponderando-as em confronto com os motivos da decisão recorrida que lhe embasaram a parte dispositiva". Desse modo, interposto Agravo interno com razões deficientes e insuficientes, que não impugnam, especificamente, os fundamentos da decisão agravada, devem ser aplicados, no particular, a Súmula 182 desta Corte e o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015. Nesse sentido: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. ART. 1.021, § 1º, DO CPC. SÚMULA 182 DO STJ.

1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC, cabe à parte agravante, na petição de agravo interno, refuta r especificamente os fundamentos da decisão agravada, o que, na hipótese dos autos, não foi atendido.

2. No caso em apreço, a insurgente deixou de impugnar os pressupostos da decisão do Tribunal de origem que inadmitiu o recurso, quais sejam, a incidência das Súmulas 83 do STJ e 283 do STF.

3. Aplicação da Súmula 182/STJ: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." 4. Desnecessária a assertiva de que a matéria de fundo esteja afetada sob o rito do recurso representativo da controvérsia, pois a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça assentou que, "diante da impossibilidade de conhecimento do Recurso Especial, mostra-se irrelevante aguardar o julgamento de Recursos Especiais afetados ao rito dos recursos repetitivos, haja vista que as questões ali discutidas são de mérito, não havendo falar em sobrestamento de recurso que não ultrapassara o juízo de admissibilidade" (AgInt no AREsp 1.692.058/PE, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe 16/11/2020).

5. Precedentes da Segunda Turma: AgInt no REsp 1.785.556/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25/10/2019; AgInt no AREsp 1.455.137/SP, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado, DJe 22/8/2019).

6. Agravo interno não conhecido" (STJ, AgInt nos EDcl no AREsp 1.712.233/RJ, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 01/03/2021). "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AO FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ E DOS ARTS. 932, III, E 1.021, § 1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - Razões de agravo interno nas quais não impugnados especificamente os fundamentos da decisão agravada, o que, à luz do princípio da dialeticidade, constitui ônus da Agravante. Incidência da Súmula n. 182 do STJ e aplicação do art. 932, III, combinado com o art. 1.021, § 1º, todos do Código de Processo Civil de 2015. III - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. IV - Agravo Interno não conhecido" (STJ, AgInt no AREsp 1.745.481/SP, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 01/03/2021). "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA. REPERCUSSÃO GERAL. TRÂNSITO EM JULGADO. AGUARDO. DESNECESSIDADE.

1. De acordo com o que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, todos os fundamentos da decisão atacada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso.

2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada, em especial a ausência de indicação de dispositivo da lei federal que entende violado.

3. Desnecessidade de se aguardar o trânsito em julgado da tese firmada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE n. 574.706, pois as as Turmas que compõem a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça têm orientação jurisprudencial pacífica pela dispensa dessa providência.

4. Agravo interno não conhecido" (STJ, AgInt no AREsp 1.473.294/RN, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 22/06/2020). "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. VIOLAÇÃO AO ART. 1021, § 1º DO CPC/2015. SÚMULA 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.

1. A decisão agravada conheceu do parcialmente do recurso especial para, nessa extensão, negar-lhe provimento, pois: a) não há falar em negativa de prestação jurisdicional; b) os dispositivos indicados como violados não foram prequestionados pelo Tribunal de origem; b) o recorrente não infirmou os fundamentos autônomos do acórdão recorrido - Súmula 283/STF.

2. No presente agravo interno, por sua vez, a parte agravante não se desincumbiu em demonstrar que houve impugnação específica à incidência dos óbices relacionados na decisão vergastada, eis que limitou-se a trazer argumentação genérica e reiterar as razões do apelo nobre.

