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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Conheceu-se parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negou-se provimento, por entender que o acórdão recorrido prestou tutela jurisdicional fundamentada, não havendo omissão quanto às questões relevantes, e por reconhecer deficiência na fundamentação recursal quanto à indicação de ofensa aos dispositivos legais apontados, atraindo a aplicação das Súmulas 284/STF e 7/STJ e a ausência de prequestionamento das normas indicadas, razão pela qual o pedido não prosperou.

Court disposition

recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, não provido

Orders

  • Conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
  • Publique-se.
  • Intimem-se.

02

Material facts

Parties

UNIÃO

Apelante

UFRJ

Apelante

03

Procedural history

  1. Posture

    Recurso Especial / Decisão De Mérito Em Recurso Especial

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
O recorrente alega violação dos arts. 489, §1º, e 1.022, II, do CPC/2015; dos arts. 54 e 55 da Lei nº 9.394/1996; do art. 1º da Lei nº 7.783/1989; dos arts. 3º, 4º, 13, 41 e 62 da Lei nº 8.112/1990; e do art. 18 da Lei nº 11.416/2006, além de omissão no acórdão recorrido quanto à violação da autonomia universitária e à suposta interferência indevida do SIPEC
Respondent
Em contrarrazões e no acórdão recorrido sustentou-se que não houve negativa de prestação jurisdicional nem omissão; que o acórdão enfrentou as questões relevantes de forma fundamentada; e que a parte recorrente não demonstrou de forma clara, precisa e particularizada a ofensa aos dispositivos legais apontados, configurando deficiência de fundamentação e atraindo a aplicação das Súmulas 284/STF e 7/STJ

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Constituição Federal

    Admissibilidade do recurso especial conforme art. 105, III, "a", da Constituição Federal

  2. 02

    Súmula 211/STJ

    Necessidade de prequestionamento de dispositivo federal para admissão do recurso especial

  3. 03

    Súmula 284/STF

    Deficiência de fundamentação recursal impede conhecimento do recurso especial por analogia à Súmula 284/STF

  4. 04

    Súmula 7/STJ

    Vedação ao reexame de fatos e provas no recurso especial

  5. 05

    Decreto nº 67.326/70

    Composição e atuação do SIPEC prevista no Decreto nº 67.326/70

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Conheceu-se parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negou-se provimento, por entender que o acórdão recorrido prestou tutela jurisdicional fundamentada, não havendo omissão quanto às questões relevantes, e por reconhecer deficiência na fundamentação recursal quanto à indicação de ofensa aos dispositivos legais apontados, atraindo a aplicação das Súmulas 284/STF e 7/STJ e a ausência de prequestionamento das normas indicadas, razão pela qual o pedido não prosperou.

Obiter and limits

  • O STF, na Reclamação nº 21842/2015, reafirmou parâmetros de competência para apreciação do direito de greve de servidores públicos.
  • Segundo o acórdão recorrido, a exigência de anuência do órgão central do SIPEC para acordos relativos a movimentos grevistas não configura violação à autonomia administrativa da UFRJ.
  • O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos/MGI é órgão central do SIPEC, responsável por acompanhar movimentos grevistas e expedir orientações.

Court disposition

recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, não provido

  • Conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
  • Publique-se.
  • Intimem-se.

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Superior Tribunal de Justiça

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DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, assim ementado (fl. 415): APELAÇÕES. REEXAME NECESSÁRIO. AÇÃO COLETIVA. DIREITO DE GREVE. SERVIDOR PÚBLICO. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 54/2021. INCOMPETÊNCIA DO TRF PARA JULGAMENTO ORIGINÁRIO. UNIVERSIDADE. LEGITIMIDADE PARA FIGURAR NO POLO PASSIVO. ACORDO PARA COMPENSAÇÃO DOS DIAS DE GREVE. CHANCELA DO SIPEC. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO À AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA. DECRETO Nº 67.326/70. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 49/23. APELAÇÕES E REEXAME PROVIDOS. - No julgamento da Reclamação nº 21842 (19/10/2015), o Supremo Tribunal Federal - STF reafirmou a competência originária de Tribunal de Justiça para processar e julgar conflitos decorrentes do exercício do direito de greve de servidores públicos municipais. - Assim, até que seja editada legislação específica, nos termos do art. 37, II, da Constituição Federal, o STF estabeleceu parâmetros de competência constitucional para a apreciação do exercício do direito de greve de servidores públicos. A depender da abrangência da paralisação dos servidores grevistas, a competência poderá ser do Superior Tribunal de Justiça - STJ, de Tribunais Regionais Federais ou de Tribunais de Justiça. - No caso concreto, o sindicato não está discutindo a paralisação dos servidores grevistas

