Brazil Judgment

Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

O acórdão do TRF-5ª Região fundamentadamente concluiu que a propaganda das recorridas configurou paródia e, subsidiariamente, publicidade comparativa não abusiva, sem descredibilizar a autora nem comprovar prática reiterada de aproveitamento do prestígio da marca; por se tratar de questão fática e probatória, impõe-se respeito ao decidido na origem e vedado seu reexame no recurso especial (Súmula 7/STJ), motivo pelo qual o recurso especial foi conhecido parcialmente e negado provimento na extensão conhecida.

Court disposition

Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta extensão, não provido (negado provimento)

Orders

  • Conheço parcialmente do recurso especial e, nesta extensão, nego-lhe provimento
  • Majoram-se os honorários sucumbenciais para 15% sobre o valor atualizado da causa (art. 85, § 11, CPC), observada eventual concessão de gratuidade de justiça
  • Previne-se que recurso manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente poderá acarretar aplicação das penalidades dos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC
  • Publique-se. Intimem-se.

02

Material facts

Parties

IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S/A

Recorrente

CHIQUIN & BALSAN CIA LTDA

Recorrida

AGÊNCIA DE PUBLICIDADE NOVA PROPAGANDA

Recorrida

03

Procedural history

  1. Posture

    Ação De Obrigação De Não Fazer Cumulada Com Compensação De Danos Morais / Recurso Especial Julgamento No STJ

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Sustenta violação dos arts. 489, § 1º, IV, 1.022, II, e parágrafo único, do CPC; e do art. 884 do CC, e negativa de prestação jurisdicional; alega que o reconhecimento, pelo TRF-5ª Região, de paródia inspirada em sua campanha conduz à conclusão jurídica de que houve plágio, cópia e aproveitamento parasitário da publicidade e da marca, gerando enriquecimento sem causa das recorridas e dever de compensar danos morais, ainda que não se trate propriamente de violação de direitos autorais.
Respondent
Defenderam que não houve violação de direitos autorais ou concorrência parasitária, porquanto a propaganda veiculada configura paródia e, no máximo, publicidade comparativa permitida quando de boa-fé; não houve descredibilização da autora nem aproveitamento reiterado do prestígio da marca; aplica-se a excludente do art. 47 da Lei nº 9.610/1998.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Lei nº 9.610/1998, art. 47

    A paródia pode constituir excludente de violação aos direitos autorais desde que não seja verdadeira reprodução da obra originária e não implique descrédito

  2. 02

    Constituição Federal, art. 5º, inciso XXVII

    Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, nos termos constitucionais

  3. 03

    Jurisprudência do STJ (REsp n. 1.668.550/RJ e outros precedentes citados)

    A publicidade comparativa é admitida quando realizada de boa-fé, com propósito informativo e sem caracterizar concorrência desleal ou prejudicar a imagem de terceiros

  4. 04

    Súmula 7/STJ

    É vedado ao STJ o reexame de fatos e provas por meio de recurso especial

  5. 05

    Jurisprudência do STJ e Súmula 568/STJ

    Não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o tribunal de origem, aplicando o direito cabível, soluciona integralmente a controvérsia ainda que de forma diversa da pretendida

  6. 06

    CPC, art. 85, § 11

    Possibilidade de majoração dos honorários em função do trabalho adicional imposto pela interposição de recurso

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

O acórdão do TRF-5ª Região fundamentadamente concluiu que a propaganda das recorridas configurou paródia e, subsidiariamente, publicidade comparativa não abusiva, sem descredibilizar a autora nem comprovar prática reiterada de aproveitamento do prestígio da marca; por se tratar de questão fática e probatória, impõe-se respeito ao decidido na origem e vedado seu reexame no recurso especial (Súmula 7/STJ), motivo pelo qual o recurso especial foi conhecido parcialmente e negado provimento na extensão conhecida.

Obiter and limits

  • A paródia necessariamente contém alguma imitação da obra originária para ser identificável pelo público, sem que isso implique reprodução verdadeira ou descrédito
  • A simples indicação em propaganda de que um concorrente teria preço mais baixo, por si só, não configura ato ilícito quando não há menção nominativa que prejudique a imagem alheia

Court disposition

Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta extensão, não provido (negado provimento)

  • Conheço parcialmente do recurso especial e, nesta extensão, nego-lhe provimento
  • Majoram-se os honorários sucumbenciais para 15% sobre o valor atualizado da causa (art. 85, § 11, CPC), observada eventual concessão de gratuidade de justiça
  • Previne-se que recurso manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente poderá acarretar aplicação das penalidades dos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC
  • Publique-se. Intimem-se.