3. A falta de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada inviabiliza o conhecimento do agravo interno, nos termos do art. 1021, § 1º, do CPC/2015. Incidência da Súmula 182/STJ: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." 4. Agravo interno não conhecido" (STJ, AgInt no AREsp 1.077.966/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 17/10/2017). "AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL EM CONSTRUÇÃO. PRAZO DE TOLERÂNCIA PARA ENTREGA EM DIAS ÚTEIS. SÚMULA 284/STF. RESTITUIÇÃO SIMPLES AO CONSUMIDOR. AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ. SUMULA 83/STJ. REEXAME. SUMULA 7/STJ. RECURSO QUE DEIXA DE IMPUGNAR ESPECIFICAMENTE OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO ORA AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182 DO STJ. RECURSO MANIFESTAMENTE INADMISSÍVEL. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, CPC. AGRAVO NÃO CONHECIDO. (..) 2. A Segunda Seção desta Corte firmou o entendimento de que a devolução em dobro dos valores pagos pelo consumidor somente é possível quando demonstrada a má-fé do credor. Precedentes.

3. O Tribunal de origem entendeu como não configurada a má-fé da parte credora, afastando a devolução em dobro do indébito. Nesse contexto, a modificação de tal entendimento lançado no acórdão recorrido demandaria nova análise do acervo fático-probatório dos autos, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ.

4. Inexistindo impugnação específica, como seria de rigor, aos fundamentos da decisão ora agravada, essa circunstância obsta, por si só, a pretensão recursal, pois, à falta de contrariedade, permanecem incólumes os motivos expendidos pela decisão recorrida. Incide na espécie a Súmula 182/STJ. (..) 6. Agravo regimental não conhecido, com aplicação de multa" (STJ, AgRg no AgRg no AREsp 731.339/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe de 06/05/2016). "PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO CONHECIDO.

1. Para viabilizar o prosseguimento (admissibilidade) do agravo, a inconformidade recursal há de ser clara, total e objetiva.

2. A reiteração das razões do recurso especial e consequente omissão em contrapor-se aos fundamentos adotados pela decisão objurgada atrai a incidência do óbice previsto na súmula 182/STJ, em homenagem ao princípio da dialeticidade recursal.

3. Agravo regimental não conhecido" (STJ, AgRg no AREsp 830.965/SP, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, DJe de 13/05/2016). Com razão, "o acesso à Justiça se dá na forma disciplinada pelas leis e pela jurisprudência consolidada nos tribunais. Por isso, o cumprimento dos requisitos de admissibilidade do recurso se impõe; não por simples formalismo, mas por observância das normas legais" (STJ, AgRg no AgRg no Ag 900.380/RJ, Rel. Ministro VASCO DELLA GIUSTINA (Desembargador convocado do TJ/RS), TERCEIRA TURMA, DJe de 18/05/2009). Ante todo o exposto, não conheço do Agravo interno. É como voto.

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Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

Recurso Especial Repetitivo nº 1.101.015/BA

Case cited

TRF5 - Processo 0800532-93.2016.4.05.8312 (Rel. Des. Rogério Fialho Moreira)

Case cited

AgInt no AREsp 1.242.238/RS (Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze)

Case cited

AgInt no REsp 1.814.015/RS (Rel. Min. Benedito Gonçalves)

Case cited

REsp 1.766.890/MS (Rel. Min. Herman Benjamin)

Case cited

REsp 1.129.367/PR (Rel. Min. Diva Malerbi)

Case cited

REsp 1.078.082/SP (Rel. Min. Sérgio Kukina)

Case cited

AgInt nos EDcl no AREsp 1.712.233/RJ (Rel. Min. OG Fernandes)

Case cited

AgInt no AREsp 1.745.481/SP (Rel. Min. Regina Helena Costa)

Case cited

Constituição Federal art. 105, III, a e c

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

CPC/2015 art. 1.022, II

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

CPC/2015 art. 435

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

CPC/2015 art. 1.021, § 1º

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

CPC/2015 art. 85, §§ 2º, 3º, 4º, §6º, §8º, §11

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Decreto 5.690/2006 art. 1º

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei 9.424/96 art. 6º, §1º

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei nº 11.494/2007 art. 33; art. 6º, §2º (mencionado)

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

ADCT art. 60 (mencionado em relação à EC 53/2006)

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