de forma concreta, mas sim a declaração de nulidade dos arts. 4º e 5º da Instrução Normativa SGP/SEDGG/ME nº 54, de 20/05/2021, da Secretaria de Gestão e Desempenho de Pessoal do Ministério da Economia, por violação aos arts. 9º, 37, VII e 207 da Constituição da República, arts. 54 e 55 da Lei nº 9.394/1996 e art. 1º da Lei nº 7.783/1989. - Nos termos do Decreto nº 67.326/70, fazem parte do SIPEC as unidades da Administração Pública Federal que atuam exclusivamente na gestão de pessoas, categorizadas em Órgão Central, Órgãos Setoriais, Órgãos Seccionais e Correlatos da Administração Pública Federal Direta, Autárquica e Fundacional. Cabe ressaltar que a gestão de pessoal da UFRJ e demais autarquias possui representação no SIPEC. - O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos/MGI é Órgão Central do SIPEC, sendo responsável por acompanhar os movimentos grevistas, estabelecer interlocução com servidores, bem como expedir orientações, além de editar atos normativos que versam sobre o tema. - A necessidade de anuência do órgão central do SIPEC para elaboração de acordos relativos a movimentos grevistas firmados por servidores da UFRJ não configura violação à autonomia administrativa da Universidade, tanto no texto anterior quanto no novo texto presente na Instrução Normativa nº49/23. - Da mesma forma, não há se falar em intromissão na conveniência e oportunidade para

definição do momento oportuno para deflagração da greve, porque a Resolução trata tão somente do acordo que deve regular os descontos remuneratórios e a compensação das cargas horárias. - Apelação e reexame da UNIÃO providos e apelação e reexame da UFRJ parcialmente providos. Embargos de declaração rejeitados. O recorrente alega violação do artigos 489, §1º, e 1.022, inciso II do CPC; 54 e 55 da Lei 9.394/1996; 1º da Lei 7.783/1989; 3º, 4º, 13, 41 e 62 da Lei 8.112/90 e art. 18 da Lei 11.416/2006. Preliminarmente, sustenta a existência de omissão no acórdão recorrido por "ausência de apreciação da pretensão central, especialmente no que tange à violação da autonomia universitária e à interferência indevida do SIPEC, demonstra uma falha na entrega da prestação jurisdicional completa" (fl.487). Defende, em síntese, a autonomia das instituições de ensino superior para gerir o seu quadro de pessoal, inclusive obrigando à União a assegurar orçamento suficiente para esses entes, sem que, com isso, a autorize a se imiscuir nas questões internas das universidades (fl.491). Com contrarrazões. Juízo positivo de admissibilidade às fl. 572. É o relatório. Passo a decidir. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme

Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. De início, afasta-se a alegada violação dos artigos 489 e 1.022 do CPC/2015, porquanto o acórdão recorrido manifestou-se de maneira clara e fundamentada a respeito das questões relevantes para a solução da controvérsia. A tutela jurisdicional foi prestada de forma eficaz, não havendo razão para a anulação do acórdão proferido em sede de embargos de declaração. No mérito, não obstante a recorrente tenha indicado a violação dos artigos 54 e 55 da Lei 9.394/1996; 1º da Lei 7.783/1989; 3º, 4º, 13, 41 e 62 da Lei 8.112/90 e art. 18 da Lei 11.416/2006, além de não estarem prequestionados por não terem sido objeto de debate pela Corte Estadual (Súmula 211/STJ), constata-se a deficiência na fundamentação recursal, uma vez que a parte recorrente não desenvolveu argumentação suficiente para demonstrar em que consiste a alegada violação aos dispositivos legais mencionados. Conforme a jurisprudência pacífica desta Corte Superior, é imprescindível a demonstração inequívoca da ofensa aos dispositivos apontados nas razões do recurso especial, bem como sua particularização, a fim de viabilizar o exame em conjunto com o decidido nos autos. Tal demonstração não foi realizada na hipótese em apreço, configurando deficiência de fundamentação e ensejando, por analogia, a aplicação da Súmula 284 do STF. No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA. RECONHECIMENTO TEMPO ESPECIAL. ARTIGO VIOLADO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO CLARA, DIRETA E PARTICULARIZADA DA FORMA COMO O ACÓRDÃO RECORRIDO VIOLOU O DISPOSITIVO LEGAL. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. RECONHECIMENTO DE TEMPO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. EXAME PREJUDICADO.