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DECISÃO Examina-se recurso especial interposto por IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S/A, fundamentado exclusivamente na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão proferido pelo TRF - 5ª Região. Recurso especial interposto em: 31/01/2024. Concluso ao Gabinete em: 06/09/2024. Ação: de obrigação de não fazer c/c compensação de danos morais, ajuizada pela recorrente, em desfavor de CHIQUIN & BALSAN CIA LTDA e AGÊNCIA DE PUBLICIDADE NOVA PROPAGANDA, em virtude de alegado plágio por parte destas de campanha publicitária veiculada por aquela. Sentença: julgou improcedente o pedido. Acórdão: negou provimento à apelação interposta pela recorrente, nos termos da seguinte ementa: APELAÇÃO CÍVEL. PROPRIEDADE INTELECTUAL. DIREITOS AUTORAIS. PROPAGANDA PUBLICITÁRIA. PLÁGIO. NÃO CARACTERIZADO. PARÓDIA. CONTEÚDO IRÔNICO. REQUISITOS ART. 47 DA LEI DE DIREITOS AUTORAIS PREENCHIDOS. AUSÊNCIA DE DESCRÉDITO OU FALA QUE PREJUDIQUE A IMAGEM DA PARTE AUTORA. PROPAGANDA COMPARATIVA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ABUSIVIDADE. MANTIDA A SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA, POR FUNDAMENTO DIVERSO.

1. A questão controvertida ora posta é o eventual plágio realizado pelas requeridas da propaganda publicitária criada pela parte autora.

2. A publicidade é forma de expressão de atividade intelectual, artística, de informação e de comunicação e, salvo às restrições impostas pelo texto constitucional, é livre. 3. Às obras intelectuais é dada proteção pelo ordenamento jurídico brasileiro. Basilarmente, a Constituição Federal estabeleceu, em seu art. 5º, inciso XXVII, que aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar. Em acréscimo, o legislador editou lei específica para os direitos autorais (Lei nº 9.610/1998), nela prevendo o que se enquadra no conceito de obra intelectual, bem como os direitos e deveres envolvendo a matéria. Ainda, referida legislação estipula limitações aos direitos autorais, elencando hipóteses que não constituem ofensas aos direitos autorais (art. 461), bem como prevê expressamente a possibilidade de realização de paráfrases e paródias, desde que observados os requisitos legais, quais seja, (I) não ser uma verdadeira reprodução da obra originária e (II) não implicar descrédito.

4. Da análise atenta ao conteúdo dos comerciais, é possível constatar que há certa similaridade entre as propagandas, porém o comercial confeccionado pelas requeridas reveste-se de um tom cômico e irônico. Além disso, o final dado ao comercial é totalmente diverso.

5. Não se pode esperar que a paródia não reflita a obra originária, pois mantém a mesma estrutura e organização da obra parodiada. O legislador utilizou o termo "verdadeira" justamente porque a paródia necessariamente contém certa imitação, a fim de que o público a identifique com a obra originária. No entanto, apesar de ser uma imitação muito próxima da original, a paródia adquire uma individualidade própria, pois reveste-se de um tom irônico e engraçado.

6. Ainda, em que pese se esteja diante de duas propagadas de postos de gasolina, sendo, portanto, empresas concorrentes, fato é que a propaganda comercial das requeridas não descredibilizou a rede de postos de combustível da requerente.

7. Veja-se que, embora a publicidade não seja objeto de legislação específica no ordenamento jurídico brasileiro - tampouco existam disposições sobre a "propaganda comparativa" -, a Terceira Turma do e. STJ já se manifestou no sentido de que é permitida a publicidade comparativa quanto realizada de boa-fé, com propósito informativo e em benefício do consumidor, desde que não caracterize prática de concorrência desleal e prejudique a imagem de terceiros.

8. No caso em apreço, não houve em nenhum momento da propaganda comercial criada pelas requeridas informação que pudesse, de alguma forma, prejudicar a imagem da requerente perante o mercado consumidor, haja vista que sequer foi mencionado o seu nome durante a propaganda. Além disso, o fato de a rede de postos de gasolina da requerida ter referido em seu comercial que possuía a gasolina mais barata - e isso soe como uma comparação aos preços da requerente - tal informação, por si só, não configura ato ilícito.

9. A par de tais considerações, não incorreram as partes rés em violação aos direitos autorais e intelectuais da autora, forte na excludente do artigo 47 da Lei nº 9.610/98. Improcede, assim, no caso concreto, o pedido de obrigação de não fazer, consubstanciado na determinação de que as requeridas se abstivessem de veicular a propaganda publicitária, bem como o pedido indenizatório. APELAÇÃO DESPROVIDA (e-STJ fls. 420-421). Embargos de declaração: opostos pela recorrente, foram rejeitados. Recurso especial: aponta a violação dos arts. 489, § 1º, IV, 1.022, II, e parágrafo único, do CPC; e 884 do CC. Além de negativa de prestação jurisdicional, sustenta que o reconhecimento, pelo próprio TRF - 5ª Região -, da ocorrência de paródia inspirada na campanha publicitária da recorrente conduz à conclusão jurídica de que houve o plágio, a cópia e o aproveitamento parasitário da publicidade e da marca da recorrente, gerando enriquecimento sem causa das agravadas e, via de consequência, o dever de compensar os danos morais sofridos, ainda que não propriamente violação de direitos autorais. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Da violação do art. 1.022, II, e parágrafo único, do CPC É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese, soluciona integralmente a controvérsia

submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: AgInt nos EDcl no AREsp 1.094.857/SC, 3ª Turma, DJe de 02/02/2018 e AgInt no AREsp 1.089.677/AM, 4ª Turma, DJe de 16/02/2018. No particular, verifica-se que o acórdão recorrido decidiu, fundamentada e expressamente, acerca da não constatação de ocorrência de concorrência parasitária por parte das recorridas (e-STJ fl. 453), de maneira que os embargos de declaração opostos pela parte recorrente, de fato, não comportavam acolhimento. Assim, observado o entendimento dominante desta Corte acerca do tema, não há que se falar em violação do art. 1.022 do CPC, incidindo quanto ao ponto a Súmula 568/STJ. - Da violação do art. 489, § 1º, IV, do CPC Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado suficientemente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489, § 1º, IV, do CPC. - Do reexame de fatos e provas O TRF - 5ª Região assim se manifestou a respeito da não constatação de concorrência parasitária no caso concreto: Ressaltou-se que a Terceira Turma do e. STJ já se manifestou em caso análogo, entendendo que a mensagem publicitária se tratava de uma paródia, não havendo violação aos direitos autorais relativos à obra originária, desimportando o fato de ser uma criação com fins lucrativos

(REsp n. 1.810.440/SP). Além disso, a mesma Turma da Corte Superior já se manifestou no sentido de que é permitida a publicidade comparativa, quanto realizada de boa-fé, com propósito informativo e em benefício do consumidor, desde que não caracterize prática de concorrência desleal e prejudique a imagem de terceiros (REsp n. 1.668.550/RJ). Sendo assim, não houve omissão no julgado. A verdade é que não se constatou a ocorrência de concorrência parasitária alegada pela parte autora, até porque não restou comprovada a prática reiterada de ações por parte das rés com a finalidade de se aproveitar do prestígio da marca Ipiranga - requisito indispensável para a configuração da concorrência parasitária. No presente caso, apensar se constatou que a publicidade veiculada pelas rés se tratou de uma paródia e, no máximo, de uma publicidade comparativa, sem violar nenhum direito da parte ré (e-STJ fl. 453) (grifos acrescentados). Alterar o decidido no acórdão impugnado quanto ao ponto, para fins de análise acerca do alegado enriquecimento sem causa das recorridas, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. Forte nessas razões, com fundamento no art. 932, III, e IV, "a", do CPC, bem como na Súmula 568/STJ, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nesta extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, considerando o

trabalho adicional imposto ao advogado da parte recorrida em virtude da interposição deste recurso, majoro os honorários fixados anteriormente em 12% (doze por cento) sobre o valor atualizado da causa (e-STJ fl. 418) para 15%, observada eventual concessão da gratuidade de justiça. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar sua condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se.

EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER CUMULADA COM COMPENSAÇÃO DE DANOS MORAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC. INOCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE.

1. Ação de obrigação de não fazer c/c compensação de danos morais, em virtude de suposto plágio de campanha publicitária.

2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração.

3. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489, § 1º, IV, do CPC.

4. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível.

5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta extensão, não provido.

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

REsp n. 1.810.440/SP

Case cited

REsp n. 1.668.550/RJ

Case cited

AgInt nos EDcl no AREsp 1.094.857/SC

Case cited

AgInt no AREsp 1.089.677/AM

Case cited

Constituição Federal, art. 5º, inciso XXVII

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei nº 9.610/1998, art. 47

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei nº 9.610/1998, art. 461

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código de Processo Civil, art. 489, § 1º, IV

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código de Processo Civil, art. 1.022, II

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código de Processo Civil, art. 1.022, parágrafo único

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código de Processo Civil, art. 85, § 11

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código de Processo Civil, art. 1.021, § 4º

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código de Processo Civil, art. 1.026, § 2º

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código de Processo Civil, art. 932, III e IV, "a"

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código Civil (referência no recurso): art. 884

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 7/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 568/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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