1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ.

2. Limitando-se a parte agravante, em seu recurso especial, a tecer argumentação genérica como se apelação fosse, sem indicar de forma clara, precisa e congruente de que forma os vários dispositivos de lei federal citados teriam sido violados, incide na espécie a Súmula 284/STF, por analogia. Precedente: AgRg no REsp 1.196.326/DF, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe 26/09/2014.

3. Diante do delineamento fático feito pelo Tribunal a quo, é necessário reconhecer que o recurso especial esbarra na Súmula 7 do STJ, uma vez que não é possível revisar as conclusões adotadas sem o reexame de fatos e provas.

4. Segundo entendimento desta Corte, a inadmissão do recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, em razão da incidência de enunciado sumular, prejudica o exame do recurso no ponto em que suscita divergência jurisprudencial, se o dissídio alegado diz respeito ao mesmo dispositivo legal ou tese jurídica, o que ocorreu na hipótese. Nesse sentido: AgInt no REsp 1.590.388/MG, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 24/3/2017; AgInt no REsp 1.343.351/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 23/3/2017.

5. Agravo interno não provido (AgInt no Aresp 2373867/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje de 07/04/2025- grifo nosso). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRINCÍPIO DA ACTIO NATA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. DEFICIÊNCIA. ..

4. Considerado o delineamento fático realizado pelo Tribunal a quo, deve-se reconhecer que o recurso especial encontra óbice na Súmula 7 do STJ, porquanto não há como revisar as conclusões adotadas sem o reexame de fatos e provas.

5. A alegação genérica de ofensa a dispositivo legal desacompanhada de causa de pedir suficiente à compreensão da controvérsia e sem a indicação precisa de que forma o acórdão recorrido teria transgredido os dispositivos legais relacionados atrai a aplicação da Súmula 284 do STF.

6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.849.369/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 2/5/2022, DJe de10/5/2022.) Ressalta-se que a indicação deve ser clara, precisa e específica, "(..) não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF" (AgInt no AREsp 1.684.101/MA, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020). Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se.

EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. DIREITO DE GREVE. ACORDO. AUTONOMIA ADMINISTRATIVA. VIOLAÇÃO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS TIDOS POR VIOLADOS. SÚMULA 211/STJ. DEFICIÊNCIA NA ARGUMENTAÇÃO RECURSAL. SÚMULA 284/STF. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO.

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

Reclamação nº 21842 (19/10/2015) - STF

Case cited

AgRg no REsp 1.196.326/DF

Case cited

AgInt no REsp 1.590.388/MG

Case cited

AgInt no REsp 1.343.351/SP

Case cited

AgInt no AREsp 1.684.101/MA

Case cited

AgInt no AREsp n. 1.849.369/RS

Case cited

AgInt no Aresp 2373867/PR

Case cited

art. 105, III, "a", da Constituição Federal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 37, II, da Constituição Federal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

arts. 9º, 37, VII e 207 da Constituição da República

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Decreto nº 67.326/70

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Instrução Normativa SGP/SEDGG/ME nº 54/2021

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Instrução Normativa nº 49/23

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei nº 9.394/1996, arts. 54 e 55

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei nº 7.783/1989, art. 1º

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei nº 8.112/1990, arts. 3º, 4º, 13, 41 e 62

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei nº 11.416/2006, art. 18

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

CPC/2015, arts. 489, §1º, e 1.022, inciso II

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 211/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 284/STF

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 7/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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